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Cultura na bagagem: como a Onfly chegou a 93% de CSAT em 45 dias

Cultura na bagagem: como a Onfly chegou a 93% de CSAT em 45 dias

Ao levar parte da operação para Aracaju com a Callink, travel tech mostra que escalar com um parceiro exige transferir gente, método e pertencimento, e não apenas processos
Foto: Paulo Araujo
No CONAREC 2026, Onfly E Callink apresentaram os resultados da parceria estratégica de terceirização em Aracaju (SE). Ao enviar executivos para acompanhar in loco o recrutamento e o treinamento, a empresa integrou uma metodologia própria à expertise da parceira e valorizou o DNA local das equipes, alcançando mais de 100 profissionais capacitados em menos de um mês. Com governança compartilhada e preservação de sua cultura, a operação atingiu 93% de CSAT e resolveu mais de 90% das demandas logo no primeiro contato durante os primeiros 45 dias de atuação.

Crescer rápido tem um custo que raramente aparece no planejamento. Na Onfly, travel tech de viagens corporativas fundada, ele apareceu na contratação. A empresa atende hoje mais de 3 mil empresas no Brasil e no México, soma mais de mil colaboradores, realiza mais de 160 mil reservas por mês e projeta faturamento de quase R$ 2 bilhões em 2026. 

Para sustentar esse ritmo, a empresa precisava de mais gente no atendimento, e Belo Horizonte, onde a operação estava concentrada, já não oferecia profissionais na velocidade necessária. “A Onfly vem crescendo em média 85% todos os anos. E aí vem a tal dor do crescimento”, afirmou Hudson Mendes, diretor de Operações e CX da Onfly, durante painel no CONAREC 2026.

Terceirizar, a saída mais evidente, era também a que mais preocupava: significava entregar a um parceiro justamente o ativo que diferenciava a empresa. “O mundo de viagens corporativas é muito particular. E a Onfly sempre foi muito autoral. Nós temos a nossa tecnologia, temos o nosso OBT e também temos os nossos profissionais”, explicou Hudson. 

A resposta então veio de uma conversa informal com Eduardo Belon, responsável pelas áreas comercial, de marketing e de operações da Callink, empresa de atendimento. Da identificação da necessidade ao fechamento da proposta, levou apenas uma semana. 

Sem improviso no atendimento

O primeiro obstáculo estava na natureza do próprio serviço. Na Onfly, 92% das reservas são concluídas de forma automática pela plataforma, o que indica que os contatos que chegam ao atendimento humano tendem a envolver situações fora do fluxo padrão, em que o cliente está com pressa.

“A gente tinha um grande desafio, de encontrar as pessoas para esse atendimento e para esse negócio, que é bastante complexo. Estamos falando de viagens corporativas, de gente que tem pouco tempo para a mobilidade, de perda de voo, alteração de voo, mudança de hotel”, descreveu Belon.

Para Hudson, a régua de qualidade vem de quem está do outro lado da linha. “A gente tem compromissos e tem que ser muito resolutivo esse processo”, disse. “O objetivo da Onfly é simplificar. Eu não posso tornar a jornada do meu cliente uma jornada árdua.”

Cultura in loco

A forma encontrada foi colocar as duas equipes lado a lado. Profissionais da Onfly se mudaram para Aracaju (SE) para acompanhar in loco o recrutamento, o treinamento e o início da operação.

Em viagens corporativas, o saber técnico costuma ficar concentrado em poucos profissionais experientes, o que torna a formação de novos atendentes lenta. Então, foi criada uma metodologia específica combinada ao modelo de capacitação que a Callink já utilizava.

Como resultado, mais de 100 pessoas foram capacitadas em menos de 30 dias, com 100% dos contratados integrados e nenhuma desistência durante o treinamento. A relação seguiu depois da implantação, com uma governança compartilhada entre as duas empresas. 

DNA local faz a diferença na ponta

Preservar a identidade da Onfly, porém, não significou apagar a de quem atende. A escolha do Nordeste foi estratégica.

“Uma coisa que a gente pediu para os colaboradores foi: não perca o seu DNA, não perca a sua essência, porque isso é determinante no processo de acolhimento, de resolutividade e levando isso para o nosso cliente para encantar”, afirmou Hudson. “Você tem o script, você tem o processo, mas você tem o DNA local, você tem a cultura local, que também faz total diferença na hora de aplicar essa experiência para o cliente na ponta.”

O efeito aparece na estabilidade da equipe. Desde a implantação, em 2025, a operação mantém absenteísmo abaixo de 1% e turnover inferior a 2%. “A gente não tem perda de conhecimento técnico, a gente não tem perda dessa cultura que as pessoas carregam consigo”, observa Belon.

Os números que sustentam a decisão

A Onfly definiu dois indicadores centrais para avaliar a operação: CSAT e resolutividade no primeiro contato. Nos primeiros 45 dias, período em que a equipe realizou mais de 10 mil atendimentos, o CSAT chegou a 93% e mais de 90% dos casos foram resolvidos já na primeira ligação.

A satisfação de quem atende também entrou na conta. O índice de satisfação dos colaboradores da operação está acima de 98%. “A turma que está ali atendendo está feliz? Porque isso tem que ser passado também para o cliente”, ponderou Hudson.

Para o executivo, o desempenho em tão pouco tempo, próximo ao que a própria Onfly entregava internamente, depende menos do contrato e mais do alinhamento entre as empresas. “Eu costumo dizer que é um casamento. E os valores têm que convergir”, resume.

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