A cultura consumista criou, especialmente no setor de vestuário, razões para que os consumidores visitassem as lojas semanalmente e, com muita frequência, adquirissem muito mais produtos do que são capazes de utilizar. Não à toa, blogueiras ganharam fama no Brasil e no mundo ao assumir uma posição radical de não comprar mais nada e viver por meses (ou até um ano) sem repetir roupas, postando nas redes sociais um look novo por dia. Até onde podem ir nossos delírios de consumo…
Como todo movimento gera uma resposta no sentido oposto, existem empresas que estão apostando em formas mais racionais de consumo de produtos. Em Amsterdã, na Holanda, a LENA é uma ?biblioteca fashion?, em que a cliente retira uma quantidade limitada de produtos e pode ficar com eles pelo tempo que desejar. Quando quiser novos artigos, basta devolver os anteriores.
Ao mesmo tempo em que esse modelo de negócios atende aos desejos dos clientes de terem produtos novos à disposição, evita a construção de um novo closet em casa. Para evitar o consumo excessivo, a LENA opera sob um modelo de assinaturas, pelo qual a cliente tem acesso a todo o mix de roupas vintage e de designers famosos. Cada produto ?custa? uma certa quantidade de pontos, e cada cliente tem um saldo de pontos segundo o plano de assinatura que contrata. No caixa, após escolher os produtos, a cliente tira de sua bolsa um cartão e debita os pontos das peças que escolheu. Ao trazer roupas para a loja, a cliente soma pontos ao seu saldo.
E, caso você encontre aquela blusa irresistível, é possível comprá-la, claro!
A loja da LENA conta atualmente com 1.200 itens disponíveis em estoque, e outros 500 distribuídos entre os consumidores. Suzanne Smulders, uma das quatro fundadoras da marca, disse recentemente à revista Fast Company, que sua visão de futuro inclui a possibilidade de alguém sair de férias apenas com uma mala de mão e o cartão da loja, para retirar na unidade LENA mais próxima as roupas de que precisar. ?O excesso de consumo é um dos maiores problemas da nossa sociedade. Deveria haver um foco maior em produção artesanal e na qualidade, para termos artigos que durem muito e que possamos compartilhar?, acredita.
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