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Por que o iMessage da Apple está no centro de uma discussão sobre segregação social?

Por que o iMessage da Apple está no centro de uma discussão sobre segregação social?

Uma reportagem do Wall Street Journal aponta para um aumento no número de relatos de segregação social a partir do iMessage
Legenda da foto

O iPhone se tornou um dos fenômenos de consumo do mundo atual pelos mais variados motivos. Tem gente que ressalta a inconfundível beleza e o designer do aparelho. Há quem prefira destacar as vantagens técnicas, caso da segurança, privacidade e até o funcionamento do próprio gadget, conhecido por raramente travar durante o uso. Existe ainda um motivo puramente comportamental: o status social.

No Brasil, muita gente topa qualquer negócio para ter um iPhone – e isso até já rendeu alguns bons pares de memes. Há, por exemplo, pessoas que compram aparelhos seminovos com preços atraentes, mas com um histórico de conservação ou danos desconhecidos para o consumidor. A prática não é ilegal.

Existem ainda pessoas que topam comprar um smartphone novo em folha por meio de linhas de financiamentos exclusivas para a compra do gadget e que podem chegar a 24 parcelas. Existe até startup alugando o iPhone ao custo de R$ 200 por mês.

Por outro lado, há clientes que optam pela ilegalidade. Um dos mercados ilegais de comércio de iPhone está relacionado ao descaminho, um tipo de contravenção em que o importador não recolhe os impostos devidos. E isso sem falar em outras ilegalidades, tais como a compra de celulares roubados ou furtados.

No entanto, esse desejo de ascensão social, mesmo pela via ilegal, tem um custo elevado e nem sempre cabe em todos os bolsos. E esse é o ponto de partida de outro problema que tem desafiado países como os EUA: a exclusão social dos sem iPhone.

iMessage: verde ou azul?

Uma recente reportagem do Wall Street Journal mostrou que o iMessage, mensageiro criado pela Apple, está se tornando um símbolo de status social capaz de excluir de diversas maneiras os usuários do Android.

Em linhas gerais, o serviço de mensagens da Apple, que funciona como um SMS, possui serviços e diferenciais exclusivos para quem possui o iPhone. Uma exemplo é o Memoji ou emojis da empresa da maçã.

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No entanto, segundo a reportagem, o ponto central do  problema está na diferenciação de cores entre donos de IOS e Android no iMessage. Em suma, pessoas que possuem aparelhos com IOS são identificados na cor azul – padrão da Apple – e os demais, e principalmente o Android, são exibidos na cor verde.

Se você tem um iPhone e quiser verificar essa diferença nas cores, basta acessar o iMessage, abrir o ícone quadrado no canto superior direito e digitar o nome de um contato. Imediatamente vai aparecer o nome da pessoa identificada por uma cor.

Pressão social para comprar o aparelho

E qual o problema com a identificação nas cores verde e azul?

Para entender é preciso entender o impacto do iPhone no mercado americano. Diferentemente do que acontece no Brasil, a imensa maioria dos jovens americanos possuem um iPhone. Segundo uma pesquisa publicada pela Piper Sandler, 87% dos adolescentes americanos entrevistados em 2021 possuem um aparelho da Apple. Os demais 13% seriam de usuários do Android.

Ou seja, o impacto cultural do iPhone é fortíssimo nos EUA. Lá, muitos jovens possuem grupos no iMessage, tornando-o algo como uma rede social da Apple. Considerando o histórico da humanidade, não é difícil imaginar o que a maioria de Apple fizeram com as minorias de Android.

De acordo com a reportagem, o uso de cores se transformou em um símbolo de status entre os adolescentes dos EUA, criando pressão para que os jovens comprem iPhones e, às vezes, levando ao ostracismo dos usuários do Android. Aparecer em um bate-papo em grupo como uma bolha verde se tornou, para alguns, uma gafe social.

Um dos depoimentos é o da estudante Adele Lowitz, que afirma ter notado diferença de tratamento pela primeira vez quando um membro de um grupo de mensagens questionou “quem estava com o balão verde”.

Segundo ela, a Apple havia criado uma rede social com seus recursos, e que ela havia sentido uma certa pressão para voltar para o ecossistema da Apple — uma vez que alguns recursos, principalmente chats de grupo, não funcionam tão bem quando há integrantes que utilizam dispositivos Android.

“Em meu círculo na faculdade, e no ensino médio indo para a faculdade, a maioria das pessoas tem iPhones e utiliza muitos desses tipos de recursos específicos do iPhone. Não sei se é propaganda da Apple ou apenas uma coisa tribal dentro do grupo versus fora do grupo, mas as pessoas não parecem gostar muito de bolhas de texto verdes e parecem ter essa reação negativa visceral a elas”, afirma a jovem.

Em defesa do bullying?

Logo após a publicação da reportagem, um porta-voz Google, empresa dona do Android, acusou a Apple de se beneficiar do que ele classificou como “bullying” e que tal prática seria uma estratégia deliberada para transformar os usuários do Android em cidadãos de segunda classe no serviço iMessage do fabricante do iPhone.

“O iMessage não deve se beneficiar do bullying. As mensagens de texto devem nos unir, e a solução existe. Vamos consertar isso como uma indústria ”, tuitou o chefe de Android do Google, Hiroshi Lockheimer.

Em outra postagem, o mesmo executivo foi ainda mais contundente. “O lock-in do iMessage da Apple é uma estratégia documentada. Usar a pressão dos colegas e o bullying como forma de vender produtos é falso para uma empresa que tem humanidade e patrimônio líquido como parte central de seu marketing. Os padrões existem hoje para corrigir isso. ”

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