Preço da venda ou do aluguel, distância do trabalho, transporte público próximo, comércio por perto, segurança e, por que não, lugares usados para correr ou pedalar?
O checklist para escolher onde morar está ganhando um item inesperado. O Strava, aplicativo conhecido por registrar corridas, pedaladas e caminhadas, já está sendo usado por algumas pessoas para entender quais regiões de uma cidade podem ser boas para viver.

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A ideia começou a chamar atenção depois que um mapa de calor do Strava em Chicago, nos EUA, viralizou nas redes sociais. A ferramenta reúne os registros de GPS dos usuários e mostra os lugares com maior número de atividades. Quanto mais pessoas passam por uma região correndo, pedalando ou caminhando, mais “quente” ela aparece.
Mas alguns usuários começaram a enxergar outra informação no mapa, porque onde as pessoas escolhem correr por lazer diz muito sobre a cidade. Parques, ciclovias, calçadas planas, arborização, ruas agradáveis e sensação de segurança são características que podem fazer uma região concentrar atividades físicas, mas também estão entre os fatores considerados por muita gente na hora de escolher um bairro para morar.
De mapa de corrida a mapa da cidade
Essa correlação não é uma percepção exclusiva das redes sociais. Um estudo de 2023 realizado em Boston, nos Estados Unidos, cruzou dados de corrida do Strava com características das ruas e identificou que corredores tendiam a preferir locais percebidos como acessíveis, abertos, limpos e seguros, principalmente aqueles com presença de elementos naturais.
Sendo assim, e se o mapa do Strava também pudesse funcionar como um atalho para conhecer uma cidade e decidir onde morar?
Há, claro, diversas limitações. O mapa não representa toda a população, até porque nem todos praticam atividades físicas e, dos que praticam, nem todos registram seus treinos no aplicativo. Por isso, não pode ser lido como um ranking dos melhores lugares para viver. O público que utiliza o aplicativo, pode, inclusive, carregar vieses socioeconômicos, etários e de gênero.
Ainda assim, são muitos rastros. O Strava reúne hoje cerca de 200 milhões de usuários em mais de 185 países, que enviam aproximadamente 51 milhões de atividades por semana.
Essa moda pega no Brasil?
Por aqui, essa nova maneira de olhar para o aplicativo pode encontrar um terreno fértil. O Brasil é o segundo maior mercado do Strava no mundo, segundo a plataforma.

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E a relação dos brasileiros com o aplicativo está ficando cada vez mais social. De acordo com o Relatório de Tendências Esportivas de 2025 do Strava, o número de clubes no País cresceu oito vezes em apenas um ano.
A empresa afirma que esse movimento está transformando a plataforma em um espaço de conexão e pertencimento que ultrapassa o acompanhamento individual de desempenho.
O mercado brasileiro é tão relevante que o Strava vem adaptando o produto aos hábitos locais. Em fevereiro deste ano, por exemplo, passou a aceitar PIX para o pagamento da assinatura.
E o mapa de calor já faz parte dessa experiência. Oficialmente, o recurso serve para destacar rotas utilizadas pela comunidade e ajudar na descoberta de caminhos populares.
Em São Paulo, por exemplo, o mapa destaca os arredores da USP e, principalmente, o entorno do Parque Ibirapuera, regiões valorizadas e disputadas por parte da população para morar.

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Por enquanto, ninguém está dizendo que o brasileiro vai abandonar o corretor de imóveis para escolher moradia pelo Strava. Mas público para testar essa nova utilidade do aplicativo, definitivamente, temos.





