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Geração Z encara a inflação melhor do que Millennials e Baby Boomers

Geração Z encara a inflação melhor do que Millennials e Baby Boomers

A forma como a inflação afeta o indivíduo depende de vários fatores, entenda por que a Geração Z pode ser a mais bem preparada para enfrentar desafios financeiros

Os membros da Geração Z estão enfrentando uma inflação recorde pela primeira vez, juntamente com um mercado de trabalho que passar por um momento delicado. A inflação está afetando pessoas em todo o mundo, mas algumas estão sentindo mais intensamente do que outras.

Na opinião do coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed Sameer El Khatib, para esta geração, pode parecer que a disrupção é o novo normal e a inflação neste patamar é algo que faz parte de sua rotina.

“A Geração Z está vivenciando pela primeira vez um aumento generalizado dos preços que não vem acompanhado de aumentos dos salários ou de sua renda”

Geração Z é a primeira geração a ter crescido em uma economia globalizada

Mas esse cenário também tem despertado preocupações constantes da geração Z, pois eles estão vivenciando pela primeira vez um aumento generalizado dos preços que não vem acompanhado de aumentos dos salários ou de renda.

Segundo Ahmed Sameer El Khatib, a Geração Z é a primeira geração a ter crescido em uma economia globalizada e digitalizada, e muitos destes indivíduos têm uma compreensão mais abrangente da inflação e suas implicações.

O especialista também aponta um fator que pode contribuir para a preparação financeira da geração Z: o aumento da incerteza econômica e a instabilidade global. “Essa percepção pode ter levado muitos membros dessa geração a buscar soluções mais seguras e estáveis para seus recursos financeiros”, comenta El Khatib.

“A geração Z tende a ser mais consciente do impacto ambiental e social de suas escolhas financeiras, e pode estar buscando opções mais responsáveis e sustentáveis para investir e gastar seu dinheiro. Além disso, passaram pela pandemia de COVID-19, recessão econômica e alta da inflação, preocupações que afetam seu comportamento, inclusive de consumo”, avalia El Khatib.

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Complexidade que requer cuidados

Por outro lado, segundo El Khatib, é importante lembrar que as gerações são grupos complexos e as tendências de gasto podem variar amplamente entre indivíduos.

O especialista lembra que alguns membros da geração Z no Brasil podem ter acesso a recursos financeiros mais estáveis e ainda assim escolher gastar dinheiro em coisas como viagens, entretenimento e tecnologia. Outros, porém, podem precisar ser mais cuidadosos com suas despesas devido a questões financeiras mais precárias.

Outro ponto, segundo El Khatib, é que a geração Z é conhecida por ser mais consciente do impacto financeiro de suas escolhas de gastos, e alguns membros dessa geração podem estar procurando opções mais acessíveis ou financeiramente responsáveis (relacionados à sustentabilidade empresarial e ambiental, por exemplo).

As gerações e a percepção da inflação

Em geral, é importante lembrar que as percepções da inflação variam entre indivíduos, e que não há uma percepção única da inflação para todos os membros de uma geração em particular. A forma como a inflação afeta o indivíduo depende de fatores como estilo de vida, hábitos de consumo e situação financeira entre outros.

Por exemplo, pesquisas de organizações internacionais, como o Banco Mundial, mostram que uma taxa de inflação alta geralmente afeta mais as famílias com renda mais baixa, embora possa beneficiar os proprietários de ativos que são indexados pela inflação.

O mesmo vale para diferentes faixas etárias. Embora existam indivíduos que sofrem muito com altas taxas de inflação em todas as idades, os jovens, em geral, podem ser mais flexíveis do que os adultos mais velhos, o que lhes permite absorver melhor os golpes da adversidade econômica.

“A maioria das pessoas na faixa dos 30 e 40 anos não consegue cortar despesas como fazem os mais jovens da Geração Z. Por exemplo, aqueles com famílias não podem se mudar facilmente para um apartamento mais barato ou se mudar para outro lugar para encontrar empregos com melhores salários. Além disso, os jovens geralmente moram em casas menores e consomem menos energia em comparação com as pessoas de meia-idade”, comenta El Khatib.

“A grande maioria da Geração Z não está preocupada em ter um carro, por exemplo, então os preços mais altos da gasolina têm um impacto direto menor sobre eles. Eles, portanto, gastam uma parcela menor de sua renda em combustíveis, fator muito relevante na composição da inflação”, avalia El Khatib.

Abaixo, o especialista, Ahmed Sameer El Khatib, destaca as percepções da inflação entre as gerações Baby Boomers, Millennials e Geração Z, e como elas podem variar de acordo com suas experiências financeiras e históricas:

Baby Boomers (nascidos entre depois da Segunda Guerra Mundial, entre 1945 e 1964 na Europa, Estados Unidos, Canadá ou Austrália, países que experimentaram um súbito aumento de natalidade, que ficou conhecido como baby boom): essa geração presenciou períodos de alta inflação nos anos 70 e 80, e muitos destes indivíduos viveram momentos em que o poder de compra da moeda diminuiu rapidamente. Portanto, muitos Baby Boomers têm uma percepção negativa da inflação e valorizam a estabilidade financeira.

Millennials (também conhecidos como geração Y, geração do milênio ou geração da internet, são os nascidos após o início da década de 1980 até o final do século 20): essa geração têm uma visão um pouco diferente da inflação. Muitos Millennials enfrentaram dificuldades financeiras devido aos altos níveis de endividamento e à crise financeira de 2008, e, por isso, muitos têm uma percepção mais negativa da inflação e se preocupam com sua capacidade de poupar e investir para o futuro.

Geração Z (nascidos na primeira década do século XXI, imersos na tecnologia digital e à popularização da internet, e com novos hábitos em relação às gerações anteriores): essas pessoas têm visto uma série de eventos econômicos impactantes, incluindo a Grande Recessão de 2008, que provavelmente contribuiu para sua preocupação com a recessão e a preparação financeira. Além disso, a geração Z cresceu em uma época em que a tecnologia e as mídias sociais tornaram a informação mais acessível, o que pode ter ampliado sua conscientização sobre questões financeiras e econômicas.

Como são os gastos da Geração Z

Embora muitos na Geração Z estejam ganhando seus primeiros salários, entrando na faculdade ou apenas ingressando no mercado de trabalho, estudos mostram que a geração Z faz compras e gasta dinheiro de maneira muito diferente de seu predecessor (Millenials).

A Geração Z tem uma variedade de gastos diferentes. No entanto, alguns dos principais gastos incluem:

Tecnologia: a geração Z é conhecida por ser altamente tecnológica e tende a gastar uma grande quantidade de dinheiro em dispositivos eletrônicos, como smartphones, laptops e tablets.

Viagens: a geração Z aprecia a vida ao ar livre e tende a gastar dinheiro em viagens e aventuras.

Alimentação: a geração Z é conhecida por ser consciente sobre a saúde e tende a gastar dinheiro em alimentos saudáveis e orgânicos.

Moda e estilo de vida: a geração Z tem uma forte crença em se expressar através da moda e tende a gastar dinheiro em roupas e acessórios de moda.

Experiências: a geração Z valoriza experiências únicas e tende a gastar dinheiro em atividades, como concertos, festivais e atividades culturais.

“Em resumo, a geração Z está se preparando mais para a recessão porque cresceu em uma época de incerteza econômica, tem acesso a mais informações sobre questões financeiras e está buscando opções mais seguras, responsáveis e sustentáveis para seus recursos financeiros”, finaliza Ahmed Sameer El Khatib, especialista em Ciências Contábeis, professor e coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

Como a Geração Z encara a inflação, segundo o ChatGPT

Conectados com o que há de mais novo em tecnologia, a Geração Z e a sua relação com a inflação também foi alvo de análise da inteligência artificial ChatGPT. Fizemos a seguinte pergunta ao sistema da OpenAI: Como a Geração Z encara a inflação?

“Como modelo de linguagem, não tenho experiências ou opiniões pessoais, mas posso fornecer algumas informações gerais”, iniciou o ChatGPT, que em resumo expôs uma resposta limitada, porém, convincente.

A IA diz que o aumento dos preços de moradia, alimentação e outras necessidades básicas pode dificultar o sustento dos jovens que estão começando suas carreiras. E que uma maneira pela qual a Geração Z pode ser particularmente afetada pela inflação é por meio do aumento dos custos da educação. “Muitos nesta geração estão cursando ou em breve cursarão o ensino superior, o que pode ser bastante caro. A inflação pode tornar isso ainda mais difícil para pagarem uma faculdade ou pós-graduação, principalmente se tiverem que fazer empréstimos”, diz o ChatGPT.

Para lidar com a inflação, segundo a inteligência artificial do momento, a Geração Z  precisa estar atenta aos seus hábitos de consumo e ao orçamento para garantir que seja capaz de cobrir suas necessidades básicas. E que ainda podem precisar considerar “soluções criativas”, como morar com colegas de quarto para reduzir os custos de moradia ou buscar bolsas de estudos e subsídios para ajudar a cobrir os custos da educação.

Nota-se que o fio condutor da resposta do ChatGPT é a educação. Ela não está errada. No entanto, a inteligência artificial não aborda a complexidade da GEN Z e seus desdobramentos como vimos na análise do especialista da FECAP – além de carecer de uma edição de texto. Mas foi honesta lá no início da sua resposta, então, vale pela curiosidade.


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