O brasileiro aposta pelo celular e quase exclusivamente por ele. Dados de tráfego de maio de 2025, levantados pela plataforma Aposta Legal, mostram que 98,7% dos acessos a sites de apostas legalizados no País aconteceram via dispositivos móveis, enquanto apenas 1,3% vieram de computadores.
Esse hábito ganha ainda mais força com a recente liberação dos aplicativos oficiais de apostas nas lojas da Google e da Apple, facilitando o acesso direto e contínuo às plataformas. Em maio, os sites de apostas autorizadas acumularam 2,12 bilhões de visitas no Brasil, com quase toda essa movimentação partindo de celulares.

Formas de acesso e engajamento nas bets
Ao todo, foram 173 milhões de dispositivos únicos no mês. O que, na prática, representa um alcance equivalente a cerca de 80% da população brasileira exposta a alguma bet. Grande parte dos acessos acontece de forma direta, com o usuário buscando ativamente uma casa de apostas. No entanto, uma fatia considerável também se origina de cliques em banners ou pop-ups que surgem automaticamente durante a navegação na internet.
Mesmo que parte do público de bets no Brasil acesse essas plataformas de forma indireta, ao abrir propagandas em navegadores, por exemplo, o engajamento é expressivo. Os dados de tráfego mostram que, em média, as mais de 2 bilhões de visitas gastam até 14 minutos de navegação por acesso, com 77% dos usuários explorando o conteúdo além da homepage. Esse engajamento registrado em maio é maior do que o último registro levantado pela plataforma Aposta Legal. Em fevereiro, o engajamento médio do brasileiro com sites legais de apostas era de 13 minutos.
Do navegador à loja de aplicativos
Vale reforçar que a nova política do Google, adotada em junho deste ano, permite que empresas com autorização do Ministério da Fazenda publiquem seus aplicativos na Play Store – algo inédito até então. Entre os primeiros aplicativos disponíveis estão Betano, Betnacional, Aposta Ganha, Superbet Apostas, Superbet Cassino, Bet7K, King Panda e o RDP (Rei do Pitaco).
Na App Store, o Rei do Pitaco também já está acessível, e outras operadoras aguardam aprovação. Ao que tudo indica, a movimentação marca uma virada no setor, que busca proporcionar experiências mais rápidas, seguras e integradas ao comportamento mobile do apostador brasileiro.
Jovem, educação e bets
Por outro lado, o hábito de apostas entre jovens no Brasil tem causado algumas preocupações sobre educação e o futuro do trabalho. De acordo com uma pesquisa recente da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), em parceria com o instituto Educa Insights, 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 35 anos adiaram o início de um curso de graduação devido aos gastos com apostas online.
O levantamento entrevistou mais de 11 mil jovens brasileiros em março de 2025. Veja os principais dados da pesquisa:
- 34% dos jovens deixaram de ingressar na faculdade em 2025 por causa dos gastos com apostas online.
- O impacto é ainda maior nas regiões Nordeste (44%) e Sudeste (41%).
- Entre os jovens das classes D e E (renda familiar média de R$ 1.000), 43% só conseguirão entrar no ensino superior se deixarem de apostar.
- Entre os já matriculados, 14% atrasaram mensalidades ou trancaram o curso devido ao vício em apostas.
- O percentual de apostadores frequentes subiu para 52% dos jovens, sendo que 45,3% gastam mais de R$ 350 por mês.
- O perfil mais afetado é de jovens trabalhadores, majoritariamente homens, das classes B e C, com filhos e idade entre 26 e 35 anos.
Outros impactos negativos
- 28% dos entrevistados deixaram de sair com amigos ou frequentar restaurantes por causa do dinheiro gasto em apostas.
- 24% pararam de praticar atividades físicas.
- 20,9% deixaram de investir em outros cursos, como idiomas.
Mais dinheiro, e rápido
Segundo uma outra pesquisa, essa da Asociação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, os motivos que levam os jovens a apostarem online são: a possibilidade de ganharem mais dinheiro e de forma rápida. Cerca de 40% dos jovens pesquisados disseram apostar para tentar “ganhar um dinheiro rápido” e 39% buscam “retorno alto” em pouco tempo.






