Alexandre Schwartsman é um dos principais economistas do Brasil. Ele foi diretor de assuntos internacionais do Banco Central e atuou como economista-chefe nos bancos ABN Amro e Santander. Analisando os impactos das tarifas dos Estados Unidos a mais de 180 nações e como isso afetará o mercado de consumo no país, Schwartsman diz que essas taxas vão encarecer produtos importados, o que pode levar a uma diminuição no poder de compra dos consumidores brasileiros.
Dessa maneira, os setores que dependem de insumos internacionais podem enfrentar aumento de custos. Por consequência, o valor pode ser repassado ao consumidor final. Isso geraria um impacto nas decisões de compra e no consumo geral do país.
Tais declarações foram dadas na palestra magna do 1º Congresso da Associação Brasileira de Planos Odontológicos (SINOG). Antes, durante 19 edições, o Simpósio de Planos Odontológicos (SIMPLO), se destacou pela sua importância, representatividade e tamanho,.
A visão de Schwartsman
Na oportunidade, Schwartsman apontou que há risco de que a instabilidade comercial leve a incertezas no ambiente de investimentos no mundo. Com mais dificuldades no comércio internacional, empresas podem postergar projetos e a expansão das operações, resultando em um crescimento econômico desacelerado.
“Tenho pensado na situação de um gerente de uma empresa americana que passou os últimos 30 ou 40 anos cuidadosamente construindo cadeias de suprimentos que se estendem pela América do Norte e até o Sudeste Asiático. Ele trabalhou para minimizar custos e, de repente, se depara com essa nova realidade”, aponta Alexandre Schwartsman. Na sequência, ele declarou que a nova realidade traz várias estimativas de diferentes empresas, independentemente do porte ou segmento, que tentam calcular qual será o impacto. De forma geral, eles veem isso de maneira individual e estabelecem suas próprias expectativas. Só para exemplificar, se impostos forem aplicados a produtos que não estavam presentes, os preços inevitavelmente subirão, o que já é uma preocupação para muitos. Também haverá menos disponibilidade de insumos e é bem provável que observemos, ainda no primeiro semestre de 2025, impactos negativos nos Estados Unidos”.
Brasil x Estados Unidos
Alexandre Schwartsman então explicou que, nos últimos anos, a economia dos Estados Unidos tem mostrado um desempenho extraordinário. Prova disso estão nos números, que apontam um crescimento médio de 2,8% em 2024. “Apesar de um impasse global em 2022, esse resultado é considerado excepcional”, disse ele. A União Europeia enfrenta uma situação semelhante, mas com características e níveis diferentes. No entanto, há preocupações crescentes sobre o risco de uma contração econômica, especialmente devido aos desafios no mercado de trabalho americano.
Nesse contexto, Schwartsman comentou que as empresas começam a buscar formas de evitar uma queda acentuada da atividade econômica. “O que se observa é uma expectativa de redução e uma aposta na diminuição das taxas de juros nos Estados Unidos, que tendem a reagir de forma padrão. O governo central poderá reduzir as taxas de maneira mais vigorosa para tentar estimular a economia americana, levando em consideração marcos relevantes sobre a gestão atual e questões mais claras. Quando as taxas nos Estados Unidos caem mais do que se esperava, a expectativa em relação ao dólar tende a se enfraquecer”.
Por consequência, torna-se menos interessante investir em ativos nos Estados Unidos, que outrora eram bastante atrativos. O dólar começa a perder valor. E essa é uma dinâmica que possui muitos impactos, inclusive no Brasil, especialmente se for analisado o comportamento cultural. “O que significa isso para o Brasil? Quais são nossos principais problemas?”, questionou.
Inflação e consumo
Nas palavras de Alexandre Schwartsman, o desafio mais urgente hoje no Brasil é a inflação, que claramente está afetando a maior parte da população. “Devemos estruturar bem a medição, levando em consideração todos os indicadores”, apontou o palestrante. “Às vezes, conseguimos perceber, mas nos falta capacidade de ação. Precisamos aumentar as taxas de juros para enfrentar essa situação, mas o mercado de alimentos continuará a impulsionar a inflação. O problema é evidente: a questão dos alimentos necessita de uma solução clara. Na verdade, o desafio é bem mais complexo do que a equipe econômica do governo parece imaginar”.
Ele então enalteceu que ao considerar uma média de inflação de 3% e, perguntando às pessoas sobre suas expectativas em relação à inflação, percebemos uma sensação generalizada de incerteza. “Trata-se de um governo que tenta estimular o consumo, e precisamos avaliar os resultados das situações que estamos vivendo, as quais são urgentemente necessárias”.
Na visão de Alexandre Schwartsman, a inflação não afeta apenas os preços. Em primeiro lugar, ela impacta na confiança dos consumidores. Em segundo, os investimentos. E, em terceiro lugar, até o crescimento econômico. Por outro lado, o crescimento do Brasil está sendo puxado fortemente pela demanda interna. Ou seja, consumo, investimentos e gastos governamentais. “O consumo em disparada move o Brasil”.
Percepção negativa do governo

Em um dado momento da palestra magna, Alexandre Schwartsman mostrou alguns gráficos da nova pesquisa da Quaest em parceria com a Genial Investimentos. O levantamento revela que a desaprovação ao governo Lula aumentou de 49% em janeiro para 56% em março. No mesmo período, a validação caiu de 47% para 41%.
Segundo a pesquisa, o fator-chave para o crescimento da descrença no governo Lula é a deterioração do poder de compra. Ou seja, o número de brasileiros que considera que a economia se deteriorou no último ano aumentou de 39% em janeiro para 56% em março. A sensação ampla de elevação nos preços acentua a percepção negativa. Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados notaram aumento nos preços dos alimentos nos supermercados no mês passado. “Nunca uma desaprovação com o governo foi tão alta e esse cenário é bem preocupante”, enfatizou o palestrante.
Os desafios do consumidor
A situação atual revela não apenas um desafio significativo para a administração de Lula, mas também um reflexo das dificuldades enfrentadas pela população em seu dia a dia. A deterioração do poder de compra, evidenciada pelos 88% que apontam aumento nos preços dos alimentos, sugere que a crise inflacionária e as disparidades econômicas estão profundamente enraizadas na experiência cotidiana dos cidadãos.
Além disso, o aumento da desaprovação pode estar associado a uma perda de confiança nas promessas feitas durante a campanha, exacerbada pelas condições econômicas adversas que muitos brasileiros estão vivenciando. É preocupante que, paralelamente ao aumento da desaprovação, a aprovação do governo tenha caído para níveis tão baixos, indicando que a insatisfação pode levar a um agravamento das divisões sociais e políticas.

Abertura do Congresso SINOG
Roberto Seme Cury é presidente da Associação Brasileira de Planos Odontológicos (SINOG), principal entidade de âmbito nacional com foco exclusivo na representação dos planos odontológicos. Na abertura do 20º Congresso Sinog, ele contou que os associados da entidade detém hoje cerca de 70% dos beneficiários de planos odontológicos.
Na oportunidade, ele enfatizou que os planos odontológicos tiveram um crescimento vigoroso nos últimos 10 anos, com 15 milhões de novos beneficiários. Atualmente, são 35 milhões e 500 mil brasileiros beneficiários de planos odontológicos. “Por isso, temos um novo caminho a percorrer em termos de conhecimento e a profissionalidade do nosso serviço. A saúde bucal da população ainda é um desafio, e a nossa missão é promover acesso a tratamentos de qualidade em todo o território nacional”.

Nas palavras de Roberto Seme Cury, é imperativo que os profissionais da área odontológica se mantenham atualizados sobre as melhores práticas e inovações disponíveis. Além disso, a conscientização da população sobre a importância da saúde bucal deve ser uma prioridade. “O fortalecimento das parcerias entre entidades do setor, empresas de planos odontológicos e instituições de ensino é crucial para a promoção de campanhas educativas e programas de prevenção. Isso não apenas favorecerá os atuais beneficiários, mas também ajudará a alcançar aqueles que ainda não têm acesso a esses serviços”.





