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Álcool e o risco de câncer de mama: precisamos falar sobre isso

Álcool e o risco de câncer de mama: precisamos falar sobre isso

À medida que campanhas de bebidas alcoólicas se apoderam do “outubro rosa” para aumentar vendas, um grupo norteamericano está promovendo a conscientização dos perigos do álcool relacionados ao câncer de mama

A campanha Outubro Rosa teve início na década de 90, com a Fundação Susan G. Komen for the Cure. Na ocasião, a fundação norteamericana promoveu um evento em Nova York chamado de “Corrida pela Cura”. O evento, voltado para corredores de rua, buscava arrecadar recursos para financiar as pesquisas da instituição voltadas à prevenção do câncer de mama. A ação distribui aos participantes da corrida um laço rosa, que se tornou símbolo da campanha sobre câncer de mama até hoje.

De carona nessa simbologia, muitos mercados aderiram à campanha e começaram a utilizar o laço rosa na divulgação de suas ações e nos produtos comercializados no mês de outubro. Nos EUA, por exemplo, algumas cervejarias artesanais envazam a bebida em garrafas rosas, e em outros segmentos do consumo de bebidas alcóolicas trazem um menu de drinks exibindo a fita icônica.

Em meio a essa maré alegre de fitinhas rosas em bebidas alcóolicas, surgiu uma campanha por lá intitulada “Drink Less for Your Breasts”, (em tradução literal “menos bebida para seus seios”).

A campanha nas redes sociais tem como alvo mulheres jovens, e parece ser a primeira do gênero nos EUA: conscientizar a população feminina para os perigos da bebida alcóolica no desenvolvimento do câncer de mama.

Câncer de mama e bebida alcóolica

Com base em estudos epidemiológicos anteriores, a campanha Drink Less estima que, ao longo do tempo, mesmo ingerindo um drink por dia (limite recomendado pelas diretrizes alimentares dos EUA para mulheres) esse hábito poderia aumentar o risco de câncer de mama em 14%.

O site da campanha fornece a definição de uma bebida alcóolica: 14 gramas de álcool – o que normalmente dá uma cerveja long neck no Brasil (350 ML em média), ou uma taça de vinho de 147 ML, ou ainda uma dose de 44 mililitros de bebidas alcoólicas, como gim ou uísque. Lembrando que uma cerveja artesanal mais forte pode contar como mais de uma bebida.

É claro que o risco geral de um indivíduo é moldado por outros fatores também, de modo que o aumento seria mais significativo para uma pessoa com histórico familiar de câncer de mama.

Estudos também revelam que as mulheres cisgêneros não são as únicas pessoas que podem desenvolver câncer de mama. Pessoas transgênero e não binárias também podem, e homens cisgêneros também. Embora o risco geral dos homens seja muito menor e a ligação com o álcool seja menos clara, segundo os estudos.

Pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) em Lyon, na França, calcularam uma carga global de câncer em 2020 nos EUA atribuível ao consumo de álcool.

Segundo a estimativa dos pesquisadores, 14.000 novos casos de câncer de mama diagnosticados nos EUA naquele ano podem ser relacionados ao consumo prévio de bebidas alcoólicas.

O consumo de álcool e pandemia

O planejamento para a campanha Drink Less nas redes sociais começou assim que a pandemia forçou uma paralisação nacional nos EUA.

À medida que a pandemia se arrastava, o consumo de álcool aumentava por lá, especialmente entre as mulheres. Dias de “bebedeira pesada” para as mulheres americanas, onde o consumo de quatro bebidas ou mais era em poucas horas, aumentaram 41%, de acordo com uma pesquisa da RAND Corporation. O estudo comparou uma pesquisa com base em 1.540 adultos realizada na primavera de 2019 com respostas durante um novo acompanhamento na primavera de 2020.

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Informação é o início de toda prevenção

De acordo com uma análise de 2020 de uma pesquisa do “Centers for Disease Control and Prevention”, dos EUA, apenas uma em cada quatro mulheres de 15 a 44 anos sabe que o álcool é um fator de risco para o câncer de mama.

Em nota ao site da WIRED, Priscilla Martinez, que está liderando a campanha Drink Less, disse que quer mudar esse quadro. “Meu objetivo é impedir que uma jovem que usa álcool, como muitas mulheres, descubra daqui 20 anos que tem câncer de mama e se pergunte: por quê?”, diz Priscilla.

Como pesquisadora de saúde pública que estuda disparidades raciais e étnicas relacionadas ao álcool para uma ONG da Califórnia, Prisicilla entende que a informação é a base para prevenções e deve ser levada com maior ênfase ao público, sobretudo, às mulheres. “A sociedade tem essa informação sobre uma consequência potencial desse comportamento, e as mulheres em risco não sabem disso”, diz.

Para se ter uma ideia, cerca de 250.000 mulheres norte-americanas receberam diagnóstico de câncer de mama em 2018 (estatística mais recente), e 42.465 morreram. Isso faz do câncer de mama o segundo câncer mais comum, depois do câncer de pele, e o segundo mais mortal, depois do câncer de pulmão, em mulheres.

Também em nota ao site WIRED, a oncologista da Universidade de Wisconsin, Noelle LoConte, avalia que essa ligação entre álcool e câncer de mama não recebe atenção suficiente, até mesmo entre oncologistas.

Ela é a principal autora de uma declaração de 2017 sobre álcool e câncer da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que convida esses especialistas a assumirem uma postura de liderança no enfrentamento da questão.

Para Noelle, educação, mudanças políticas, pesquisas e informação são fundamentais para esse avanço. “As mulheres precisam saber disso”, diz. “E precisam fazer escolhas com a informação certa”, destaca Noelle.

A Sociedade Americana de Câncer reconhece a ligação entre álcool e câncer de mama. A própria indústria do álcool também não contesta. “Muitas escolhas de estilo de vida carregam riscos potenciais e o consumo de álcool não é exceção”, disse um porta-voz do mercado de destilados norteamericano em nota ao site da WIRED, e alertou para o fato de que as mulheres que têm dúvidas sobre o consumo de álcool devem falar com seu médico.

Enfim, o câncer é uma doença complexa e certamente carece de muito aprofundamento na construção de uma trilha de conhecimento que auxilie cada vez mais a sociedade sobre seus riscos.

A campanha Drink Less, que é financiada pelo California Breast Cancer Research Program, um programa estatal financiado por impostos sobre o tabaco e doações nos EUA, é um bom exemplo de como esse conhecimento deve trafegar dentro de uma sociedade cada vez mais digitalizada no consumo de informação.

Mas, falar contra o consumo de álcool não é uma tarefa tão simples. Um bom começo é como a própria campanha enfatiza “beba menos”. Se a informação correta chegar ao indivíduo, e esse buscar realizar exames de rotina, diagnósticos poderão prever se essa pessoa deve ou não deixar de beber, seja para o tratamento de um câncer, ou de qualquer outra doença que pode estar relacionada ao uso excessivo de bebida alcoólica.

Nesse caminho vale lembra que Organização Mundial da Saúde já está desenvolvendo um plano de ação global. O projeto estabelece uma meta de redução do consumo de bebida alcoólica per capita em 20% até 2030 (com os níveis de consumo de 2010 como linha de base).

Ele encoraja os países a desenvolver e impor “opções políticas de alto impacto” – como impostos mais altos sobre o álcool, restrições à publicidade e enfatiza a conscientização sobre os riscos à saúde.

O ponto desse artigo talvez seja discutir o valor da informação sobre o câncer de mama para as mulheres. O álcool é um deles. Assim como propõe a Drink Less, precisamos que toda essa informação circule e vá além das redes, que esteja nas escolas, nas comunidades, nos meios de comunicação, nos locais onde a bebida alcoólica é comercializada, nos rótulos – de forma clara e responsável – etc.

Estamos diante de uma causa sensível e importante em saúde. Outras ações precisam e devem ser desenvolvidas. Essa é a missão maior do outubro rosa e da campanha Drink Less, alertar as mulheres sobre o risco do câncer de mama e fazê-las pensar duas vezes antes de levantar um brinde com aquela cerveja da fitinha rosa.

Com informações da WIRED.


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