/
/
Dados deixam de ser estratégia e se tornam conexão com o cliente

Dados deixam de ser estratégia e se tornam conexão com o cliente

Painel do IACX mostra como IA e inteligência de dados estão redesenhando a jornada de CX com mais personalização, eficiência e sensibilidade.
Painel do IACX mostra como IA e inteligência de dados estão redesenhando a jornada de CX com mais personalização, eficiência e sensibilidade.
Foto: Consumidor Moderno.
No IACX 2026, especialistas discutiram como dados e inteligência artificial estão transformando a experiência do cliente, deixando de ser apenas ativos estratégicos para se tornarem instrumentos de conexão. O painel destacou que o maior desafio não é tecnológico, mas cultural, envolvendo a capacidade de usar dados de forma inteligente, ética e orientada à decisão. A IA surge como aliada na personalização em escala e na eficiência operacional, enquanto o fator humano permanece essencial para lidar com aspectos emocionais e garantir experiências mais genuínas e relevantes.

Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, a forma como as empresas coletam, interpretam e ativam informações tornou-se determinante para a construção de relações mais próximas com os clientes. Mais do que volume, o valor está na inteligência aplicada e na capacidade de transformar dados em insights que revelam comportamentos, preferências e contextos de forma profunda e acionável.

Foi nesse cenário que o IACX 2026 reuniu especialistas para discutir um dos temas mais recorrentes em CX: a orquestração de dados digitais. No painel Dados que aproximam: a nova jornada de conexão com o cliente, executivos debateram como os dados deixam de ser apenas um recurso estratégico para se tornarem verdadeiras pontes de conexão com o consumidor.

Dados como base para relações mais relevantes

Daniel Brumatti, CEO da Newbacon.

Daniel Brumatti, CEO da Newbacon e mediador do painel, faz uma provocação central: “Na prática, qual é o maior desafio para transformar dado em experiência?”.

Segundo Ernane Drumond, head de CX do Inter, a complexidade está na base cultural. “Essa transformação começa com uma cultura que coloca o cliente no centro, usando IA não apenas para reagir, mas para ser preditiva. Essa centralidade é alcançada usando dados para entender reclamações e transformá-las em insights estratégicos.”

Isadora Vecchi, diretora de Novos Negócios, Marketing e Experiência do Cliente da Loggi, destaca como dados e IA têm sido aplicados para simplificar a logística de pequenas empresas. A companhia conseguiu economizar 1,7 milhão de quilômetros rodados em um ano, com mapeamento de rotas e reconfiguração de entregas. “Usamos a IA para gerar impacto no cliente do nosso cliente. Isso engaja e fideliza.”

Análises, que segundo Daniel, deixam claro que, quando bem utilizados, os dados permitem avanços no CX, seja nas interações ou elevando a experiência com serviços.

IA como motor de adaptação e escala

Em um mercado cada vez mais competitivo, o uso inteligente de dados e IA se torna indispensável. Nesse ponto, os painelistas são objetivos ao afirmarem que as informações obtidas dos dados, quando bem trabalhadas, podem ser decisivas no CX.

Segundo Caio Gomes, diretor de Dados e Inteligência Artificial do Magalu, há um detalhe fundamental quando pensamos no valor do dado: “é necessário mudar a lógica tradicional da jornada”, diz. “A empresa não deve mais definir a jornada, mas criar sistemas robustos que se adaptam às necessidades individuais a partir desse conhecimento.”

Nesse sentido, ele reforça o papel da IA como aliada: “A IA deve empoderar funcionários, assumindo tarefas de baixo valor para que os atendentes possam focar em fornecer um atendimento de alta qualidade em situações críticas.”

Na mesma linha, Daniel Brumatti complementa: “A IA veio para que as empresas encontrem novas oportunidades. E o dado veio para direcionar essa transformação.”

Decisão, cultura e pragmatismo em CX

No setor farmacêutico, a personalização também ganha força. A Pague Menos estruturou arquétipos de clientes a partir de dados, enriquecendo o entendimento das jornadas. “Temos muitos desafios ainda, mas estamos em um caminho eficiente”, afirma Wesley Batista, head de Omnicanalidade da empresa.

Para Leandro Noronha, CEO da BlackRock Digital, o diferencial está menos na coleta e mais na tomada de decisão. “Muitas vezes, 60% de uma informação bem estruturada já é suficiente para alcançar o objetivo. Isso está muito mais ligado à autonomia e à capacidade de decisão.”

Ele reforça um ponto muito importante: “As empresas não precisam de 100% dos dados para tomar decisões eficazes. Uma cultura que permite agir com base em informações parciais precisas já é um coeficiente poderoso para novos ganhos”.

O papel humano na era da IA

Leandro Noronha, CEO da BlackRock Digital.

Ao avançar na discussão, os convidados se deparam com uma questão inevitável levantada pelo mediador, Daniel Brumatti: “o que deve permanecer humano na experiência?“.

Ernane define: “A IA vai resolver o preditivo, o humano vai resolver o emocional”. Wesley Batista complementa com uma visão prática do varejo: “80% dos resultados vêm de ações operacionais básicas, ou seja, ‘barriga no balcão’. A IA resolve os 20% restantes, focados em escala”.

Caio Gomes acrescenta: “A personalização manual é inviável em grande escala. O objetivo da IA não é reduzir o número de funcionários, mas dar-lhes superpoderes”.

Nesse ponto, Leandro Noronha faz um alerta importante: “Ainda existem muitos recursos automatizados ‘quebrados’. Nesse momento, o olhar humano é fundamental para ajustar processos ineficientes”. E conclui: “É crucial não forçar casos de uso de IA apenas por ser uma tendência; a aplicação deve fazer sentido para o cliente”.

Todos esses pontos analisados nos leva a compreender que inteligência em dados é um conhecimento adquirido dia após dia, a cada tarefa executada em cada contato realizado. Não há um script definido, mas, sim, formas concretas de se obter resultados para determinados contextos que seguem evoluindo e desafiando as organizações.

Ao final, o debate no IACX 2026 reforça que o verdadeiro diferencial competitivo não está na quantidade de dados ou no nível de sofisticação tecnológica, mas na capacidade de transformar informação em decisão com agilidade, contexto e propósito.

Pontos-chave da discussão

  • A transformação de dados em CX é mais um desafio cultural e organizacional do que tecnológico.
  • A IA é essencial não apenas para gerar insights, mas para viabilizar experiências personalizadas em escala.
  • A personalização exige contexto, uma vez que automações genéricas podem gerar atrito.
  • O feedback do cliente, analisado por IA, é uma fonte rica de melhoria contínua.
  • Não é necessário ter todos os dados para começar a tomar decisões eficazes em CX.
  • O equilíbrio entre automação e interação humana é essencial: a IA deve empoderar, não substituir.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Ricardo Cappra, cientista de dados, filósofo da tecnologia e fundador do Cappra Institute, no IACX 2026.
"Estamos vivendo um colapso da experiência”, diz Ricardo Cappra
No IACX 2026, o cientista de dados, filósofo e escritor argumenta que a jornada do consumidor deixou de ser desenhada por empresas e passou a ser mediada por sistemas invisíveis.
Marta Bezerra, Head de Operações da WebMotors, e Ricardo Galdino, Managing Director da Droz, da Coaktion.
Como a WebMotors transformou o atendimento e ganhou escala com IA
Parceria com a Droz reestrutura a operação, reduz fraudes em 80% e eleva a retenção ao apostar em jornadas segmentadas e inteligência operacional
No IACX 2026, especialistas discutem os limites da humanização da IA e defendem equilíbrio entre tecnologia, empatia e governança para construir experiências relevantes.
Humanizar ou não humanizar, eis a questão
No IACX 2026, especialistas discutem os limites da humanização da IA e defendem equilíbrio entre tecnologia, empatia e governança para construir experiências relevantes.
A Inteligência Artificial está reduzindo a ansiedade ou ampliando a pressão do imediatismo? Entenda como velocidade, contexto e comportamento estão redefinindo a experiência do cliente.
Ansiedade, velocidade e limite: o que a IA revela sobre nós?
A Inteligência Artificial está reduzindo a ansiedade ou ampliando a pressão do imediatismo? Entenda como velocidade, contexto e comportamento estão redefinindo a experiência do cliente.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.