Durante grande parte da história das organizações, ser líder era sinônimo de exercer poder – e isso bastava para que um chefe fosse respeitado pelos funcionários de uma empresa. Quase um século depois, pode-se dizer que liderar é muito mais do que dar ordens – é muito mais do que ser chefe ou gestor. Nesse cenário, a busca por uma liderança humanizada tornou-se mais frequente, tanto do ponto de vista das empresas quanto dos colaboradores.
Embora ainda haja divergências sobre o que caracteriza uma liderança humanizada, um debate realizado no CONAREC 2025 mostrou que fatores como transparência, comunicação acessível, escuta ativa e empatia são essenciais. Para Lídia Abdalla, presidente do Grupo Sabin, o desafio é equilibrar os objetivos estratégicos da empresa com os sonhos, metas e desejos de cada colaborador.
“A liderança humanizada começa com a proximidade – é preciso ser acessível, ser visto como alguém com quem se pode conversar a qualquer momento”, afirma Ângela Assis, CEO da Brasilprev. Ela menciona, ainda, o quanto é fundamental mostrar-se vulnerável e, literalmente, humano.
A forma como líderes agem no cotidiano também é determinante: a vivência das empresas mostra que uma proposta de valor só tem relevância quando é colocada em prática no dia a dia. “A cultura come a estratégia no café da manhã”, lembra Jörg Friedemann, CEO do MagaluPay. Não à toa, a afirmação – frequentemente atribuída a Peter Drucker – tornou-se amplamente conhecida.

Nesse sentido, ele recorda que, logo no início da pandemia de COVID-19, apesar de ter fechado milhares de unidades, o Magalu firmou o compromisso de não dispensar colaboradores e lançou iniciativas voltadas tanto para quem atuava em loja quanto para pequenos varejistas. Com isso, houve um aumento exponencial nas vendas. “É uma demonstração de como uma liderança humanizada pode fomentar o negócio ao mesmo tempo em que beneficia todos os stakeholders – investidores, inclusive”, afirma.
As iniciativas do Magalu são um exemplo de como uma liderança humanizada deve agir. “CEOs não podem se furtar de temas difíceis”, defende Ângela Assis. Nesse sentido, Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy, destaca que a cultura se propaga também por meio daquilo que não é tolerado.
Ana Fontes, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora e mediadora do painel, complementa essa visão: “A atitude diante dos fatos é o que realmente comunica o que é tolerado e o que não é”.
Mesmo nessas situações, características como empatia e sensibilidade são esperadas. “É importante ser assertivo e firme diante das situações, não com as pessoas – em qualquer cenário, mesmo em casos que levem a um desligamento.”





