Transformar atenção em valor de negócio é um dos maiores desafios da era digital. Mais do que criar conteúdo para redes sociais, trata-se de compreender como o cérebro reage a estímulos, de que forma histórias despertam emoções e como pequenas experiências podem se converter em confiança, engajamento e, no fim, em lucro.
O painel Neuro creator: atenção que vira lucro, realizado no CONAREC 2025, apresentado por Camila Santos, CEO da CamiX Customer, buscou compreender as estratégias e nuances por trás da captura dessa atenção. De forma leve e prática, a executiva traz uma visão de como a neurociência, o comportamento humano e a Creators Economy se cruzam para impactar negócios de diferentes setores.
Ampliando repertório e saindo da bolha
Inovação nem sempre é criar algo novo do zero. Como o restaurante japonês que só contrata pessoas com Alzheimer e fez sucesso nas redes sociais, já que o cliente pede e não sabe se o pedido chegará certo, ou o “caixa do bate-papo” para idosos na Holanda, muitas vezes, pensar fora da caixa e executar ideias inovadoras é muito mais simples do que pode parecer. Para Camila, “inovar nem sempre é mudar o produto, mas transformar o jeito de apresentá-lo”.
O convite é claro: “Ser interessado para ser interessante”, explica. Consumir conteúdos diferentes, observar contextos variados e experimentar outras vivências são formas de alimentar criatividade e aumentar relevância, se destacando no mercado.
Storytelling como chave de conexão
Ao tratar de narrativas, Santos é direta. “Comece com a dor, traga dados e feche com o chamado à ação”. Para ela, o melhor storytelling vai além de clareza intelectual: precisa cuidar da forma. Assim como os creators, as empresas precisam tratar conteúdos como experimentos. “Use, teste, arrisque e não esqueça de analisar números – creator também é analytics”, reforça.
Por outro lado, Camila também destaca o risco de utilizar apenas métricas isoladas. “Se você falar para o presidente da empresa que incrementou o storytelling e aumentou o NPS, ele não vai olhar apenas para o NPS pelo dado isolado.” O desafio, segundo ela, é conectar experiência diretamente a aquisição, retenção e receita. “Tente criar correlações, elas não vêm embaladas de presente”, comenta.
A Creator Economy, lembra, já movimenta cifras bilionárias. “Vai movimentar 480 milhões de dólares até 2027. E algum desses milhões, provavelmente, vai mexer no seu bolso, seja você consumindo ou gerando conteúdo.” “Eu prefiro estar do lado de quem gera conteúdo”, completa.
Presença como diferencial
Portanto, quando falamos de Neuro Creator, estamos falando de como marcar o seu cliente psicologicamente. Nesse sentido, Camila traz uma dica sobre o impacto da energia e da presença para garantir esse destaque: “Criar com presença, com emoção, pois é isso que vai fazer a diferença e trazer humanização”.
Camix conclui citando Schopenhauer, em uma frase que resume a lógica do Neuro Creator: “O segredo não é ver o que ninguém viu, mas enxergar diferente o que todos veem”. Para ela, é essa mudança de olhar que transforma a simples atenção em resultados concretos para marcas e negócios.





