“Eu amo a beleza, não é minha culpa.” A frase, dita com a elegância que sempre marcou sua trajetória resume como poucos o espírito de Valentino Garavani. O mundo da moda se despede hoje de um de seus estilistas mais renomados e consagrados, um criador que transformou a beleza em legado e elevou o luxo italiano a um patamar atemporal.
Desde o início da carreira, Valentino ficou conhecido por seus vestidos vermelhos, em um tom escarlate intenso que se tornou sua assinatura. A cor, batizada de “vermelho Valentino”, nasceu da mistura de carmim e escarlate com um leve toque de laranja. Ela foi inspirada na elegância de uma senhora idosa que o jovem estilista viu na Ópera de Barcelona. Introduzido oficialmente na moda em 1959, em um vestido de coquetel sem alças de tule drapeado, o tom atravessou décadas como símbolo absoluto da maison italiana.
Sempre bronzeado, cabelo impecavelmente arrumado e quase sempre chamado apenas de Valentino, ou por “Sr. Valentino”, Garavani construiu, além das roupas, uma imagem de glamour elevado. Cercado por uma comitiva fiel, que incluía pessoas próximas e seus inseparáveis pugs, ele ajudou a definir o estilo italiano por gerações, transformando sofisticação em identidade cultural.
O legado de Valentino
A força estética de suas coleções, aliada à coragem de apostar no corte perfeito e na beleza sem concessões, é um de seus maiores legados.
Ao longo da carreira, Valentino vestiu alguns dos momentos mais emblemáticos do século XX. Foi dele o vestido de renda creme usado por Jacqueline Kennedy em seu casamento com Aristóteles Onassis, em 1968; o terno de gola preta que Farah Diba utilizou ao fugir do Irã, em 1979, após a queda do xá; e o vestido escolhido por Bernadette Chirac na posse de Jacques Chirac como presidente da França, em 1995. Também assinou looks para ícones como Audrey Hepburn, Naomi Campbell e Gisele Bündchen, consolidando sua presença nos tapetes vermelhos e nos eventos mais simbólicos da alta sociedade.
Valentino Garavani
Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino decidiu ainda jovem seguir a carreira de estilista, inspirado pelo impacto visual dos figurinos exuberantes dos filmes de Hollywood. A base técnica, no entanto, foi construída em Paris, onde passou quase uma década se aperfeiçoando antes de retornar à Itália.
Em 1959, abriu sua casa de alta-costura em Roma, na Via Condotti. Pouco depois, conheceu Giancarlo Giammetti, parceiro de negócios e de vida, com quem estruturou a maison Valentino. A estreia oficial aconteceu em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, e foi suficiente para projetar o nome do estilista internacionalmente, atraindo encomendas de clientes do mundo todo.
Apelidado de “o último imperador”, título do documentário lançado em 2008 sobre sua vida, Valentino tornou-se indissociável de casamentos luxuosos, tapetes vermelhos e de um padrão estético que atravessou décadas sem perder relevância. Sua moda não apenas vestiu corpos, mas moldou imaginários, consolidando a ideia de que a beleza, quando levada a sério, pode ser eterna.

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A morte de Valentino Garavani, aos 93 anos, foi anunciada pela fundação que leva seu nome. “Valentino Garavani faleceu hoje em sua residência em Roma, cercado por seus entes queridos”, informou a instituição.
O velório será realizado nesta quarta-feira (21) e quinta-feira (22). O funeral acontece na sexta-feira (23), na Basílica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, também na capital italiana.





