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Altas temperaturas disparam consumo de energia elétrica

Altas temperaturas disparam consumo de energia elétrica

Onda de calor leva consumidores a buscarem alternativas ao ar-condicionado e reduzirem valor de contas durante condições climáticas atípicas.
Uma jovem mulher parece assolada pelo calor, e tem um ventilador ligado sobre sua mesa.
Uma jovem mulher parece assolada pelo calor, e tem um ventilador ligado sobre sua mesa.
Foto: Shutterstock.

As altas temperaturas no país estão fazendo com que nós, consumidores, aumentemos o consumo de energia elétrica. Ar-condicionado e ventiladores ligados por mais tempo além dos freezers e geladeiras trabalhando na potência máxima se tornaram realidade nos lares brasileiros.

Por consequência, em março de 2024, o consumo de energia elétrica em todo o Brasil foi de 47.810 GWh. O número representa uma alta de 4,6% na comparação com o período homólogo. Os dados constam na resenha mensal da Empresa de Energia Elétrica (EPE). Ademais, este foi o maior registro de consumo de energia elétrica em toda a série histórica.

O consumo acumulado dos últimos 12 meses foi de 540.564 GWh, alta de 5,6% na comparação com o período homólogo.

É importante destacar que a EPE elabora a resenha mensal desde 2004. Além desse relatório, a Empresa disponibiliza também o Boletim Trimestral e o arquivo com a série histórica referente ao Consumo Mensal de Energia Elétrica por Classe (regiões e subsistemas) a partir dos dados de consumo fornecidos mensalmente pelos agentes, por meio do Sistema de Acompanhamento do Mercado (SAM) e das reuniões da Comissão Permanente de Análise e Acompanhamento do Mercado de Energia Elétrica (Copam).

Mais energia elétrica para as residências

Os últimos dados apresentados mostram que o consumo maior esteve na classe residencial. Nela, o índice de expansão caiu para 9,1%, mas permaneceu cinco meses consecutivos nos dois dígitos. Indústria e comércio também cresceram.

Já o mercado livre de energia, que diz respeito ao ambiente de contratação, respondeu por 19.276 GWh. Consequentemente, isso equivale a 40,3% do consumo nacional de energia elétrica em março. Houve crescimento de 6,3% no consumo. Ademais, em relação ao número dos consumidores, houve um aumento de 30%, na comparação com março de 2023. Em nota, a EPE informa que a alavancagem do número de consumidores livres está em consonância com as migrações previstas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2024.

Tendência de consumo mais alto

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou o Relatório Executivo do Programa Mensal de Operação para maio de 2024. A principal novidade é a projeção de um aumento de 5,5% na demanda de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) em maio, em comparação com o mesmo mês de 2023, alcançando 77.072 megawatts médios (MWmed).

Nordeste e Sul lideraram no consumo de energia elétrica. A estimativa é de um crescimento de 5,7% na demanda, atingindo 13.023 MWmed e 12.965 MWmed, respectivamente.

No Sudeste/Centro-Oeste, espera-se um aumento de 5,6%, totalizando 43.541 MWmed.

Já no Norte, estima-se um acréscimo de 4,7%, chegando a 7.543 MWmed.

Onda de calor

A ONS alerta para a onda de calor que afeta o Brasil e deve persistir até 10 de maio. Ademais, o órgão espera um declínio nas temperaturas máximas e maiores totais de precipitação devido ao avanço de uma frente fria no sul do Brasil. Para as regiões Norte e Nordeste do país, prevê-se que as temperaturas permaneçam elevadas e que haja ocorrência de precipitação ao longo dos dias, comportamento atípico para esta época do ano.

Por fim, o ONS estima que os percentuais de Energia Armazenada (EAR) estarão acima de 70% em todos os subsistemas em 31 de maio. A região Norte é a que apresenta a projeção mais elevada, atingindo 98,4%. Em seguida, encontram-se o Sul (93,7%), Nordeste (74,6%) e Sudeste/Centro-Oeste (74,5%).

Ar-condicionado: vilão ou aliado?

Com as ondas de calor extremo que o Brasil tem enfrentado, a população passa a buscar mais o ar-condicionado. Entretanto, enquanto o eletrodoméstico é o maior aliado para amenizar o calor, ele também é considerado como um dos principais vilões da conta de luz.

Assim, os consumidores vêm buscando estratégias e soluções para poder usar o aparelho sem ter tanto impacto no consumo de energia elétrica mensal. Neste cenário, a Descarbonize Soluções realizou uma pesquisa que mostrou que as buscas no Google por “ar-condicionado com placa solar” cresceram 190% ao longo do último ano.

Expressões relacionadas ao termo também apresentaram números expressivos. Entre elas, estão, em primeiro lugar, a procura por “ar-condicionado com placa solar preço” aumentando em 125% nos últimos doze meses. Já as buscas por “kit energia solar para ar-condicionado residencial” aparecem em segundo lugar, atingindo a marca de 88%.

Ventilador

O ventilador, o principal companheiro de muitos brasileiros nos dias de altas temperaturas, por ter um valor mais acessível e consumir menos energia, também aparece como item de interesse nas buscas, com a pesquisa por “placa solar para ventilador” crescendo em 189%. O período corresponde aos meses de março de 2023 a fevereiro de 2024.

Para escapar das altas contas – e deixar de impactar o meio ambiente, Tatiana Fischer, CMO da Descarbonize Soluções, recomenda a instalação de um sistema fotovoltaico em residências ou em empresas. “Por mais que, neste momento do ano, as buscas estejam principalmente voltadas para o gasto energético do ar-condicionado, adquirir placas solares pode trazer economia de energia de forma geral nas contas de cada mês”.

Tatiana Fischer, CMO da Descarbonize Soluções.

Desta forma, o sistema utilizado para reduzir os custos do ar-condicionado é o mesmo que funciona para a redução da conta de luz de forma geral. Se o interesse for abater o valor de consumo exclusivamente do ar-condicionado, pode-se fazer um cálculo a partir do consumo de energia do eletrodoméstico para descobrir quantas placas solares seriam necessárias para suprir o consumo do produto. De qualquer forma, o sistema não está ligado diretamente ao ar-condicionado.

Redução de custos com energia elétrica

Para quem busca reduzir o custo do ar-condicionado, é necessário levar em consideração pontos como a potência do produto, além de quantas horas por dia e dias por semana o aparelho fica ligado. A potência da placa a ser instalada e o valor do kWh (quilowatt-hora) por região também devem ser considerados. Com a instalação, de forma geral, o sistema paga o seu custo de investimento e gera energia suficiente para suprir o valor da demanda de energia gerada em até cinco anos. Para a realização da simulação de valores e instalação do sistema, os consumidores podem contar com a ajuda de um integrador de sua confiança.

Como o sistema fotovoltaico gera energia para todo o local em que foi instalado, em momentos em que o ar-condicionado não estiver ligado ou que seja menos utilizado, como nas meias estações ou inverno, a energia gerada será direcionada para a redução do valor do consumo de outros eletrodomésticos.

Como acompanhar o consumo de energia elétrica?

Checar o consumo de energia elétrica não é um ato isolado de verificar o valor da conta. A fatura de eletricidade é composta pelo consumo do imóvel, óbvio. Mas, além desse valor, há também os encargos setoriais, impostos e contribuições, custos do processo de geração de energia, e, dependendo do período, o adicional da bandeira tarifária em vigor. Em suma, a conta de energia elétrica incorpora uma série de custos que resultam no montante a ser pago pelo consumidor a cada mês.

Após entender as cobranças na conta, é crucial que os consumidores assumam costumes que promovam o uso eficiente de energia. Além dos eletrônicos e eletrodomésticos que geram calor e consomem muita energia, outras práticas, como armazenar alimentos quentes na geladeira, sobrecarregar a tomada com vários aparelhos, deixar equipamentos em stand-by e manter as lâmpadas ligadas o dia todo sem necessidade, também contribuem para aumentar o consumo de energia.

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