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A nossa atenção corre risco de extinção. Quem pode evitar esse apocalipse?

A nossa atenção corre risco de extinção. Quem pode evitar esse apocalipse?

Estamos viciados em informação rápida e superficial. Manter a atenção parece mais penoso. O Cannes Lions chamou a atenção para o problema. Confira
Legenda da foto

Os mais bem sucedidos aplicativos e plataformas de mídia social da atualidade são exemplos da arte de maximização da atenção superficial. Ao criarem ambientes especialmente desenhados para atrair usuários em uma espiral infinita de conteúdo banal e validação, fizeram algo semelhante a um vício. Uma espécie de distúrbio que ameaça quebrar os modelos de marketing, desestabilizar democracias e afrontar a humanidade. Embora haja marcas se beneficiando disso agora, elas precisam trabalhar juntas para criar um modelo mais estável no futuro que impeça que regulações excessivas sejam adotadas a ponto de ameaçar sua sobrevivência.

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No Cannes Lions, Scott Hagerdorn, CEO da Hearts & Science e Tristan Harris, Cofundador do Center for Human Technology do Google, discutiram como enfrentar o problema da maximização da atenção e como as Nações Unidas entendem a internet e buscam apontar formas de tornar o uso de apps e redes sociais mais aderentes a uma jornada moral coerente. O conteúdo foi debatido no painel: “Addicted to likes: Consumers in the Age of Armageddon Attention”. Será que realmente estamos vivendo uma época de implosão de nossa capacidade de atenção e, por extensão, somos mais suscetíveis a discursos simplificados?

Mentes distorcidas

Você acreditaria que nossa imersão nas redes sociais já afeta a nossa fisiologia? Essa é a premissa de Scott Hagerdorn, que apresentou Tristan Harris como um homem com consciência, “algo particularmente inusitado no Vale do Silício”. Scott entende que temos de nos distrair e respeitar a atenção dos usuários. No entender de Tristan, a mecânica das redes sociais e da tecnologia está moldando a mente das pessoas, de 2 bilhões de usuários todos os dias, incluindo comportamentos e escolhas. Para o líder do Human Center, ele entendeu rapidamente que a humanidade estava diante de um problema relativo ao consumo de atenção. Há pressão excessiva pela imersão em ambientes digitais, ao consumo de gifs, emojis, e à renúncia às experiências mais triviais de nossa vida. Quanto mais as redes sociais engajam as pessoas, mais as tornam viciadas nesse círculo voltado para curtir e almejar “validação social”.

Problema de saúde

O problema de saúde pública que foi gerado pela criação dessas bolhas de atenção atinge particularmente os adolescentes, mais suscetíveis a esse mecanismo de “validação social”. É inacreditável que acessemos apps de redes sociais 88 vezes por dia, em média, o que pode tomar até 5 horas de nosso tempo. Scott disse que diversas experiências e estudos realizados em grupos de controle que tinham esse comportamento padrão, de uso intensivo das redes sociais, mostraram que estamos nos envenenando lentamente.  Porque a ideia central dos apps sociais é criar ganchos e apelos que realmente nos manipulem e nos levem a acessá-los constantemente. A ideia é nos manter em fluxo, por isso os vídeos do YouTube surgem em sequência e o feed do Instagram e do Facebook são ilimitados, infinitos, para que os usuários tenham exposição exponencial à desinformação.

A TV é mais relaxante

Os estudos combinados de Scott e Tristan mostraram que nossa mente relaxa após 10 minutos de exposição diante da TV, mas fica mais excitada após 10 minutos nas redes sociais. “É uma nova situação, no qual os mais poderosos supercomputadores do mundo estão em nossa mente: o Google e o Facebook. E quando nos colocam diante de uma torrente incessante de informação superficial, ficamos como Garry Kasparov diante do Deep Blue, combalidos diante do fluxo incessante de informação que nos faz duvidar de nossa capacidade analítica”, argumentou Tristan Harris.

Nunca descansam

“Não há descanso no fluxo de informações de um Facebook. A ideia dessas plataformas é realmente prover um fluxo ininterrupto de informações para que possamos sempre as acessar para ver o que há de novo”, afirma Scott. É preciso urgentemente dimensionar o tamanho desse problema. E precisamos nos questionar se esse é o futuro que queremos para nós. Para Tristan Harris, iniciativas como a do Google e da Apple voltadas para alertar os usuários de uso excessivo e exagerado de aplicativos são bem-vindas. Estamos entrando na era da busca do bem-estar digital porque essas empresas perceberam que estes movimentos caminham na direção de negócios mais sustentáveis. Nesse contexto realmente preocupante, o que Scott e Tristan recomendam é que consumidores e empresas exijam demanda transparente e entrega de auditorias de uso de suas plataformas, que sejam testados modelos de inibição de uso intensivo dos apps, para evitar a solidão e a frustração de adolescentes, e, finalmente, juntar-se ao Human Center para manter essa conversação ativa. Segundo os palestrantes, é urgente rever a forma pela qual dedicamos nossa atenção à vida em geral e não ao vício poderoso representado pelo acesso indiscriminado às redes sociais.

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