As marcas que investiram em criadores de conteúdo durante a Black Friday tiveram desempenho significativamente superior no Instagram em 2024. É o que revela um levantamento da HypeAuditor, que analisou campanhas publicadas entre 1º de outubro e 15 de dezembro com hashtags relacionadas ao evento – como #blackfriday, #cybermonday, #blackweek, #blacknovember e #promoção.
O estudo mostra que os perfis de marcas registraram taxa média de engajamento de apenas 0,19%, número três vezes menor que o observado entre influenciadores. Mesmo assim, as empresas publicaram o dobro de posts em comparação com os criadores, sinalizando que o potencial da creator economy ainda está subaproveitado por grande parte das marcas.
“Muitas empresas ainda acreditam que campanhas com influenciadores são exclusivas de grandes players, mas os dados mostram o contrário. Trabalhar com criadores de nichos variados representa uma oportunidade real para negócios de qualquer porte que buscam conexão e performance em datas promocionais”, afirma Maria Marques, gerente de Marketing para América Latina da HypeAuditor.
Linguagem emocional e gatilhos de urgência
A análise textual das publicações reforça o papel da linguagem emocional nas campanhas de Black Friday. Criadores apostaram em mensagens diretas, apelando para gatilhos de urgência e escassez, com expressões como:
- “Só hoje”;
- “Últimas horas”;
- “Estoque limitado”.
Esses recursos despertam o FOMO (fear of missing out) e aceleram a decisão de compra. Termos como “frete grátis”, “cashback” e “até 90% off” também foram amplamente utilizados para reforçar benefícios concretos e valor percebido.
O formato também fez diferença: o Reels se consolidou como o principal motor de atenção e conversão em 2024. Vídeos curtos e dinâmicos permitiram:
- Storytelling rápido;
- Demonstração de produto;
- Comunicação emocional;
- Adaptação ao consumo mobile e ao scroll acelerado.
As marcas que apostaram em nomes de grande visibilidade, como Pichau, Chilli Beans, Mercado Livre e TV Globo, reforçaram o foco em alcance nacional.
Por outro lado, a tendência do mercado mostra uma mudança: diversificar o investimento entre vários criadores menores tem se mostrado mais eficiente em engajamento e conversão. É o marketing de influência como forma efetiva e estratégica.
O que isso nos mostra?
Dois pontos importantes relacionados a marcas e influenciadores nas redes sociais chama a atenção a partir desse estudo. Primeiro: muito do que engaja hoje não está mais associado ao caráter “inacessível” dos posts de grandes influenciadores. E a audiência já entendeu que seu ídolo pode ser muito bem pago, mesmo sem nunca ter usado ou testado um produto.
Segundo: as marcas estão muito mais atentas aos nichos nas redes e abertas aos pequenos influenciadores (algumas até criam programas para incentivar esses creators), que valorizam autenticidade e sabem produzir conteúdo relevante e direcionado para um público específico. E, claro, tudo com um budget bem menor.
Além disso, as estratégias das marcas nas redes estão cada vez mais influenciadas pelos algoritmos e por novas tecnologias, como a IA. Some tudo isso à necessidade de ser incrivelmente criativo e emocional, e você terá um dos grandes desafios do marketing na era digital: a perenidade.





