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Governo suspende plano da Caixa de lançar plataforma de apostas

Governo suspende plano da Caixa de lançar plataforma de apostas

Pressão política e preocupação com imagem pública adiam projeto da “bet” estatal; 17,7 milhões de brasileiros já apostaram em 2025, e governo endurece o combate a sites ilegais.
Governo suspende plano da Caixa de lançar plataforma de apostas
Foto: Shutterstock.com
A Caixa suspendeu o lançamento de sua plataforma de apostas esportivas após pedido do presidente Lula, que temeu desgaste político e críticas da oposição. O projeto, previsto para 2026 e com potencial de arrecadar R$ 2,5 bilhões, enfrenta divergências dentro do governo. Apesar do recuo, a proposta segue em debate, dividindo opiniões entre controle estatal e riscos à imagem do Executivo.

A Caixa Econômica Federal vai adiar o lançamento de sua plataforma própria de apostas esportivas. O projeto vinha sendo tratado internamente como uma nova frente de arrecadação bilionária. A decisão foi tomada após determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu a suspensão da iniciativa diante do desgaste político e das críticas da oposição.

O plano era anunciar a plataforma ainda em 2025, com previsão de operação em 2026, o que poderia gerar até R$ 2,5 bilhões em receitas. A proposta, no entanto, encontrou resistência dentro do próprio governo. Integrantes da equipe econômica e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência avaliaram que a medida seria contraditória em um momento em que o Executivo tenta endurecer a regulação do setor de apostas e aumentar a tributação sobre as chamadas bets.

Irritação presidencial e disputa interna

Durante viagem à Ásia, em outubro, Lula demonstrou irritação com as críticas que a ideia da “bet estatal” vinha gerando e prometeu cobrar explicações do presidente da Caixa, Carlos Vieira. De volta ao Brasil, ambos se reuniram, e o banco foi orientado a recuar temporariamente.

Porém, técnicos da Caixa defendem que quase metade das apostas feitas no País ocorrem em sites estrangeiros sem autorização. E, assim, não recolhem impostos e reduzem a arrecadação nacional. Segundo a estatal, a participação da Caixa poderia trazer mais controle e segurança aos apostadores, além de recuperar receitas das loterias federais, cuja arrecadação teria caído cerca de 50% com a popularização das apostas online.

Em abril deste ano, o Ministério da Fazenda havia divulgado uma lista de empresas que estavam autorizadas a explorar modalidade lotérica de aposta de cota física em âmbito nacional, conforme o disposto nas Leis nº 13.756, de 12 de dezembro de 2018, nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, e na regulamentação do próprio MF. A Caixa estava na lista, autorizada a operar com as seguintes plataformas: Betcaixa, Megabet e Xbet Caixa. Porém, os três sites utilizados pela instituição estavam fora do ar até a tarde desta sexta-feira (7).

Expansão e regulação do mercado

De acordo com o Ministério da Fazenda, o mercado de apostas esportivas de quota fixa segue em franca expansão. Somente no primeiro semestre de 2025, 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas nessa modalidade. Paralelamente, o governo intensificou a fiscalização: mais de 15 mil sites ilegais foram bloqueados no período. A ofensiva busca coibir o funcionamento de plataformas sem autorização e garantir a arrecadação de tributos devidas.

Apesar da suspensão, a discussão sobre a entrada da Caixa no setor ainda não está encerrada. Enquanto parte do governo defende cautela para evitar contradições em meio à agenda de regulação, outra ala argumenta que o banco público poderia atuar como um “player ético” em um mercado que cresce rapidamente e movimenta bilhões. Por ora, o projeto da “bet estatal” permanece no limbo entre o interesse econômico e o risco político.

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