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Inadimplência é reflexo da falta de educação financeira, aponta estudo

Inadimplência é reflexo da falta de educação financeira, aponta estudo

CNDL e SPC Brasil indicam que 35% dos brasileiros inadimplentes não fazem controle de gastos, e 42% consideram seu conhecimento sobre gestão regular.
Inadimplência no Brasil é reflexo da falta de educação financeira, aponta estudo
Inadimplência no Brasil é reflexo da falta de educação financeira, aponta estudo
Foto: Shutterstock.com

Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, a inadimplência no Brasil se destaca como um problema persistente e multifacetado. Recentemente, um estudo mostrou a complexa relação entre a inadimplência e a educação financeira no país. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, esse cenário é reflexo tanto da situação socioeconômica do país quanto da forma como o brasileiro administra suas finanças. Com isso, evidenciou como a falta de conhecimento financeiro contribui para o aumento da dívida e compromete a saúde econômica dos brasileiros.

De acordo com o estudo, a falta de gestão dos próprios gastos faz parte da vida de 35% dos brasileiros inadimplentes. Normalmente, esse controle não acontece por motivos como:

  • Já ter feito o controle e não achar que ajudou (18%);
  • Não ter disciplina para controle dos gastos (15%);
  • Falta de tempo (15%);
  • Acreditar que apenas a conta de cabeça funciona (15%);
  • Não saber fazer (13%).

Ao mesmo tempo, 42% dos inadimplentes consideram seu conhecimento sobre administração do orçamento regular, 40% ótimo ou bom e 17% ruim ou péssimo.

“É preocupante que um percentual tão expressivo da população não utilize um método sistemático para organizar as próprias contas e gastos”, alerta José César da Costa, presidente da CNDL. “Não importa a ferramenta, o importante é que o consumidor não se desorganize financeiramente. Algumas pessoas têm facilidade com planilhas ou aplicativos, mas outras não. O fundamental é sempre registrar tudo o que se ganha e se gasta, e jamais confiar na memória porque ela falha”.

Controle do orçamento

O levantamento mostra ainda que 32% dos entrevistados administram o orçamento usando principalmente um caderno de anotações, enquanto 18% usam uma planilha no computador. Ao mesmo tempo, 20,7% fazem de cabeça. Entre os itens mais controlados são: despesas essenciais tais como mantimentos, luz, água, aluguel, condomínio, mensalidades (87%); rendimentos considerando a soma de todo dinheiro que recebe como salário, mesadas, aluguéis, “bicos”, pensão, aposentadoria (84%); as prestações de compras a serem pagas (78%), e gastos não essenciais como salão de beleza, lazer, saídas a bares e restaurantes, lanches, taxi, roupa, presentes (63%).

Para metade dos entrevistados (50%), a inadimplência foi uma situação única, ocorrida pela primeira vez. Porém, para 44% é uma recorrência, sendo uma segunda ocorrência para 32% e um acontecimento frequente para 12%

O que leva à inadimplência?

O consumo impulsivo e a falta de controle financeiro têm sido temas recorrentes em pesquisas sobre a inadimplência no Brasil. O mesmo estudo da CNDL, com o SPC Brasil e a Offerwise revelou ainda que 53% dos inadimplentes admitem gastar mais do que o orçamento permite. Esse comportamento reflete a complexa relação entre o consumo e as emoções, uma vez que 38% dos ouvidos afirmam que algumas vezes acabam fazendo compras não planejadas para se sentirem melhores e se valorizarem, e 35% admitem que navegar nas redes sociais com frequência os fazem comprar sem pensar se terão condições de pagar. Este panorama evidencia a necessidade de uma abordagem mais consciente e equilibrada em relação ao uso do dinheiro, destacando a importância da educação financeira para evitar a recorrência da inadimplência.

“As emoções são um fator determinante de como o dinheiro é usado. Percebe-se pela pesquisa que a falta de controle financeiro está muitas vezes ligada à situação emocional e crenças sobre o dinheiro do consumidor, sobretudo no que diz respeito ao consumo por impulso”, destaca Costa.

Além disso, os inadimplentes têm consciência dos próprios gastos, uma vez que 35% dos entrevistados dizem que compram demais e 29% concordam que gastam mais do que podem acumulando dívidas para acompanhar o padrão de vida dos amigos.

Convívio social

O estudo mostra ainda que o convívio social também impacta o consumo e as dívidas: 47% concordam que se sentem pressionados a gastar mais quando estão com a família e amigos e 41% frequentemente gastam mais do que podem nas compras para satisfazer as vontades do cônjuge, namorado(a) e/ou filhos. Porém, ao mesmo tempo, 42% alegam que sua reputação é afetada pela dívida em atraso, e 36% afirmam que como gastam o dinheiro é motivo frequente de brigas familiares.

Ao mesmo tempo, 87% dos inadimplentes concordam que ter o nome limpo é muito importante para uma pessoa, enquanto 68% se arrependem do descontrole financeiro. Ao mesmo tempo, 64% dos endividados afirmam fazer um planejamento financeiro mensal e saber os limites dos gastos do seu orçamento. 60% dizem que vivem dentro do seu padrão de renda e não compram além do que conseguem pagar e 55% costumam guardar dinheiro pensando no futuro.

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