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Para ter relevância, marcas precisarão inspirar transformação

Para ter relevância, marcas precisarão inspirar transformação

Pesquisa global mostra que consumidores esperam empresas mais presentes em suas jornadas de aprendizado e reinvenção
Foto: Shutterstock
A Inteligência Artificial está mudando o que consumidores esperam das marcas. Pesquisa global da dentsu, realizada com 30 mil pessoas em 25 países, mostra que empresas serão cada vez mais cobradas por apoiar jornadas de evolução pessoal, oferecer experiências personalizadas e agir com autenticidade. No Brasil, o estudo revela uma visão otimista sobre a IA, vista como ferramenta para reinvenção profissional, empreendedorismo e melhoria da qualidade de vida.

A Inteligência Artificial está mudando o que os consumidores esperam das marcas. Mais do que oferecer produtos e serviços, as empresas passam a ser cobradas por um papel mais relevante na vida das pessoas.

Essa é uma das principais conclusões do Consumer Vision: Mothers of Reinvention, estudo da dentsu realizado com 30 mil consumidores em 25 países, incluindo o Brasil. O levantamento indica que, nos próximos anos, a vantagem competitiva das empresas estará menos ligada à conveniência e mais à capacidade de gerar conexão, significado e experiências alinhadas aos objetivos pessoais de cada consumidor.

Os números ajudam a explicar essa mudança. Oito em cada dez consumidores (81%) afirmam que gostariam que suas compras fossem mais do que uma transação e contribuíssem para seu desenvolvimento pessoal. Ao mesmo tempo, 87% dizem que as marcas mais memoráveis serão aquelas capazes de ajudá-los a evoluir, enquanto 78% afirmam ter cada vez menos paciência para mensagens genéricas.

“O que se destaca nas conclusões deste ano é que os consumidores não esperam apenas que as marcas se tornem mais inteligentes e ágeis; eles buscam marcas que possam ajudá-los a progredir pessoalmente e a perseguir suas ambições. Há um desejo crescente de se reinventarem, com as marcas fornecendo inspiração e orientação ao longo dessa jornada”, afirma Beth Ann Kaminkow, CEO Global de Business Intelligence da dentsu.

Além da pesquisa quantitativa, a dentsu entrevistou 20 especialistas e futuristas nas áreas de sociologia cultural, psicologia do consumidor e regulamentação da inteligência artificial para identificar as principais tendências que devem moldar o comportamento de consumo entre os próximos cinco e dez anos.

Da personalização ao propósito

O estudo aponta que a IA está mudando a lógica da personalização. Os consumidores esperam que a tecnologia contribua para ampliar habilidades, facilitar aprendizados e criar experiências realmente adaptadas aos seus objetivos.

Esse cenário também aumenta a pressão sobre as empresas. Segundo a pesquisa, nove em cada dez consumidores afirmam que, quanto mais personalizados forem os algoritmos, maior será a importância de as marcas demonstrarem coerência entre discurso, valores e ações.

A transformação também já influencia a visão dos executivos de marketing. Em outro levantamento da dentsu, o CMO Navigator – Media Edition, 56% dos CMOs globais disseram acreditar que, dentro de cinco anos, a maior parte da receita de suas empresas virá de produtos e serviços que ainda nem existem.

No Brasil, IA é vista como ferramenta de reinvenção

No Brasil, os resultados revelam um otimismo acima da média em relação ao potencial da inteligência artificial para impulsionar mudanças de vida e crescimento profissional.

Segundo o estudo:

  • 64% dos brasileiros têm interesse em mudar de carreira.
  • 73,25% afirmam estar tentando transformar talentos, criatividade ou paixões em sua principal fonte de renda.

A pesquisa também mostra elevada expectativa em torno da personalização proporcionada pela IA. Entre os entrevistados brasileiros:

  • 87,75% acreditam que será possível contar com agentes pessoais de IA capazes de gerar respostas alinhadas ao histórico e às preferências individuais.
  • 81% esperam que a tecnologia consiga traduzir conteúdos em tempo real preservando estilo, intenção e personalidade.

Na saúde, o otimismo também é elevado. Noventa e um por cento acreditam que tecnologias baseadas em IA serão capazes de detectar precocemente doenças e sinais de estresse emocional, enquanto 86,25% esperam que os avanços tecnológicos reduzam os impactos do envelhecimento ao longo da próxima década.

Para Marília Gallindo, diretora de Estratégia da dentsu Brasil, a pesquisa mostra que a inteligência artificial começa a reorganizar a relação entre consumidores, marcas e tomada de decisão.

“O brasileiro demonstra uma visão bastante pragmática e otimista sobre esse cenário, enxergando a IA como ferramenta de ascensão pessoal, reinvenção profissional e ampliação de possibilidades”, afirma.

Tendências para o futuro do consumo

Além dos dados sobre comportamento, o estudo identifica quatro movimentos que devem orientar as estratégias das empresas nos próximos anos.

O primeiro deles é a consolidação dos chamados sistemas simbióticos, em que agentes de inteligência artificial passam a representar consumidores em diferentes ambientes digitais, tornando-se novos interlocutores das marcas.

Outra tendência é a valorização da criatividade humana. Em um ambiente inundado por conteúdos produzidos por IA, originalidade e autenticidade tendem a ganhar ainda mais importância.

O relatório também aponta que o consumo passa a refletir projetos de vida. Em vez de comprar apenas para atender necessidades imediatas, as pessoas passam a escolher produtos e serviços de acordo com quem desejam se tornar.

Por fim, a dentsu avalia que as empresas deixarão de competir apenas pela preferência do consumidor e passarão a disputar relevância como “marcas-guia”: organizações capazes de orientar pessoas em momentos de mudança, oferecendo apoio, inspiração e experiências alinhadas às suas aspirações.

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