Com a chegada do 5G ao Brasil, que promete revolucionar a conectividade em todo o mundo, muitas mudanças estão programadas para a comunicação entre os usuários. Isso inclui, evidentemente, uma comunicação repensada. O interessante, no entanto, é que essa comunicação ultrapassou as barreiras humanas: o 5G também vai proporcionar mais conectividade entre máquinas.
Tendo em vista que essa nova tecnologia mudará o rumo da conectividade no Brasil, as empresas esperam que seu uso venha também para favorecer e incrementar a experiência do cliente em conjunto com o uso do digital. Assim, alguns executivos já estimam que a autenticação biométrica, a realidade aumentada e a realidade virtual, reconhecimento facial e de voz, robôs inteligentes e outras tecnologias estarão na vida das pessoas de uma forma mais natural.
O tema foi debatido no painel “Revolução do 5G: A conectividade no Brasil e as oportunidades para o setor”, conteúdo do evento CIAB Febraban, na manhã desta sexta-feira (25). O debate mediado por João Borges, diretor de Comunicação, Marketing e Eventos da Febraban, teve a presença de Alex Salgado, vice-presidente B2B da Vivo; Antônio Carlos Wagner Chiarello, diretor de Agronegócios Banco do Brasil; José Formoso, CEO da Embratel; Katia Vaskys, gerente-geral da IBM Brasil, e Emmanoel Campelo, vice-presidente da Anatel.
“Muito tem se falado que nós vivemos em um momento de transformação digital, mas gosto de ressaltar que, na verdade, nós vivemos em um momento de profunda transformação dos indivíduos e das relações humanas, tanto pessoais quanto profissionais. Em um momento em que temos indivíduos cada vez mais informados, conectados e inteligentes, eles buscam valores sólidos em todas as gerações e isso vem com o 5G”, destaca Kátia Vaskys, gerente-geral da IBM Brasil.
Uma abertura maior para a inovação
Ainda que essa nova tecnologia traga a promessa de melhoras nas tecnologias já existentes, Kátia ainda destaca que é preciso pensar alguns passos a frente. “Com o 5G, vamos poder explorar soluções que exigem altas taxas de transferência de dados. Na agricultura, por exemplo, teremos tratores conectados para explorar ainda mais o uso de inteligência artificial, ampliando o uso de sensores IoT. No varejo, veremos redes de altíssima velocidade que vão oferecer experiências imersivas com o uso massivo de inteligência artificial”, completa.
Esse raciocínio vai ao encontro do que pensa Antônio Carlos Wagner Chiarello, diretor de Agronegócios Banco do Brasil. Para ele, em um setor em constante crescimento e que abastece o país, o 5G virá para modernizar ainda mais a produção feita no campo. “Temos inúmeras oportunidades no Agronegócio. Parece que não, mas o Agro é pura tecnologia, estamos entrando inclusive para um Agronegócio 4.0, ele sempre esteve muito ligado a isso e o 5G vai revolucionar essa agricultura com mais dados, mais conectividade entre as máquinas”, explica ele.
Assim, nota-se que o uso da tecnologia vai além apenas da comunicação e pode estabelecer inovações em inúmeros mercados brasileiros, bem como ampliar a experiência do cliente.
Detalhes do 5G e usos no Brasil
A aceleração do digital na pandemia também agilizou o processo de adoção do 5G nos países, o que tornou a tecnologia mais propícia para entrada no Brasil. Dessa forma, com uma população mais acostumada à tecnologia e com uma inclusão digital também em andamento frequente, inovações mais tecnológicas ganharão um maior espaço para uso comum.
Na visão de Alex Salgado, vice-presidente B2B da Vivo, a tecnologia do 5G também influenciará no monitoramento da satisfação do cliente do começo ao fim. “O 5G é que vai viabilizar a implementação de casos de uso que hoje não são possíveis. Hoje, nós já temos conexão para monitoração etc., mas com o 5G, vamos ter aplicações de missão crítica, tal como a gestão da qualidade fim a fim. Por exemplo, poderemos ter colheitadeiras totalmente gerenciadas remotamente ou aplicações na área de mineração em que os carros são monitorados e dirigidos de forma autônoma”, explica.
E tendo em vista que a rede poderá ser personalizada para indústrias, a ferramenta também facilitará os processos maiores e que já demandavam uma conectividade mais efetiva. “O 5G possibilitará que se tenha muita densidade para que sejam inseridos em todos os produtos que são fabricados um chip de baixa potência para o gerenciamento de um equipamento, por exemplo. Uma fábrica poderá acompanhar esse equipamento, desde a logística quando sai da produção até seu uso no chão de fábrica”, argumenta José Formoso, CEO da Embratel.
Por fim, Emmanoel Campelo, vice-presidente da Anatel, destaca que essa tecnologia também será responsável pela diminuição da desigualdade social, visto que possibilitará melhor o acesso à internet. “Em função da pandemia, vimos um agravamento substancial do abismo social do país, em parte causado pela disparidade na conectividade da população. Enquanto uma parcela de crianças e jovens teve condições de continuar seus estudos de forma virtual, outra parte não teve a mesma oportunidade. O mesmo ocorre com o mercado de trabalho. O home office foi solução para alguns, enquanto outros compõem o percentual de quase 15% de desempregados no Brasil. O 5G pode ser um importante vetor para colocar estudantes e trabalhadores em maior nível de igualdade.”
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