/
/
O marketing de influência acabou?

O marketing de influência acabou?

Michel Alcoforado detalha como o consumidor assume o protagonismo de reinventar os produtos das marcas no marketing de reverberação.
Legenda da foto

A influência acabou? Já tem um tempo que as empresas reduziram seus investimentos no marketing de influência, que utiliza influenciadores e criadores de conteúdo em redes sociais para divulgar e promover a venda de seus produtos. Além disso, o recente caso da prisão de Deolane Bezerra – em operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro de jogos ilegais em Pernambuco – gerou o questionamento se o impacto desses influenciadores é, de fato, positivo sobre os consumidores e usuários.

Mas acontece que os influenciadores seguem muito presentes na vida das pessoas nas redes. Segundo pesquisa do Grupo Consumoteca, 71% da população brasileira segue influenciadores nas redes sociais, enquanto 45% se declaram fãs. Na roleta do follow, os influencers só perdem para amigos (64%) e familiares (59%) na ordem de prioridade.

“Mesmo a Geração Z, que vinha questionando esse tipo de compra, ou a classe A, que teoricamente teria mais capacidade de tomar decisão sozinha, apresenta uma onipresença da conexão dos influenciadores com o consumidor”, aponta Michel Alcoforado, antropólogo e sócio-diretor do Grupo Consumoteca.

No CONAREC 2024, o especialista apresentou o painel “Marketing de reverberação: a nova fronteira da influência e conexão” e mostrou que, na ressaca do marketing de influência, reina quem conseguir reverberar a marca com o público.

Essa tal de reverberação

Marketing de reverberação, conceito cunhado por Michel, traz uma nova proposta para o uso de influenciadores na propagação de um produto ou serviço. Segundo o antropólogo, por muito tempo as empresas usaram os criadores de conteúdo como “conceito + mídia”, ou seja, como formato e veículo da mensagem – como a publicidade é feita tradicionalmente. No entanto, isso levou à chamada ressaca do marketing de influência.

“A ressaca acontece por dois motivos: porque bebeu demais ou porque bebeu de forma errada. Mais do que nunca, os influenciadores serão importantes, e as empresas não lidaram com excesso de investimento, mas de maneira equivocada”.

Prova disso está no fato de que, segundo a pesquisa da Consumoteca, 78% dos consumidores já compraram algum produto por causa de um influenciador. Além disso, 55% afirmaram se sentirem mais confiantes ao se basearem em um influencer para tomar suas decisões de compra.

“Com os influenciadores, achamos que resolvemos o problema do ‘conceito + mídia’, mas é essa maneira de usar o influenciador que é o problema”, define Michel.

Aprendizado e visão de mundo

Segundo os consumidores brasileiros, seguir um influenciador nas redes sociais tem três principais objetivos:

  1. Aprender sobre algo novo (56%);
  2. Mudar a visão de mundo (44%);
  3. Comprar algum produto (36%).

“Ou seja, os influenciadores servem para vender produtos, mas só depois de ensinarem e mudarem a visão de mundo dos consumidores”, resume Michel Alcoforado. “O processo de compra se transformou. As pessoas não compram mais coisas para ver o processo de compra, mas para ter a possibilidade de se inventarem de maneira diferente a partir do que compraram”.

Segundo Michel, isso significa que os produtos devem, antes de mais nada, ter um valor de conversa – ou seja, o quanto as pessoas tem interesse em falar sobre aquele item. “Como as marcas entram nisso? A indústria e o consumidor entram de igual para igual nessa jogada, e isso enlouquece o seu CMO. Quando o produto chega para o cliente, ele o desconstrói e refaz ad infinitum”.

No CONAREC, ele deu o exemplo da Lacoste. A marca, amada pela periferia e pelos MCs, que frequentemente citam o apelido “Lalá” em suas composições, deixou de resistir seu apelo a esse público e até nomeou uma de suas lojas como “Lalá”, num convite claro de que os consumidores da periferia eram bem-vindos à marca.

Outro exemplo é o protetor labial da Carmed em parceria com a Fini, que deu uma nova cara para uma tendência das décadas de 1990 e 2000 com um novo produto que gerou conversas sobre a falta do item nas farmácias, novos sabores e, claro, parceria com influenciadores, como Maysa e Larissa Manoela.

“O produto só vai existir se for capaz de gerar conversa”, explica Michel. “Um produto pode ser facilmente copiável. O que define é a roda de conversa na qual está inserido, e isso só é possível devido ao marketing de reverberação”.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Tatiane Tiemi, CEO da GPTW Brasil
GPTW revela as Melhores Empresas para Trabalhar no varejo
Empresas reconhecidas registraram crescimento de 16% no faturamento e ampliaram a participação feminina em cargos de liderança.
Reconhecida como a dama da hotelaria brasileira, Chieko Aoki compartilha sua visão sobre liderança, hospitalidade e a importância das relações humanas nos negócios.
Vida de CEO: A hospitalidade de Chieko Aoki
Reconhecida como a dama da hotelaria brasileira, Chieko Aoki compartilha sua visão sobre liderança, hospitalidade e a importância das relações humanas nos negócios.
.Novela Três Graças dialoga diretamente com a GenZ, embarcando nos memes, em personagens marcantes e em narrativas que se aproximam.
O que “Três Graças” revela sobre a relação da GenZ com a cultura brasileira
Novela dialoga diretamente com a GenZ, embarcando nos memes, em personagens marcantes e em narrativas que se aproximam de experiências reais.
Consumidor do futuro é sedento de experiência e conexão
Consumidor do futuro busca mais conexão emocional, experiências imersivas e sensação de pertencimento frente ao avanço da IA.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.