/
/
Fraude digital avança: Brasil lidera ranking negativo na América Latina

Fraude digital avança: Brasil lidera ranking negativo na América Latina

A cada nova compra online ou cadastro em aplicativos, a chance de sermos alvos de uma fraude digital só aumenta.
A cada nova compra online ou cadastro em aplicativos, a chance de sermos alvos de uma fraude digital só aumenta.
Foto: Shutterstock.
O Brasil registrou 3,8% de interações digitais suspeitas de fraude no 1º semestre de 2025, acima da média latino-americana, mostrando forte exposição do consumidor. As fraudes vão de roubo de identidade a golpes em compras e apps, gerando insegurança e altos prejuízos. O cenário evidencia que segurança de dados virou prioridade e que o País precisa avançar em proteção digital para evitar agravamento em 2026.

A cada nova compra online, cadastro em aplicativo, solicitação de crédito ou simples clique em um link, cresce a chance de o consumidor brasileiro ser alvo de um golpe digital. O alerta vem do mais recente Relatório de Tendências de Fraudes Digitais da TransUnion, que coloca o Brasil entre os países que mais sofrem com tentativas de fraude na América Latina.

Segundo o levantamento, 3,8% das interações digitais realizadas no País no primeiro semestre de 2025 apresentaram indícios de fraude – índice superior à média latino-americana, que ficou em 2,8%. Na região, apenas a República Dominicana (8,6%) e a Nicarágua (2,9%) registraram taxas maiores.

Os números confirmam um cenário que especialistas e órgãos de proteção ao consumidor vêm alertando há anos: as fraudes digitais no Brasil não são apenas um problema de segurança cibernética, mas um fenômeno social que afeta diretamente a economia, a confiança nas relações de consumo e a vida cotidiana das pessoas.

.

O impacto direto no consumidor

Na prática, estar entre os países mais afetados significa que brasileiros estão mais expostos a:

  • Roubo de identidade e uso indevido de dados pessoais;
  • Abertura de contas fraudulentas;
  • Golpes financeiros em compras online e serviços digitais;
  • Enganos em aplicativos de entrega, mobilidade e bancos digitais;
  • Falsas ofertas e links maliciosos que circulam em redes sociais.

Para o consumidor, isso representa não apenas risco econômico, mas um estado permanente de desconfiança, que corrói a relação com empresas e instituições. Em muitos casos, vítimas enfrentam meses de burocracia para cancelar dívidas impostas por golpistas ou reaver valores perdidos – quando conseguem.

A consequência é devastadora: a internet deixa de ser um espaço de autonomia e conveniência e passa a ser um território de insegurança constante.

Fraudes na mente do consumidor

Nesse ambiente digital marcado por fraudes crescentes, o consumidor brasileiro tem sido cada vez mais criterioso na hora de escolher com quais empresas pretende se relacionar on-line. E os dados da TransUnion mostram que segurança dos dados pessoais é, disparado, o fator que mais influencia essa decisão.

Segundo a pesquisa, 48% dos consumidores elegem a segurança da informação como principal qualidade esperada nas empresas on-line, superando fatores tradicionalmente valorizados, como:

  • Qualidade de produtos e serviços (22%);
  • Economia de custos (15%);
  • Boa experiência digital (9%);
  • Tempo de entrega (7%).

Analogamente, a escolha revela uma mudança significativa de comportamento. Se antes preço e conveniência pautavam o comércio eletrônico, agora a confiança passou a ser o elemento central da jornada digital.

Fraude digital é problema social

O avanço das fraudes também provoca efeitos sistêmicos:

  • Custos maiores para o setor privado, que repassa despesas de segurança ao consumidor.
  • Aumento dos preços de serviços financeiros e seguros.
  • Judicialização crescente – já há milhares de processos relacionados a golpes digitais.
  • Perda de confiança nas compras online, prejudicando o crescimento do e-commerce.
  • Impacto na economia, que passa a conviver com riscos mais altos para concessão de crédito.

Quando o Brasil aparece no topo de um ranking negativo como este, não é apenas o consumidor individual que perde, a sociedade como um todo vê sua estrutura digital fragilizada.

Por que o Brasil é tão visado?

Embora o relatório da TransUnion não explique as causas da liderança brasileira, especialistas em segurança digital e defesa do consumidor apontam três elementos centrais:

1. Forte digitalização sem proteção equivalente

O País se digitalizou rapidamente, mas sem a mesma velocidade em educação digital, mecanismos de verificação e cultura de prevenção.

2. Alto volume de dados vazados

O Brasil acumula sucessivos megavazamentos de dados pessoais, que alimentam redes criminosas e ampliam a capacidade de engenharia social dos fraudadores.

3. Lacunas na proteção ao consumidor no ambiente digital

Embora o Código de Defesa do Consumidor seja avançado, muitos casos de fraude ocorrem fora da esfera de consumo tradicional, em zonas cinzentas que dificultam responsabilização.

O consumidor no centro do problema – e da solução

Colocar o consumidor em primeiro plano significa reconhecer que o enfrentamento das fraudes digitais exige:

  • Mais transparência das empresas sobre incidentes e riscos;
  • Canais de atendimento ágeis para vítimas;
  • Educação para o consumo digital seguro;
  • Ações coordenadas entre Procons, Senacon, Ministério da Justiça, Banco Central e setor privado;
  • Campanhas de informação massiva, inclusive para públicos vulneráveis.

Enquanto isso não acontece, o consumidor brasileiro segue pagando a conta – com dinheiro, com tempo e com a própria tranquilidade.

Um desafio que moldará 2026

Em suma, os dados do relatório indicam que a fraude digital se tornou um dos maiores desafios da sociedade brasileira contemporânea. Nesse ínterim, 2026 será um ano decisivo. Ou o Brasil avança em proteção e responsabilidade digital, ou continuará figurando nas primeiras posições dos rankings negativos da região.

Com efeito, o que está em jogo não é apenas tecnologia. É confiança pública, segurança das relações de consumo e a capacidade do País de oferecer um ambiente digital saudável, competitivo e justo.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Senacon e Procons alertam que o PL 2.766/2021 pode reduzir multas, limitar fiscalizações e enfraquecer a proteção ao consumidor brasileiro.
Projeto em votação na Câmara enfraquece Procons e beneficia empresas infratoras
Senacon e Procons alertam que o PL 2.766/2021 pode reduzir multas, limitar fiscalizações e enfraquecer a proteção ao consumidor brasileiro.
Entenda o que é taxa de rolha, quando bares e restaurantes podem cobrar, quais são os direitos do consumidor e como evitar cobrança surpresa na conta.
Taxa de rolha: o que o caso Ed Motta revela sobre um direito que quase ninguém entende
Entenda o que é taxa de rolha, quando bares e restaurantes podem cobrar, quais são os direitos do consumidor e como evitar cobrança surpresa na conta.
Especialistas reunidos pela ANELA, na Faculdade Belavista, discutem como o Tema 1.396 do STJ pode impactar consumidores e empresas.
Consumidor terá de tentar acordo antes de processar empresa?
Especialistas reunidos pela ANELA, na Faculdade Belavista, discutem como o Tema 1.396 do STJ pode impactar consumidores e empresas.
Desenrola 2.0 promete aliviar dívidas, mas especialistas alertam para risco de reendividamento, crédito predatório e ciclo permanente de inadimplência.
CM Responde: Desenrola que reenrola? O risco de reendividamento
Desenrola 2.0 promete aliviar dívidas, mas especialistas alertam para risco de reendividamento, crédito predatório e ciclo permanente de inadimplência.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.