A experiência de consumo começa antes do primeiro gole. Para a Diageo, ela também passa pela segurança de saber o que está dentro da garrafa. É a partir dessa percepção que a companhia colocou no mercado brasileiro o Selo Drink Seguro, tecnologia que permite ao consumidor verificar a autenticidade e a integridade de bebidas pelo próprio celular.
A chegada do selo ao consumidor acontece em um período de maior atenção à segurança das bebidas, após a crise envolvendo produtos adulterados com metanol. Para a Diageo, a situação trouxe uma demanda que ultrapassa a identificação de produtos irregulares. O consumidor precisava de informação acessível para tomar uma decisão de compra com mais segurança.
“A gente entende que é uma iniciativa importante, veio para ficar e que inaugura um novo momento no mercado brasileiro”, afirma Paula Lindenberg, diretora geral da Diageo no Brasil. “É uma forma de garantir que estamos construindo uma categoria em que as pessoas se sintam confortáveis para experimentar e para consumir”, destaca Lindenberg.
A tecnologia já está presente nas garrafas da Diageo desde fevereiro de 2026. A companhia optou por ampliar a comunicação ao mercado neste momento, quando o volume de produtos com o Selo Drink Seguro já permite que o consumidor encontre a identificação nas gôndolas de supermercados e em outros pontos de venda.
A proposta é levar essa informação para o ponto exato em que a decisão acontece. Ao encontrar uma garrafa com o Selo Drink Seguro, o consumidor pode apontar a câmera do smartphone para a identificação e ser direcionado à plataforma Diageo.ID, sem precisar baixar um aplicativo.
Em poucos segundos, a tecnologia analisa o selo e informa se ele foi validado. A experiência foi desenhada para ser simples e voluntária, sem custo adicional para o consumidor. “O consumidor ganha nesta confiança em relação aos produtos”, destaca André Muller, vice-presidente comercial da Diageo no Brasil.
A informação como parte da experiência
A crise do metanol acelerou uma discussão sobre como empresas, pontos de venda e autoridades poderiam ampliar a proteção do consumidor. Segundo Muller, a companhia trabalhou em diferentes frentes antes de chegar à tecnologia.
Uma delas foi a capacitação de autoridades, agentes públicos e donos de pontos de venda para identificar produtos que pudessem ser falsificados. Outra, foi ampliar a informação sobre canais homologados de compra, tanto para consumidores quanto para estabelecimentos comerciais.
A tecnologia passou a integrar esse conjunto de iniciativas como uma camada adicional de segurança. “Como que a gente poderia, através da tecnologia, colocar uma camada a mais em cima de tudo aquilo que a gente faz, para coibir a falsificação e garantir que casos como o do metanol nunca mais aconteçam?”, explica.
A resposta foi o Selo Drink Seguro, desenvolvido em parceria com a Securetrace, especializada em identificação e autenticação de alta segurança, trazendo para o setor de bebidas uma tecnologia já aplicada em ambientes que exigem elevados padrões de segurança e autenticidade, como o do passaporte brasileiro, das cédulas de 100 reais e o mercado de medicamentos.
Cada selo possui uma fingerprint, uma espécie de impressão digital única, que pode gerar mais de 27 trilhões de combinações. A Inteligência Artificial analisa esse padrão e verifica a autenticidade da identificação. Segundo a Diageo, a solução tem 99,99% de eficácia anticópia e certificação internacional ISO 12931.
“Segurança, qualidade e confiança do consumidor são elementos inegociáveis, destaca Muller.

O tamanho do mercado ilegal
A dimensão do problema também ajuda a explicar a preocupação da indústria com a procedência das bebidas. Paula Lindenberg chama atenção para a diferença entre falsificação e o mercado ilegal de bebidas, que reúne outras práticas. Durante a crise do metanol, circularam estimativas mais amplas sobre a presença do mercado ilegal, mas, segundo a Diageo, a parcela referente especificamente à falsificação é de 4,7%.
Para o consumidor, é justamente essa parcela que concentra um dos maiores riscos relacionados à integridade do produto. É nesse ponto que a empresa pretende atuar com o Selo Drink Seguro, oferecendo uma ferramenta para verificar a autenticidade da garrafa antes do consumo.
“A situação do metanol foi uma crise sanitária, um horror, e todo mundo se mobilizou, inclusive a gente. Com o metanol ficou muito evidente a dimensão do problema e a urgência”, lembra Lindenberg. “E agora, com a introdução desse selo, a gente entende que criou uma ferramenta para resgatar a proteção e a confiança da nossa família, que é um compromisso nosso, de uma maneira preventiva e intuitiva”, complementa.
Tecnologia na jornada do consumidor
Para a área de experiência do cliente, um dos pontos mais relevantes da iniciativa está no momento em que a tecnologia é utilizada. O consumidor não precisa recorrer a um canal de atendimento, pesquisar informações na internet ou depender exclusivamente do estabelecimento para saber mais sobre a procedência da bebida.
A resposta está na própria embalagem. Se o selo for reconhecido, a plataforma apresenta a validação. Caso não seja identificado, o consumidor recebe a orientação para repetir a leitura. Persistindo o resultado, a recomendação da companhia é não consumir o produto e registrar informações sobre a garrafa em um formulário.
Esses dados podem alimentar a base de análise da Diageo e, quando aplicável, ser compartilhados com autoridades competentes. Além disso, a experiência também cria uma nova relação entre informação e decisão de compra. O consumidor passa a ter uma ferramenta para consultar a procedência no momento em que escolhe ou consome o produto.

O ponto de venda também entra na experiência
A Diageo vê impacto da tecnologia além da relação direta com o consumidor. Para a companhia, bares, restaurantes, adegas e supermercados também podem se beneficiar da possibilidade de demonstrar a procedência dos produtos comercializados.
“O ponto de venda ganha com a valorização. O consumidor olha para o ponto de venda e fala que é seguro consumir. A indústria ganha também com a proteção das nossas marcas, e toda a sociedade ganha cada vez mais com a formalização do mercado”, afirma Muller.
Nesse sentido, a experiência deixa de estar restrita à garrafa. O estabelecimento passa a fazer parte da percepção de segurança construída durante a jornada de compra e consumo.
A companhia espera que, até o fim do ano, a maior parte das garrafas comercializadas já conte com o selo. A implementação, segundo o executivo, depende do giro dos produtos que já estão no mercado.





