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Até que ponto o consumidor está mais consciente?

Até que ponto o consumidor está mais consciente?

Estudo do Procon-SP destaca que 48% consumidores não escolhem produtos e serviços com base nas práticas sociais e ambientais do fabricante.
O estudo do Procon-SP destaca a importância da conscientização e ação coletiva para o consumidor ser mais consciente.
O estudo do Procon-SP destaca a importância da conscientização e ação coletiva para o consumidor ser mais consciente.
Shutterstock

Um consumidor consciente tem que repensar seus hábitos de consumo para promover um estilo de vida mais equilibrado e sustentável. Em suma, consumir conscientemente envolve levar em consideração, na hora de comprar um produto ou adquirir um serviço, o impacto de nossas escolhas no meio ambiente, economia e sociedade.

Para fazer escolhas responsáveis, é essencial se informar e priorizar produtos duráveis e éticos, produzidos de forma sustentável. Praticar o consumo consciente contribui para a preservação dos recursos naturais e a redução do desperdício, incentivando a reflexão sobre a real necessidade dos itens adquiridos e a busca por alternativas mais sustentáveis.

Fato é que o aumento do consumo desenfreado tem gerado sérias consequências para o meio ambiente, contribuindo para desastres naturais e devastação de ecossistemas sensíveis. Um exemplo disso está na enchente do Rio Grande do Sul, que afetou 2,3 milhões de pessoas.

Consumidor x Crise climática

Um estudo científico publicado recentemente mostra que a interferência humana no clima, juntamente com a carência de infraestrutura, dobrou as chances e elevou a intensidade da tragédia acontecer em uma margem de 6% a 9%.

Atualmente, a temperatura do planeta está 1,1ºC mais elevada do que na era pré-industrial. Essa diferença pode parecer insignificante, mas equivale a Terra absorver a cada segundo uma quantidade de calor e energia equivalente a quatro bombas de Hiroshima. Fato é que essa potente quantidade de calor e energia pode desencadear fenômenos naturais significativos e afetar a biodiversidade do nosso planeta. O aumento da temperatura global é consequência direta das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Consumo: causa do aquecimento

Estudos da World Wide Fund for Nature (WWF) apontam que os seres humanos são a principal causa da crise climática. Em outras palavras, 90% do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010 é atribuído às ações humanas. Estas ações incluem a queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, atividades industriais e de transporte, mudanças no uso do solo e práticas agropecuárias, entre outras fontes.

Então, a pergunta é: se somos parte do problema, como consumidores, até que ponto estamos preocupados em ser a solução? Em outras palavras, como está a nossa consciência com o que consumimos, vez que tudo requer recursos naturais para a produção?

Um estudo realizado pelo Procon-SP tem a resposta. O levantamento foi realizado com 1.560 consumidores que acessaram o site oficial da fundação em defesa do consumidor entre os dias 15 de abril e 7 de maio.

Diante dos recentes eventos climáticos no Rio Grande do Sul, a relevância do tema cresceu, ressaltando a importância de considerar o consumidor e suas práticas de consumo em todas as iniciativas de conscientização.

O levantamento abordou 19 perguntas sobre temas como destinação de resíduos domésticos, reciclagem, uso consciente de água e energia elétrica, além de responsabilidade social.

Os principais resultados são da “Pesquisa Comportamental: Hábitos de Consumo e Meio Ambiente” são:

Uso consciente de água e energia elétrica

A maioria dos consumidores (80%) afirmou que nunca deixa a torneira aberta ao escovar os dentes; 66% mencionaram que nunca deixam luzes acesas em ambientes desocupados; 84% utilizam lâmpadas LED para economizar energia e 59% costumam acumular roupas para passá-las de uma só vez.

Quanto ao tempo de banho, 51% admitiram que por vezes excedem os 10 minutos. Sobre reutilização da água da máquina de lavar, 36% afirmaram fazê-lo sempre e somente 28% nunca o fazem.

Destinação de resíduos

Dos entrevistados, 94% disseram se preocupar em descartar lixo adequadamente quando vão à praia, enquanto 57% sempre separam resíduos recicláveis em casa.

Apenas 25% costumam verificar se a embalagem é reciclável ao comprar um produto. Apenas 28% reutilizam essas embalagens, evidenciando a necessidade de mais atenção nesse aspecto.

Quanto ao retorno de baterias usadas, 41% nunca o fazem e 30% o fazem às vezes. A coleta seletiva está presente em 59% das ruas/bairros dos entrevistados, porém 32% afirmaram não ter essa opção, dificultando políticas de reciclagem.

Responsabilidade nas decisões de consumo

Quando escolhem produtos, 48% dos consumidores nem sempre consideram as práticas ambientais e sociais do fabricante; 22% nunca consideram e 30% sempre estão atentos a esses aspectos.

Conclusões

Os consumidores demonstram consciência sobre o uso consciente de água e energia, porém é desafiador definir o limite entre a racionalização por motivos financeiros, ambientais ou ambos.

A falta de coleta seletiva impacta o descarte adequado de resíduos recicláveis. Apesar da corresponsabilidade na destinação sustentável, os consumidores ainda enfrentam desafios na devolução de certos resíduos.

É fundamental desenvolver tecnologias viáveis para o reaproveitamento de resíduos, além de promover maior conscientização entre todos os envolvidos no processo. Por fim, os pesquisadores da Escola de Proteção e Defesa do Consumidor do Procon-SP destacaram que é indiscutível o empenho de algumas organizações do governo e da iniciativa privada nas questões socioambientais. “Mas muito ainda há por fazer para que se alcancem resultados efetivos”.

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