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Dívidas das empresas batem recorde e somam mais de R$ 210 bilhões no Brasil

Dívidas das empresas batem recorde e somam mais de R$ 210 bilhões no Brasil

Inadimplência atinge 8,9 milhões de CNPJs em novembro e alcança o maior nível da série histórica da Serasa Experian.
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Foto: Shutterstock
A inadimplência das empresas brasileiras bateu recorde em novembro de 2025: 8,9 milhões de CNPJs negativados, somando R$ 210,8 bilhões em dívidas, em um cenário de juros altos, crédito mais restrito e margens pressionadas. O movimento afeta também famílias e economia, com tendência de repasse de custos, menos investimentos e impacto no emprego, além de bancos endurecendo o crédito.

Com os juros elevados, o crédito mais seletivo e as margens pressionadas, a inadimplência entre as empresas brasileiras voltou a crescer e atingiu um novo recorde histórico. Segundo novo levantamento da Serasa Experian, em novembro de 2025, 8,9 milhões de CNPJs estavam negativados – o maior número desde o início da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas.

Juntas, as companhias inadimplentes acumulavam R$ 210,8 bilhões em dívidas.

Além de pressionar os balanços das empresas, o avanço da inadimplência tem impacto direto sobre o bolso, o emprego e o consumo das famílias. Com margens mais apertadas e crédito mais caro, companhias tendem a repassar custos para os preços finais, reduzir promoções e adiar investimentos. Ao mesmo tempo, o aumento do risco no ambiente corporativo leva bancos a endurecer a concessão de crédito, elevando juros e restringindo limites também para pessoas físicas.

No mercado de trabalho, empresas endividadas costumam adiar contratações e, em casos mais severos, reduzir postos, o que pressiona a renda e limita o consumo.

Dívidas maiores e mais frequentes

De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço da inadimplência aponta para um ambiente econômico ainda pressionado por juros elevados e crédito mais restrito. Segundo ela, muitas empresas seguem com pouco fôlego financeiro para lidar com oscilações de custos ou quedas de receita.

“Com o crédito mais caro, cresce a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações recorrentes”, explica.

Os dados de novembro mostram que cada empresa inadimplente possuía, em média, sete contas negativadas, com ticket médio de R$ 3.375,4. Já a dívida média por empresa chegou a R$ 23.790,80.

Para Camila, o cenário indica não só um aumento no número de empresas negativadas, mas também um agravamento do endividamento. “Além de mais empresas inadimplentes, as dívidas estão maiores. Isso indica compromissos financeiros mais elevados acumulados ao longo do tempo”, complementa a economista-chefe.

Serviços lideram inadimplência

O setor de Serviços concentrou a maior parte das empresas inadimplentes, respondendo por 55,2% do total em novembro. Na sequência aparecem Comércio (32,7%) e Indústria (8,1%).

Quando analisada a origem das dívidas, o setor de Serviços também lidera, com 31,4% das negativações, superando Bancos e Cartões (19,9%) e Outros (18,0%). Também tiveram participação relevante Cooperativas (8,4%), Utilities (7,1%) e Telefonia (6,2%).

Segundo a economista, o crescimento das dívidas ligadas a instituições financeiras e serviços essenciais indica que as empresas estão priorizando despesas operacionais do dia a dia, enquanto postergam compromissos financeiros “o que é típico de momentos de maior aperto de liquidez”, avalia.

Sudeste tem maioria das empresas negativadas

No recorte regional, o Sudeste lidera com 4,76 milhões de empresas inadimplentes, o equivalente a 53,7% do total nacional. Em seguida aparecem Sul (1,44 milhão), Nordeste (1,36 milhão), Centro-Oeste (774 mil) e Norte (531 mil).

Entre os estados, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul registraram os maiores números de CNPJs negativados no período.

Pequenos negócios são os mais vulneráveis

Do total de empresas inadimplentes, 8,5 milhões são micro, pequenas e médias empresas. Esse grupo concentrou 57,7 milhões de dívidas negativadas, que somaram R$ 190,3 bilhões.

Para Camila Abdelmalack, companhias de menor porte tendem a ser mais sensíveis a ciclos de crédito restritivo, já que possuem menor acesso a financiamento e menos margem para renegociação, o que amplia a vulnerabilidade em momentos de desaceleração econômica.

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