/
/
IA na cultura é incipiente, mas digitalização avança, revela pesquisa nacional

IA na cultura é incipiente, mas digitalização avança, revela pesquisa nacional

Estudo inédito identificou que o acesso à Internet está perto da universalização no setor cultural, mas adoção e aplicações baseadas em IA ainda é tímida.
Estudo inédito identificou que o acesso à Internet está perto da universalização no setor cultural, mas adoção e aplicações baseadas em IA ainda é tímida.
Foto: Shutterstock.
A pesquisa TIC Cultura 2024, do CGI.br e Cetic.br, revela que o uso de IA no setor cultural brasileiro ainda é baixo, com adoção acima de 10% apenas em arquivos e cinemas. Apesar disso, há avanço na digitalização, com conectividade quase universal e mais dispositivos e Wi-Fi disponíveis ao público. O estudo aponta que a formação de profissionais ainda é um desafio para ampliar o uso estratégico das tecnologias digitais.

Pela primeira vez, uma pesquisa se debruça sobre a aplicação de Inteligência Artificial (IA) no setor cultural brasileiro. A TIC Cultura tem como objetivo compreender a presença e a adoção das tecnologias de informação e comunicação nos equipamentos culturais brasileiros, tanto em sua rotina interna de funcionamento quanto na relação com os seus públicos.

Em sua última edição (2024), lançada essa semana pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a investigação conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), atesta que o uso de IA em equipamentos culturais brasileiros ainda é incipiente.

O levantamento, que tem abrangência nacional, entrevistou gestores de sete tipos de equipamentos culturais: arquivos, bens tombados, bibliotecas, cinemas, museus, pontos de cultura e teatros. Os percentuais de adoção de IA acima de 10% está somente em arquivos (20%) e cinemas (16%). Nos demais equipamentos, as proporções foram de 9% em pontos de cultura, 4% em bens tombados, museus e teatros, e 2% em bibliotecas.

Digitalização do setor cultural

Em contrapartida, o estudo revela um cenário de avanço na digitalização do setor, com o acesso à Internet praticamente universalizado entre os equipamentos investigados e o fortalecimento da infraestrutura tecnológica das organizações.

“O estudo mostra que uma adoção mais estratégica de aplicações baseadas em IA ainda é restrita no setor. Por outro lado, os dados demonstram uma maturidade crescente dos equipamentos culturais brasileiros na incorporação das tecnologias digitais, apoiada pela universalização da conectividade e pelo maior uso de dispositivos próprios”, comenta Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Os indicadores evidenciam que o acesso à Internet é quase total entre os equipamentos investigados, como arquivos e cinemas (100%) e pontos de cultura (96%). O documento aponta ainda um crescimento relevante da conexão à rede entre os bens tombados, que saltou de 74% em 2022 para 92% em 2024. No entanto, ainda persistem menores proporções de acesso à Internet entre museus (87%) e bibliotecas (83%).

Dispositivos e Wi-Fi

O fortalecimento da infraestrutura digital identificado se reflete também no aumento da presença de dispositivos de propriedade dos equipamentos, como tablets em arquivos (que passou de 14% em 2022 para 32% em 2024) e teatros (de 17% para 27%), notebooks em bens tombados (de 36% para 65%) e celulares em pontos de cultura (de 28% para 39%).

A proporção de equipamentos que oferecem acesso gratuito via Wi-Fi ao público também aumentou na comparação com os indicadores da última edição, realizada em 2022, com destaque para as bibliotecas (de 54% para 65%), pontos de cultura (de 53% para 64%) e museus (de 40% para 51%). Já a oferta de computadores para o público se manteve estável, sendo mais presente em arquivos (55%) e bibliotecas (41%).

Para Alexandre Barbosa, os equipamentos culturais brasileiros têm percebido que a conectividade e as tecnologias digitais se tornaram essenciais para suas atividades. “O uso da Internet já é praticamente universal nesses equipamentos, com exceção de bibliotecas e museus, cuja presença ainda tem espaço para crescer. A pesquisa também revela um papel central desses equipamentos para a inclusão digital, dada capilaridade de sua atuação em todo o território nacional”, completa o gerente do Cetic.br.

Presença online

A presença em plataformas e redes sociais online como Instagram, TikTok ou Flickr cresceu no período, alcançando 87% entre os pontos de cultura (ante 73% em 2022) e 78% dos bens tombados (ante 50% em 2022). O uso de aplicativos de mensagens como WhatsApp ou Telegram também aumentou entre pontos de cultura (de 62% para 72%) e museus (de 24% para 37%), teatros (de 24% para 35%) e bibliotecas (de 12% para 25%).

Já a presença de ferramentas de transmissão de vídeos ao vivo/streaming no website recuou entre teatros e cinemas, retornando a patamares observados antes da crise sanitária de Covid-19. No caso dos teatros, o percentual foi de 25% em 2022 para 16% em 2024; nos cinemas, passou de 20% para 12% no mesmo período.

Formação de profissionais

Os resultados de 2024 indicam que os equipamentos culturais priorizam a oferta de treinamentos internos relacionados a tecnologias digitais e privacidade em comparação com cursos externos pagos. Os arquivos são os que mais investem em formação interna, tanto para tecnologias digitais (50%) quanto para privacidade e proteção de dados (51%).

Já a oferta de cursos externos é mais limitada: somente 24% dos arquivos pagaram por qualificação sobre tecnologias digitais para suas equipes, e 23%, para privacidade. Por outro lado, apenas 6% dos museus ofereceram cursos externos sobre tecnologias digitais e 7%, sobre privacidade e proteção de dados, e as bibliotecas, com números ainda menores, de 4% e 5%, respectivamente.

“A quinta edição da TIC Cultura evidencia um setor cultural com uma infraestrutura tecnológica mais robusta, marcada pelo maior uso de dispositivos próprios e presença na Internet, um legado importante do esforço de adaptação à pandemia e que pode estar associado ao contexto da ampliação de políticas de fomento no período. Ao mesmo tempo, os dados sobre formação mostram que a capacitação de equipes é um gargalo importante para que a tecnologia seja, de fato, uma aliada”, enfatiza Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Vale mencionar a TIC Cultura conta com o apoio institucional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e de um grupo de especialistas vinculados ao governo, a organizações da sociedade civil e a universidades.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

O que a vitória de Senna em 1991 ensina sobre automação no CX
Às vésperas do GP de São Paulo e do novo Decreto do SAC, a vitória de Senna com um câmbio quebrado ajuda a entender por que a automação no atendimento ainda precisa de alguém no comando
IA reduz burocracia em sinistros, mas desafio continua na jornada do segurado
Agente conversacional da Porto Seguro automatiza 70% dos avisos de roubo e furto de veículos. Rodrigo Herzog, diretor de Sinistro Auto da empresa, detalha como garantir que a tecnologia traga resolutividade real, e não apenas redução de custos
Chatbot limitado e cadastro que trava: o que ainda afasta o cliente do banco digital
Com 78% das transações já no celular, o brasileiro vive no app do banco. Mas pesquisas nos EUA e no Brasil mostram que a relação ainda emperra no começo e indicam onde a disputa por clientes deve se concentrar em 2027
iFood, Smart Fit, Vivara...conheça as novas marcas mais valiosas do Brasil
São seis novatas no ranking Kantar BrandZ 2026, que juntas, somam US$ 4,7 bilhões em valor de marca. A lista das estreantes evidencia dois pontos indiscutíveis para as marcas em 2027: conveniência e diferenciação

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Idosos estão ficando para trás no digital? Veja o que revela a Anatel Lula reeleito: o que muda no bolso do brasileiro até 2030? Keds volta ao Brasil após 22 anos e aposta na nostalgia para crescer Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming