A Inteligência Artificial (IA) abriu um campo fértil para inovação, aumento da produtividade e tomadas de decisões. Contudo, o potencial disruptivo da IA também traz preocupações. Profissionais de vários setores começam a questionar se suas funções poderão ser substituídas por máquinas cada vez mais inteligentes. Uma pesquisa recente da MIT Sloan Management Review Brasil e do Instituto Locomotiva, envolvendo gestores de pequenas e grandes empresas, oferece um panorama sobre o uso da IA no ambiente corporativo brasileiro, incluindo benefícios e desafios.
Segundo o estudo, 10% das empresas consultadas já substituíram parte de seus colaboradores por IA, o que pode indicar um movimento de automação que pode parecer ameaçador para alguns trabalhadores. Contudo, para 74% dos executivos entrevistados, a IA é vista principalmente como uma ferramenta complementar, que facilita e aprimora o trabalho humano ao invés de substituí-lo. Quase 100% dos gestores reconhecem a importância da IA para elevar a qualidade dos produtos e serviços, enquanto 43% afirmam que suas empresas estão desenvolvendo ou adaptando ferramentas de IA internamente.
Uso de IA nas empresas
Um dado relevante da pesquisa é que 83% das empresas utilizam Inteligência Artificial através de contas gratuitas e, geralmente, de forma pontual, com as áreas de TI, Inovação e Marketing liderando o uso dessas tecnologias. Aproximadamente 40% das empresas aplicam IA apenas em tarefas específicas, o que aponta para um uso ainda experimental e de baixa integração em processos mais estratégicos.
Para mais de 35% dos líderes empresariais, a IA está no topo das prioridades estratégicas de implementação para os próximos anos. Seis em cada dez gestores já utilizam a IA com frequência em suas rotinas, e metade dos entrevistados relata alguma preocupação entre os funcionários quanto à possibilidade de demissões devido à adoção crescente dessa tecnologia.
Douglas Souza, CEO do MIT SMR Brasil comenta que “apesar de avanços no uso de IA, vemos um impacto ainda incipiente ou inconclusivo. Somente um terço das empresas conta com métricas para avaliar a IA, refletindo a maturidade inicial do uso dessa tecnologia no contexto empresarial brasileiro”.
Desafios e oportunidades
A pesquisa mostra ainda que a troca de informações sobre IA entre colaboradores ocorre de maneira pouco estruturada e, para muitas empresas, o tema é abordado por meio de comunicados emitidos pela liderança. No entanto, apenas uma minoria investe em treinamentos estruturados para capacitar seus colaboradores no uso da IA. Além disso, apenas 4 em cada 10 empresas possuem estratégias de IA parcialmente ou totalmente implementadas.
O estudo identificou que as áreas de TI, inovação e marketing são as que mais se beneficiam da aplicação de IA nas empresas atualmente. Em termos práticos:
- 83% das empresas utilizam IA para fins individuais e experimentais;
- 70% fazem experimentos com a tecnologia;
- 60% utilizam chatbots baseados em IA para melhorar o atendimento ao cliente;
- 52% das empresas já redefiniram algumas tarefas;
- 51% redesenharam produtos e processos impulsionados pelo uso da IA.
A pesquisa que ouviu 75 gestores no Brasil, mostra que a percepção geral dos gestores é de que a IA traz mais benefícios do que prejuízos, tanto para lideranças quanto para funcionários. O desafio está em equilibrar a inovação tecnológica com o bem-estar dos colaboradores, promovendo capacitações e aproveitando o potencial da IA como um complemento eficaz ao trabalho humano.
“Os resultados mostram que a IA é vista como uma grande aliada para inovação e produtividade nas empresas brasileiras. A maioria dos gestores enxerga a IA como um suporte, não como substituto, reforçando seu potencial estratégico para o futuro dos negócios”, conclui Douglas.






