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O futuro dos pagamentos está nas redes sociais?

O futuro dos pagamentos está nas redes sociais?

Essas plataformas têm grande adesão do público e concentram um enorme volume de dados em seu poder, o que levanta muitas possibilidades
Legenda da foto

Seja honesto, você conhece alguém abaixo dos 50 anos que não esteja presente em alguma rede social? Essas plataformas já fazem parte do dia a dia das pessoas por todo o mundo e estão inseridas nos mais diversos momentos. Para se ter uma ideia, o Facebook fechou 2015 com 1,59 bilhão de usuários. No Brasil, são mais de 102 milhões de pessoas ativas mensalmente, segundo a rede. Ao mesmo tempo, o Google é o site mais acessado do mundo, de acordo com a Alexa Internet, e o LinkedIn ultrapassou a marca de 400 milhões de usuários globalmente.

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Se somarmos as pessoas presentes nessas plataformas com a quantidade de dados que elas possuem sobre nós teremos certeza de que essas ferramentas nos conhecem. Sabem nossa rotina, do que gostamos, onde trabalhamos e moramos. Dentro deste cenário e, partindo do princípio que toda plataforma que tenha consumidores tem potencial para se tornar um meio de pagamento, imagine o que qualquer uma destas redes poderia fazer se decidisse se posicionar como tal. Um exemplo simples seria disponibilizarmos nossos dados bancários ou entregarmos nossas carteiras digitais para essas empresas. Desse modo, elas poderiam oferecer a “compra com um clique” dentro da própria rede, seguindo nossos gostos e tornando-se um grande marketplace.

Dia após dia surgem novas empresas no mercado de meios de pagamento digitais. São e-wallets, serviços de pagamento online, bancos sem agência, soluções que aceitam moedas digitais – tudo integrado ao mundo móvel e cada vez mais customizável. A IDC, por exemplo, prevê que este ano 30% das transações financeiras realizadas no País acontecerão através de dispositivos móveis. Nesse contexto, tornar as redes sociais grandes meios de pagamento é totalmente possível, mas será necessária uma grande mudança de posicionamento. No modelo atual, as redes ganham com os dados que possuem – e qualquer aplicativo consegue acessar informações do Facebook, por exemplo. Ao entrar no mercado de pagamentos, as políticas de segurança e confiabilidade teriam que ser repensadas.

Essas mudanças também poderão acelerar uma grande transformação no setor bancário. Se as redes sociais se tornarem carteiras digitais, por exemplo, isso pode incentivar ainda mais o processo de desbancarização já iniciado pelas Fintechs, uma vez que elas serão capazes de nos oferecer uma série de serviços semelhantes aos das instituições financeiras – no entanto, de forma muito mais personalizada e focada nos nossos gostos e hábitos de consumo.

Para os bancos, o segredo é investir na fidelização de seus clientes, na usabilidade de seus serviços on e offline e na experiência do consumidor. Uma boa maneira é personalizar taxas de empréstimo de acordo com a renda e os riscos de cada pessoa, ao invés de trabalhar com juros iguais para todos. Tratar cada cliente de forma específica individualiza o atendimento e ajuda a valorizar os serviços oferecidos.

Fato é que ainda deve demorar algum tempo para o mercado chegar a este ponto. Primeiro é preciso passar por outras etapas de tecnologia que estão mais avançadas – como a adoção em massa das carteiras digitais, citadas anteriormente, e o avanço da internet das coisas, por exemplo. Quem sabe quando essas ferramentas estiverem estabelecidas e a confiança das pessoas em plataformas virtuais estiver bem consolidada, as redes iniciarão, de uma vez por todas, essa nova fase dos meios de pagamento.

*Celso Sato é CEO da Accesstage

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