A ByteDance, dona do TikTok e CapCut, e hoje uma das forças mais influentes no ecossistema digital, desencadeou um verdadeiro frenesi entre consumidores chineses ao apresentar, no início deste mês, um protótipo de smartphone equipado com um Agente de IA.
O aparelho, capaz de agir de forma autônoma em tarefas complexas, como comparar preços entre diferentes apps, realizar buscas, selecionar produtos ou interagir com serviços sem intervenção humana, teve 30 mil unidades reservadas em apenas 30 horas.
O impacto no consumo é grande, uma vez que usuários não querem mais apenas conversar com chatbots, mas sim delegar ações completas, interpretar imagens, gerar conteúdo visual e resolver tarefas reais do dia a dia.
Doubao consolida liderança em IA na China
O lançamento do protótipo acontece em meio à ascensão meteórica do Doubao, aplicativo multifuncional da própria ByteDance. A plataforma agrega chatbot, criação de fotos, edição de vídeo e assistente multimodal e já se consolidou como a ferramenta de IA móvel mais popular da China.
Em outubro, o Doubao registrou 11,4 milhões de downloads, mais de cinco vezes o volume da DeepSeek (2,2 milhões), segundo dados da Bloomberg Intelligence. A força do app e do ecossistema de IA contribui para o valuation da ByteDance, hoje estimado em cerca de US$ 480 bilhões.
A tração também se confirma no uso recorrente, segundo dados da Aicpb.com:
- Doubao: 159 milhões de usuários ativos mensais.
- Yuanbao: 73 milhões.
- DeepSeek: 72 milhões
Nesse sentido, a ByteDance se tornou a principal empresa de aplicativos de IA para o consumidor na China, superando volumes de uso até mesmo da Tencent.
Protótipo chega primeiro via ZTE
Apesar da comoção em torno do smartphone, a ByteDance afirmou, em comunicado, que não pretende fabricar seus próprios aparelhos. A estratégia é outra, por meio de parcerias com fabricantes, replicando o modelo que o Google usou para espalhar o Android.
O primeiro parceiro será a ZTE, com o Nubia M153, equipado com o grande modelo de linguagem Doubao.
O movimento da ByteDance responde diretamente ao avanço de fabricantes chineses no desenvolvimento de recursos de IA embarcada, como Huawei e Xiaomi, enquanto a Apple ainda não disponibilizou o Apple Intelligence na China. A Alibaba, por sua vez, firmou parceria com a Apple para desenvolver soluções de IA localmente para iPhones vendidos no país.
Ou seja: há uma disputa aberta pelo domínio da IA agêntica embarcada, e a ByteDance não quer ficar de fora.
O que está em jogo?
O Nubia M153 funciona como um laboratório vivo para imaginar como smartphones equipados com agentes autônomos podem remodelar a produtividade no trabalho, operações de campo, tarefas repetitivas e estratégias de mobilidade corporativa.
Mas, para que esse futuro se consolide, será preciso superar desafios de confiança, segurança e governança. Temas que ainda travam a adoção corporativa de IA no mundo. Logo após o anúncio, demonstrações do empreendedor Taylor Ogan, de Shenzhen, viralizaram nas redes sociais. E rapidamente surgiram preocupações sobre o que uma IA “totalmente autônoma” poderia significar para a segurança do usuário.

Agentes de IA na vida real
Segundo pesquisa recente da Gartner:
- 88% das empresas já usam IA em alguma função de negócio, contra 78% no ano anterior.
- Mas a maioria ainda está em fase de testes ou experimentação.
- Apenas um terço diz estar escalando projetos de IA de forma consistente.
A promessa dos smartphones com IA agêntica é justamente acelerar essa passagem do “teste” para o “uso real”. O lançamento do protótipo aponta que o consumidor já mudou suas expectativas. Não se trata mais apenas de chatbots, mas de ferramentas que interpretam, geram, editam, planejam e executam atividades.
A ByteDance, que já ditou tendências no universo das redes sociais e da criação de conteúdo, agora mira o próximo capítulo: a era dos smartphones que agem por conta própria.





