As notícias econômicas andam bastante desanimadoras e, mesmo para os mais otimistas ? como é o meu caso ? reestruturar soluções requer doses extras de pensamento positivo. Quando é que as coisas passarão a melhorar?
Rebaixamento do grau de investimento, salários atrasados, demissões ou férias coletivas, renda em queda e inflação em alta são alguns de nossos pesadelos cotidianos, que decerto tiram o sono de muitos. Alguns preferem reclamar, mas outros procuram estratégias para contornar o problema. Então qual a minha sugestão, meu querido leitor?
Indico uma ferramenta importante: o fundo de emergência. A ideia básica desta ferramenta é separar parte da renda atual ? mesmo que seja preciso sacrificar o consumo ? para que, na hipótese de um futuro menos promissor, não seja preciso cortar itens essenciais, como a escola dos filhos ou o plano de saúde, por exemplo.
Explicando melhor:
Quanto devo guardar? Sugiro que você tenha acumulado pelo menos o equivalente a seis meses de suas despesas, considerando todos os gastos para manter o padrão de vida atual, não se esquecendo de considerar gastos sazonais, como o IPVA ou o IPTU. Note que o objetivo aqui é ter recursos à mão para que, no caso de uma emergência (acidente, perda do emprego etc.), você tenha de onde sacar para pagar as contas;
Considero saldos existentes em outras aplicações? Claro, desde que estes possam ser facilmente transformados em dinheiro. Assim, se você já tem recursos guardados na poupança ou outro tipo de fundo, a soma destes saldos reduzirá a necessidade de novos aportes. Mas atenção: evite incluir investimentos que dependam de um mercado para venda ? caso de imóveis, ações, entre outros ? pois nada garante que as condições do mercado estarão favoráveis no momento que você precisar dos recursos;
O acesso aos recursos deve ser fácil? Sim, mas não tão fácil que acabe embolado com suas contas do dia a dia. Uma sugestão que funciona razoavelmente bem é ter outra conta bancária (ou conta poupança), que será utilizada exclusivamente para este fim. De preferência, esqueça que tal conta existe, lembrando-se dela apenas para o caso da emergência surgir. Ah sim, trocar de carro ou contratar uma viagem não são exemplos de emergência, combinado?;
Devo me preocupar com a rentabilidade? Não, pois a tônica aqui é ter um seguro. Dê preferência à rapidez com que você irá transformar seu fundo de emergência em dinheiro. O custo não sairá tão alto assim e você garante que o dinheiro poupado estará disponível quando precisar dele.
Concluindo, na atual conjuntura, vejo três grupos bem definidos:
*Os que não vivem nenhuma situação de emergência, estando empregados. Para estes, a indicação é formar o fundo de emergência o mais rápido possível;
*Os que já vivem emergências, mas formaram seus próprios fundos há tempos. Para estes, a indicação é resgatar os recursos conforme as necessidades surjam e, quando a situação melhorar, recompô-los gradativamente;
*Os que já vivem emergências, mas não contam com um fundo deste tipo. Neste caso, a urgência é máxima. Uma sugestão é procurar livrar-se de bens que possam sair de seus patrimônios, para formar rapidamente suas reservas financeiras. Lembre-se que a tempestade vai passar e você terá novas oportunidades de reaver aquilo que optou por vender.
***
Roberto Zentgraf é consultor em Finanças Pessoais e colunista do portal ?Você Faz Acontecer? – site de educação e organização financeira do grupo Losango.





