A Claro acaba de comprar o controle da Desktop, provedora de internet com forte atuação no interior de São Paulo, em uma operação avaliada em cerca de R$ 4 bilhões. O acordo foi fechado com os atuais controladores da empresa, o fundo Makalu Brasil Partners e os fundadores.
Na prática, a operadora leva cerca de 73% da Desktop, o que corresponde a 84,6 milhões de ações. O negócio ainda depende de aprovação do Cade e da Anatel, mas já sinaliza que o mercado de banda larga está mudando. Após a conclusão da operação, a companhia deverá lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os acionistas minoritários, pelo mesmo valor por ação.
Fundada em 1997, a Desktop soma 1,2 milhão de clientes e, após o seu IPO em 2021, se consolidou como um dos principais provedores regionais de banda larga fixa do País.
Considerando a dívida líquida, o valor de equity da transação gira em torno de R$ 2,4 bilhões. Após o anúncio da Claro, as ações da Desktop dispararam mais de 25% nesta segunda-feira (23).
Nos últimos anos, provedores regionais como a Desktop cresceram justamente onde as grandes teles tinham dificuldade de chegar. Com expansão da fibra óptica, atendimento mais próximo e presença fora dos grandes centros, essas empresas ganharam espaço e clientes.
Mudanças à vista
Com a aquisição, a Claro amplia sua presença em regiões estratégicas e fortalece sua rede de fibra, chegando a 12 milhões de clientes em banda larga. Ao mesmo tempo, dá mais um passo rumo à consolidação do setor.
Em outras palavras: as grandes estão indo às compras.
E isso acontece porque manter e expandir redes de fibra exige investimento alto, escala e eficiência. Para muitos provedores menores, competir nesse cenário fica cada vez mais difícil.
E a experiência?
Foi justamente a ascensão dos provedores regionais que elevou o nível da experiência em muitas cidades. Atendimento mais ágil, mais proximidade e, em alguns casos, melhor percepção de qualidade.
Quando esses players passam a fazer parte de grandes grupos, surge uma dúvida: essa experiência melhora ou se perde? De um lado, entram mais investimento, tecnologia e capacidade de expansão. Do outro, existe o risco de padronização e distanciamento do cliente.
O que está em jogo não é só infraestrutura, mas a relação com o consumidor.





