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Como o Agent Experience redefine a experiência do consumidor

Como o Agent Experience redefine a experiência do consumidor

Quando agentes autônomos de IA passam a decidir e comprar em nome dos consumidores, as marcas correm o risco de serem imperceptíveis dentro do CX? Saiba o que está por trás dos desafios e oportunidades na era do Agent Experience
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Agent Experience está redefinindo o CX. Com o tráfego automatizado prestes a superar o humano na internet e um mercado global projetado para saltar de US$ 9,9 bilhões em 2025 para US$ 253,3 bilhões até 2034, agentes de IA já antecipam intenções, executam tarefas e concluem transações em nome dos consumidores. O paradoxo central é que quanto mais eficiente e sem atrito for a experiência, mais imperceptível a marca se torna, transferindo a fidelidade do consumidor para o algoritmo intermediário. O verdadeiro desafio das empresas agora é manter identidade, confiança e vínculo emocional em jornadas que acontecem cada vez mais “invisíveis”.

Uma recomendação de um prato que parece adivinhar o que você quer antes de você saber. Uma transação financeira é concluída enquanto você realizava uma outra atividade. O que os dois cenários têm em comum? São exemplos da nova jornada de consumo na era do Agent Experience.

A ascensão dos agentes autônomos de IA chega para redefinir, de forma silenciosa e acelerada, a lógica do CX. E o dado que melhor traduz essa transformação é que o tráfego automatizado já representa quase metade de toda a atividade na internet, segundo o relatório Bad Bot Report, da Imperva. O estudo também aponta que esse movimento deve superar o tráfego humano até o final desta década.

O consumidor que delega

Para entender o tamanho dessa virada, é preciso compreender um conceito: o “consumidor proxy” – quando sistemas baseados em IA passam a agir em nome do usuário, a partir de dados, preferências e contexto acumulados.

A tecnologia sedutora para esse modelo de consumo vem da IA conversacional – impulsionada por plataformas como o ChatGPT.

E o mercado brasileiro está de olho nessa tendência. A Localiza&Co foi uma das primeiras empresas brasileiras a operar dentro do ChatGPT como canal de negócio real. Em pouco mais de 50 dias, registrou mais de dez mil interações. André Petenussi, CTO da companhia, é direto sobre a aposta: “Quando esse comportamento escalar, queremos estar lá com competência construída. Queremos ser peça ativa desse futuro.”

Já o PicPay implementou uma arquitetura de multiagentes que permite ao consumidor fazer PIX com áudios e fotos, transferências e pagamentos de forma natural, pelo WhatsApp. São apenas alguns dos muitos exemplos já em operação.

O mercado global de agentes autônomos deve saltar de 9,9 bilhões de dólares em 2025 para 253,3 bilhões até 2034, segundo a Dimension Market Research – uma das trajetórias de crescimento mais aceleradas já projetadas para tecnologia aplicada a negócios, de acordo com a consultoria.

Valor de marca na era do Agent Experience

No centro disso está um grande desafio para as marcas: engajamento. “Quanto mais eficiente e sem atrito a experiência for, mais invisível a marca se torna”, alerta Igor Saraiva, diretor de Inovação da Accenture Song.

A afirmação soa provocadora, mas é coerente: agentes autônomos eliminam fricções – e com elas, eliminam também os momentos em que o consumidor percebe, avalia e memoriza uma marca. “A nova lealdade não será para a marca, mas para o agente que escolheu bem”, avisa Igor.

É uma inversão profunda da lógica de CX: em vez de fidelizar ao produto ou à empresa, o consumidor passa a confiar no intermediário algorítmico.

Confiança, vínculo emocional e o olhar das marcas

Nessa nova jornada, reside um ponto sensível em CX: confiança. Kelly Barbosa, do Mercado Pago, pontua que no setor financeiro a confiança não é detalhe: é a própria experiência. “Se delegar implica opacidade ou perda de protagonismo, o risco é real.” Para ela, a autonomia da IA precisa ser calibrada ao nível de risco de cada decisão.

Por outro lado, estudo do Boston Consulting Group mostra que mais de 60% dos consumidores expressam alta confiança nos resultados de IA generativa, justamente porque a tecnologia parece mais objetiva e transparente do que anúncios ou conteúdo patrocinado.

Lucas Frenay, diretor executivo e sócio do BCG, traduz bem essa tensão: “O vínculo emocional não desaparece com a automação, ele se transforma. Passa a ser construído na consistência, na relevância e na capacidade da marca de resolver a vida do cliente de forma contínua.”

Automação destrói relação?

Nessa experiência agêntica, a pergunta é: quando a interface dominante deixa de ser o app ou o site da empresa e passa a ser um agente de IA, quem de fato controla a relação com o consumidor?

Para Ricardo Querino, diretor de experiência do Magalu, a resposta é clara: “A IA não ‘possui’ a relação, ela potencializa a forma como a marca se relaciona.”

Mas potencializar exige investimento, governança e identidade. Alessandro Jannuzzi, vice-presidente de Estratégia e Engenharia de Soluções da Microsoft Brasil, acredita nisso: “O diferencial não será apenas automatizar, mas fazer isso com responsabilidade, transparência e segurança.”

Para as marcas, o caminho não é resistir à automação nem se render a ela. É garantir que o agente que opera em seu nome carregue sua identidade, em consistência, relevância e capacidade de resolver.

Quem construir isso agora sai na frente. Quem esperar, terceiriza a relação com o próprio consumidor.

A pergunta que fica: é possível construir memória, vínculo, emoção e confiança de marca quando tudo pode ser automatizado?

Para saber mais sobre esse tema e o que pensam os maiores executivos do mercado e analistas de grandes consultorias globais? Acesse a nova edição 297 da revista Consumidor Moderno e boa leitura.

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SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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