/
/
Estilo Meli: como o Mercado Livre usa IA para levar sua cultura ao atendimento

Estilo Meli: como o Mercado Livre usa IA para levar sua cultura ao atendimento

Em parceria com a AeC, Mercado Livre e Mercado Pago traduziram sua cultura em 11 comportamentos avaliados com IA, fortaleceram o papel da liderança e elevaram o NPS em cinco pontos em apenas três meses
Foto: Thiago Bernardes
Legenda da foto
Cinco pontos a mais no NPS em apenas três meses. O resultado veio de uma estratégia de Mercado Livre, Mercado Pago e AeC para transformar a cultura da companhia em comportamentos que o cliente percebe no atendimento. Com apoio da IA, a operação identificou quais atitudes mais impactam a experiência e direcionou o desenvolvimento dos atendentes para três pilares: empatia, clareza na comunicação e postura consultiva. Conheça o case.

O consumidor raramente tem contato direto com os valores, os princípios e a cultura de uma empresa. Ele não participa das reuniões internas e não lê os manuais de conduta. Existe, porém, um momento em que tudo isso é colocado à prova: quando o cliente entra em contato com o atendimento.

Foi a partir dessa percepção que o Mercado Livre e o Mercado Pago iniciaram, há mais de dois anos, um processo de transformação para que o atendimento fosse capaz de transmitir a cultura da companhia. O resultado é o Estilo Meli, modelo desenvolvido em parceria com a AeC.

“O atendimento é o ponto de contato que o usuário tem com a empresa. Ele não está dentro das nossas reuniões e não vai se conectar com a nossa cultura através dos nossos anúncios”, afirma Kelly Cristina Barbosa, Customer Service Sr Manager do Mercado Livre, que apresentou o case ao lado de Bremerson Siqueira, diretor de Qualidade e Dados da AeC, no CONAREC 2026.

Da palavra à prática

O primeiro desafio foi transformar um conceito amplo em algo aplicável no dia a dia. Entendendo que a percepção do cliente é construída ao longo de toda a interação, a empresa enxergou a necessidade de entregar uma jornada humanizada.

“Às vezes é muito simples dizer ao atendente que ele precisa dar um atendimento melhor, mais humanizado. Mas o que exatamente ele precisa fazer?”, destaca Kelly.

A resposta veio com a definição de 11 comportamentos avaliados em cada interação com o cliente. A partir disso, a observação feita ao atendente tornou-se algo muito mais concreto, capaz de transmitir em detalhes o que ele precisa fazer durante o contato e quais são os impactos caso não faça.

O pedido de “ser empático”, por exemplo, foi transformado em técnicas para o atendente colocar em prática. Nesse caso, a empatia passou a ser medida pela capacidade de se conectar com o problema real do cliente.

“Isso não é um guia nem um checklist que o representante precisa cumprir. Ele vai adaptando, vai se conectando”, explica a executiva. Com isso, a empresa passou a olhar com mais atenção para como a boa experiência é construída, e não apenas para o resultado final.

Onde priorizar

Todo esse modelo, porém, só funciona com um interlocutor fundamental: o líder. E a liderança precisava saber onde concentrar esforços.

“Quando tudo parece ser importante, surge a pergunta: onde priorizar?”, afirma Bremerson. Para responder a ela, a AeC analisou, com sua tecnologia proprietária de monitoria com IA, quais dos 11 comportamentos tinham impacto direto na experiência do cliente. A partir disso foram definidos três pilares do atendimento: empatia, clareza na comunicação e postura consultiva.

“Ter mais dados não quer dizer que você vai tomar as melhores decisões. É preciso ter uma liderança capaz de transformar a informação em ação e a ação em resultado”, ressalta o diretor da AeC. “Quando falamos de monitoria com IA, não estamos falando de monitorar mais. Estamos falando de enxergar melhor.”

O ciclo se completa com o Simula IA, solução em que o representante vivencia situações reais de atendimento em ambiente controlado antes de falar com o cliente. A partir disso, o líder identifica os pontos de desenvolvimento, que voltam para a operação e alimentam uma nova rodada de observação.

“O diagnóstico não pode parar na informação, e a informação não pode parar no diagnóstico. Tudo precisa voltar para a operação. É um ciclo contínuo”, diz Bremerson.

A média esconde uma história

Outra decisão estratégica foi abandonar a média como referência de gestão. “A média esconde uma história. Se eu como uma maçã e outra pessoa não come nenhuma, a média diz que cada um comeu meia. Assim, não conseguimos atuar para realmente mudar o patamar de resultado”, explica o executivo da AeC.

Com essa lógica, as empresas identificaram um grupo de operadores com baixa aderência ao Estilo Meli e direcionaram o trabalho aos fatores com maior potencial de virar o jogo. Cerca de 65% desses profissionais evoluíram, e a aderência do grupo saiu de 39% para 50,5%.

A análise individual também orienta o trabalho da liderança. “Não olhamos qual foi a média dos contatos do último mês. Olhamos o atendimento de cada atendente e como ele gera insumos para que o líder desenvolva esse representante”, afirma Kelly.

O cliente percebe a diferença

Na ponta, a mudança impactou rapidamente a percepção do cliente. Em apenas três meses, o NPS evoluiu cinco pontos.

Para Kelly, o avanço ganha ainda mais peso diante do histórico da operação. “Tínhamos um histórico de atendimentos que não nos geravam orgulho. Ver essa evolução em tão pouco tempo, com a IA transformando dados em ferramentas para que os líderes possam atuar, é muito significativo”, afirma.

O impacto aparece também nos comentários dos clientes. Cada vez mais promotores mencionam o nome do representante que os atendeu. “Aquele atendimento fez tanta diferença que o cliente lembra o nome da pessoa. É isso que chamamos de experiência memorável”, conta a executiva.

Mas, segundo ela, esse nível só é alcançado quando a experiência positiva começa dentro de casa. “Nossos clientes só vão sentir que foram compreendidos, escutados e valorizados se o representante sentir isso. E, para que o representante sinta isso, o trabalho do líder é peça fundamental.”

Um modelo em constante revisão

O Estilo MELI foi pensado para acompanhar a velocidade das mudanças no comportamento do consumidor. Bremerson lembra que dois em cada três consumidores afirmam ter mudado seus hábitos no último ano e meio. “Não existe planejamento estático em um mundo tão dinâmico. O resultado é eco de algo que veio muito antes. Primeiro vem o comportamento, depois os dados, os indicadores e, por fim, o resultado”, explica.

Por isso, a gestão aposta na antecipação. “Se eu vejo o NPS caindo agora, transformar isso demora. Não vou esperar o resultado cair para agir. A gente precisa antecipar isso”, afirma Kelly.

Os próprios 11 comportamentos estão em constante revisão. “Esse cliente que já conversa com a IA, e recebe um atendimento cada vez melhor, o que ele espera quando chega ao humano? Hoje são 11 comportamentos. Amanhã podem ser outros”, diz a executiva.

Para Bremerson, cada contato precisa ser entendido dentro de uma relação mais ampla. “Cada interação do cliente é parte de uma conversa. Se tratamos aquele atendimento de forma isolada, vemos a foto, e não o álbum daquele cliente. Quanto mais entendemos o comportamento dele, mais conseguimos aprender e antecipar cenários.”

Por isso, para o executivo, o principal ponto a ser entendido não é o quanto de uma experiência se pode automatizar, mas quanto de humanidade pode ser devolvida à jornada do cliente com a ajuda da tecnologia.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

O desafio da datacanalidade na experiência sem limites
Executivos da Twilio, Ford e Grupo Fleury mostram que a informação em tempo real proporcionada pelos dados precisa ter intenção e canal certo para criar uma experiência de excelência
Experiência é o que o concorrente não consegue copiar
No CONAREC 2026, Thaíze Tavares, especialista em vendas e experiência do cliente, afirma que a conexão humana pesa mais do que preço, técnica e produto na construção da preferência do consumidor
IA em toda a jornada garante percepção de valor no CX?
No CONAREC 2026, CEOs de Rappi, Méliuz, TP e Brasilprev mostram que a IA só se converte em experiência e valor quando eficiência, uso responsável de dados e presença humana caminham juntos
Diante de um mercado ilegal que movimenta bilhões no Brasil, tecnologia antifraude que permite verificação de procedência de garrafas da Diageo passa a integrar a jornada de consumo de bebidas destiladas.
Confiança entra na jornada de compra de bebidas destiladas da Diageo
Diante de um mercado ilegal que movimenta bilhões no Brasil, tecnologia antifraude que permite verificação de procedência de garrafas da Diageo passa a integrar a jornada de consumo de bebidas destiladas.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência? Quando o tempo perdido vira indenização