Há exatamente um mês, ocorreu um acidente em uma parque de diversão em Maringá (PR) e, ao todo, 3 crianças ficaram feridas. Um dos vagões de um carrinho elétrico saiu dos trilhos, resultando no descarrilamento do brinquedo. O Corpo de Bombeiros alegou que o local, próximo ao Shopping da Cidade, atendia a todas as normas de segurança. Outro episódio de acidente com criança se deu em Barbacena (MG), quando o pequeno Cauã Henrique de Abreu Lelis Nunes se engasgou com uma bolinha “pula-pula”. Ele, infelizmente, acabou não resistindo e morreu.
Em 2023, os acidentes envolvendo crianças no Brasil aumentaram quase 8% em comparação ao ano anterior, atingindo o maior índice desde 2019, período que antecedeu a pandemia. No total, foram registradas 119.245 internações por lesões não intencionais entre as faixas etárias de 0 a 14 anos. O estudo, realizado com dados do DataSUS e desenvolvido pelo Instituto Bem Cuidar, um programa de gestão de conhecimento da Aldeias Infantis SOS, analisou oito categorias de causas de acidentes. Entre as ocorrências mais significativas, destacam-se sufocação (+ 11,24%), quedas (+ 10,33%), queimaduras (+ 7,38%) e afogamento (+ 5,78%).
Acontece que o ato de brincar, mais do que uma atividade saudável e divertida, é um direito garantido por lei. Toda criança tem o direito de brincar e se divertir. Essa máxima, inclusive, está no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos da Criança (ONU). E, mais recentemente, a Lei 14.826, que promove a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias de prevenção à violência contra crianças.
Perigos para crianças
Fato é que se por um lado os brinquedos e as atividades de lazer apoiam o desenvolvimento infantil, ao estimular a imaginação, a curiosidade e a criatividade, além de contribuir para a sociabilidade dos mais jovens, por outro podem colocar a saúde e a vida deles em perigo. Os incidentes podem envolver ocorrências de engasgos, sufocação, queimaduras e intoxicação, além de cortes e lesões.
Nesse sentido, é fundamental garantir que os brinquedos atendam a padrões de segurança rigorosos. O selo do Inmetro é um indicador de que o produto passou por testes que avaliam sua qualidade e segurança, reduzindo o risco de acidentes. Ademais, o selo do Inmetro é obrigatório. Trata-se de uma certificação que garante que o objeto foi aprovado em testes e atende aos critérios mínimos de segurança, como o uso de materiais atóxicos na sua fabricação.
Além disso, os pais e responsáveis devem estar atentos às recomendações de idade e uso, já que brinquedos inadequados para determinadas faixas etárias podem apresentar perigos adicionais. Outro aspecto importante é a escolha de materiais atóxicos, que garantam que as crianças não fiquem expostas a substâncias prejudiciais.
Em brincadeiras ao ar livre, como hotéis e parques, por exemplo, a supervisão durante brincadeiras é essencial, pois mesmo brinquedos seguros podem ser mal utilizados. Incentivar as crianças a brincar em ambientes adequados e supervisionados minimiza os riscos.
Proteção para crianças
Para apoiar os adultos no Dia das Crianças, a especialista em Ambientes Seguros e Protetores da Aldeias Infantis SOS, Erika Tonelli, elaborou algumas dicas práticas para a compra de brinquedos seguros. Ela também compilou recomendações básicas para a proteção e a prevenção de acidentes nas atividades infantis realizadas na data.
Erika destaca que a atenção na escolha dos brinquedos é essencial para garantir ambientes seguros e protetores para as crianças. “Além da supervisão constante de um adulto, é importante inspecionar regularmente os brinquedos. E, por consequência, verificar se há algum dano que possa causar acidentes, como partes pequenas soltas ou peças quebradas com bordas afiadas”, afirma. “É igualmente fundamental incentivar a criança a guardar os brinquedos após o uso. O objetivo é evitar quedas e outros tipos de incidentes bastante comuns nesse momento”.
Qual é o brinquedo certo?
Em síntese, algumas dicas para escolher o brinquedo certo:
- Evite brinquedos que contenham bolinhas de metal, pontas e bordas afiadas, bem como projéteis, como dardos e flechas. Correntes, tiras e cordas com mais de 15 cm devem ser evitadas para prevenir riscos de estrangulamento;
- Para crianças menores de oito anos, não é indicado o uso de brinquedos com elementos de aquecimento. Só para exemplificar, baterias e tomadas elétricas. Isso porque eles podem causar choques elétricos e queimaduras;
- Presentear com bicicletas, patins, patinetes e skates é uma ótima maneira de estimular a mobilidade das crianças, além de promover a responsabilidade com brincadeiras seguras. Mas não esqueça de incluir os equipamentos de segurança necessários, como capacete, joelheira, cotoveleira, luvas e buzina;
- Ao selecionar um brinquedo, considere a idade da criança. A faixa etária apropriada deve estar claramente indicada na embalagem, assim como informações sobre conteúdo, instruções de uso, montagem e possíveis riscos;
- Preste atenção aos brinquedos que contêm hidrogel em sua composição. Os médicos alertam que essa substância tem alta capacidade de absorção de água e, se ingerida pela criança, pode provocar lesões ou infecções graves;
- Verifique o prazo de validade do brinquedo. Embora essa informação não seja amplamente divulgada, é importante lembrar que os brinquedos também têm um limite de vida útil;
- Evite produtos que emitam ruídos excessivos, pois esses sons podem prejudicar a audição. Além disso, o consumidor deve ficar atento a brinquedos que tenham formas e cheiros parecidos com alimentos. Isso porque o cheiro de alimento pode incentivar a criança a colocá-los na boca, ocasionando engasgos e sufocamento.
- Em hotéis e colônias de férias, verifique se há uma equipe de monitores qualificados para cuidar das crianças, incluindo profissionais treinados em primeiros socorros. Para atividades que exigem equipamentos de segurança, exija seu uso e verifique as condições dos materiais.






