A Geração Z tem demonstrado maior preocupação com a organização financeira, mas ainda investe pouco na construção de uma reserva para a aposentadoria. Segundo o Mapa da Inadimplência de maio de 2026, da Serasa, jovens entre 18 e 25 anos representam 11% do total de inadimplentes no País, a menor participação entre as gerações. Ao mesmo tempo, o Raio X do Investidor Brasileiro 2026, da Anbima, mostra que apenas 12% da Geração Z já iniciou uma reserva financeira para a aposentadoria, enquanto 66% afirmam que pretendem fazê-lo no futuro.
Esse cenário, porém, não significa falta de interesse dos jovens pelo mercado financeiro. Segundo a própria Anbima, 36% das pessoas da Geração Z são investidoras, percentual próximo ao registrado entre millennials (38%), Geração X (35%) e boomers (33%).
Para Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência, o desafio é levar o maior cuidado com as finanças do dia a dia para decisões de longo prazo.
“A previdência não deve ser encarada como uma decisão para quem está próximo da aposentadoria, mas como uma ferramenta de planejamento financeiro desde o início da vida profissional. Quanto mais cedo a pessoa começa, mesmo com aportes menores, maior tende a ser o potencial de acumulação no longo prazo”, afirma.
Segundo Scripilliti, é preciso considerar a realidade de quem está entrando no mercado de trabalho. “A discussão precisa chegar de forma acessível, didática e compatível com a realidade financeira de quem está começando, muitas vezes com renda variável, primeiro emprego ou trabalhos autônomos.”

Aposentadoria não é o único objetivo
A distância entre a organização financeira do presente e o planejamento da aposentadoria está ligada, na avaliação de Rafael Barroso, superintendente sênior da Bradesco Vida e Previdência, à própria fase de vida da Geração Z. Para quem está entrando no mercado de trabalho, a aposentadoria ainda parece distante e disputa espaço com necessidades mais imediatas.
“O desafio é justamente conectar essas duas dimensões. A previdência precisa ser apresentada não apenas como uma solução para o futuro, mas como uma ferramenta de construção de patrimônio, autonomia e liberdade de escolha ao longo da vida.”
A mudança passa também pela forma como o produto é apresentado. O executivo defende mostrar como pequenas decisões tomadas no início da vida profissional podem contribuir para a formação de patrimônio. “Isso passa por linguagem menos técnica, jornadas digitais intuitivas e soluções que incentivem a formação de patrimônio desde cedo”, afirma.
Uma das iniciativas a esse público desenvolvida pelo banco é o Prev Jovem, que tem como proposta aproximar a previdência das primeiras etapas da vida financeira. “Mais do que digitalizar produtos, buscamos reduzir a complexidade do tema e oferecer uma experiência que combine autonomia, conveniência e orientação para decisões de longo prazo”, conta.
Renda variável muda a forma de pensar o futuro
A entrada no mercado de trabalho também ajuda a explicar essa dificuldade. Para se ter uma ideia, em 2025, o País tinha 26,1 milhões de trabalhadores autônomos, alta de 2,4% em relação ao ano anterior, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Assim, a busca por estabilidade profissional e financeira, e a relação mais dinâmica com o trabalho também interferem na construção de uma reserva de longo prazo.
Na prática, jovens com renda variável ou que alternam entre diferentes modelos de contratação podem enfrentar dificuldades para manter uma contribuição fixa ao longo da trajetória profissional.
Nesse sentido, Barroso aponta a flexibilidade como um dos elementos necessários para aproximar a previdência dessa geração. “A previdência deve permitir ajustes ao longo do tempo, respeitando a capacidade financeira de cada momento sem perder a perspectiva de longo prazo.”
Segundo ele, os planos de previdência atuais permitem pausar contribuições, ajustar a estratégia de investimentos e escolher a idade e o momento mais adequado para começar a receber uma renda. “Mais importante do que esperar as condições ideais é começar de forma possível e construir consistência ao longo da trajetória”, afirma.

IA aproxima planejamento e perfil do cliente
A tecnologia é outra frente dessa transformação. A Inteligência Artificial e a análise de dados podem ajudar a compreender diferentes perfis e oferecer experiências mais personalizadas.
Na Bradesco Vida e Previdência, um exemplo é uma solução de IA generativa desenvolvida para apoiar os corretores de seguros. “A IA amplia nossa capacidade de compreender perfis, organizar informações e oferecer experiências mais aderentes às necessidades de cada cliente”, afirma Barroso.
“Vemos a tecnologia como uma ferramenta para simplificar escolhas e tornar a jornada mais eficiente, sempre combinada à orientação especializada e à relação de confiança que são essenciais em decisões de longo prazo”, complementa.





