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Alimentos que parecem saudáveis, mas não são, acentuam problema da rotulagem

Alimentos que parecem saudáveis, mas não são, acentuam problema da rotulagem

Rotulagem dos produtos e a falta de informações apontam que a indústria alimentícia talvez não esteja preparada para um consumidor que busca mais saúde e, principalmente, que precisa saber o que vai à sua mesa
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Você sabe ler o rótulo dos produtos que coloca na sua mesa? Afinal, como traduzir em linguagem humana ou, ainda, apenas enxergar as letras minúsculas das embalagens dos produtos que estão nas prateleiras dos supermercados? A indústria brasileira é campeã em índices de sódio, gordura e açúcar nos alimentos, mas nem sempre o consumidor é avisado e pode consumir toda essa carga prejudicial à saúde sem saber.

Isso porque a rotulagem dos produtos ainda está muito aquém do que se espera de um país cuja legislação de defesa do consumidor é extremamente avançada em relação aos outros países do planeta.

É esse um dos motivos pelos quais consumimos diversos produtos tidos como saudáveis, mas que contém diversos ingredientes inimigos de um estilo de vida satisfatório e dos índices recomendáveis de consumo. É o caso das famosas barras de cereal, que estão sempre na bolsa de quem quer fazer um lanche menos “junkie”, mas que contém índices alarmantes de açúcar, maiores do que de um dos maiores inimigos dos nutricionistas, o sorvete. Um levantamento feito com as principais marcas vendidas no Brasil e no exterior e publicado no livro “Eat This, Not That!” (“Coma isso, não aquilo”, em inglês) mostra que, muitas vezes, as barrinhas  chegam a ser 70% açúcar, o triplo de uma bola de sorvete. E elas nem são tão menos calóricas que uma barra pequena de chocolate. O mesmo acontece com a maioria dos cereais matinais, tão cheios de açúcar que o bônus dos nutrientes não é nem de longe recompensador em relação ao ônus.

Outro produto que engana é o peito de peru embutido, que, apesar de ser visto como uma alternativa melhor do que o presunto, os dois têm a mesma quantidade de sódio e gordura porque são uma mistura de carne e pele do animal. Para conservar o produto, as indústrias usam nitritos e nitratos, substâncias químicas que, segundo algumas pesquisas, podem causar câncer se consumidas por muito tempo. Além, é claro, da quantidade sempre alta de sódio contida nos alimentos embutidos.

Aliás, produtos diet e light, de forma geral, costumam ser prejudiciais à saúde, parecem ser mais saudáveis do que os tradicionais, mas só são indicados em casos bem específicos. Por exemplo: crianças só devem ingerir produtos “dietéticos” se apresentarem obesidade ou diabetes. Esse tipo de alimento tem menos açúcar, mas para continuar com o sabor, os fabricantes adicionam grande quantidade de sódio, na maior parte dos casos. E, apesar de ser vilão quando consumido em excesso, o açúcar é fonte de energia e as crianças precisam dele para crescerem. O mais recomendável é ingerir açúcar presente em frutas e massas, e com moderação. E isso poderia, sim, ser discriminado nas embalagens de tais produtos.

Apesar de não haver dados epidemiológicos específicos sobre o Brasil, estima-se que até 5% da população sofra com alergias alimentares, segundo a segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai). Nos EUA estima-se que 8% das crianças e 2% dos adultos sejam alérgicos a leite. Já a intolerância a lactose afeta 25% da população. Por aqui, estima-se que existam mais de 300 mil celíacos no país, doença faz com que os portadores não possam ingerir alimentos com glúten, de acordo com a Associação de Celíacos no Brasil (Acelbra).

Embora sejamos um país avançado em relação à legislação em prol do consumidor, em um quesito estamos aquém do que deveríamos em relação à rotulagem dos alimentos e do esclarecimento das informações nutricionais de cada produto. A assimetria informacional no setor alimentício provoca um gap sentido pelos consumidores, especialmente os que possuem necessidades alimentares especiais, de informações corretas sobre a qualidade dos alimentos.

E de quem é a culpa? De quem regula ou de quem produz? A Anvisa afirma que está atenta às demandas da sociedade acerca da rotulagem nutricional e que atualmente está disponível para contribuição da sociedade a consulta pública sobre rotulagem de substâncias alergênicas em alimentos. O objetivo da norma é indicar no rótulo dos alimentos embalados as principais substâncias capazes de desencadear alergias alimentares.  A proposta é para que as indústrias citem nominalmente o uso de cereais com glúten, crustáceos, ovos, peixe, amendoim, soja, leite, castanhas e sulfitos quando utilizarem estes alimentos ou derivados entre os ingredientes. O texto leva em consideração as principais referências internacionais, como o Codex Alimnetarius, para alimentos com maior potencial de provocar alergias.

Esta é uma questão que vai além do âmbito da defesa do consumidor e, dadas as consequências que podem ter os acidentes de consumo alimentar, que podem até levar à morte, tornou-se também uma questão de saúde pública. Mas, afinal, se órgãos reguladores parecem quase impotentes em relação a essa questão e a indústria ainda caminha a passos de tartaruga, quem poderá nos defender?

* Leia mais sobre as responsabilidades da indústria alimentícia e sua relação com o consumidor na edição #194 da revista Consumidor Moderno.

 

 

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