Esperar o voo já não significa mais ficar parado – pelo menos não para todo mundo. O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, vai ganhar uma academia 24 horas dentro do Terminal 2. Operada pela rede SkyFit, a unidade ficará na área pública, próxima ao desembarque, e deve ser inaugurada em junho de 2026. O objetivo é atender, entre as mais de 125 mil pessoas que passam diariamente pelo local, os entusiastas da vida fitness que não querem perder um dia de treino nem durante a viagem.
Com cerca de 970 m², o espaço oferecerá uma estrutura completa com musculação, cardio, aulas coletivas como funcional e HIIT, além de modalidades próprias da rede, como Sky Cardio, Sky Box e Sky Dance. Também contará com vestiários completos, chuveiros, guarda-volumes digitais e até um ambiente de coworking. Ou seja, dá para treinar, tomar banho e ainda resolver pendências antes do embarque.
O acesso deve ser flexível, incluindo uso avulso, planos da própria academia e plataformas como Wellhub e TotalPass. Os planos variam entre R$199,90 e R$239,90 mensais, de acordo com o acesso de unidades da rede e os serviços oferecidos.

Mudança no comportamento do viajante
Mais do que uma novidade de infraestrutura, a academia dentro do aeroporto mostra uma adaptação a uma mudança de comportamento do consumidor.
Durante muito tempo, aeroportos foram espaços de espera. Lugares onde o auge da experiência diferenciada estava nas salas VIP: mais conforto, refeições melhores, silêncio. Agora, esse conceito começa a mudar.
E isso acompanha um movimento maior. Nos últimos anos, a relação dos brasileiros com atividade física mudou. Em 2023, apenas 21% frequentavam academias, segundo o Sesi. Dois anos depois, cerca de 50% da população já afirma praticar exercícios com regularidade, enquanto o IBGE aponta que o sedentarismo já atinge menos da metade dos brasileiros.
O reflexo aparece no mercado. O número de academias praticamente triplicou na última década, passando de pouco mais de 21 mil em 2014 para quase 60 mil em 2024, segundo o Conselho Federal de Educação Física.
Com agendas cada vez mais cheias e uma rotina que mistura trabalho, bem-estar e produtividade, o tempo “livre” praticamente deixou de existir. E, nesse cenário, a lógica é outra: se há duas ou três horas antes do voo, por que não usá-las de forma ativa? Treinar no aeroporto passa a fazer sentido não como luxo, mas como continuidade da vida.
É uma virada importante. Não se trata mais de esperar melhor, mas de não interromper a rotina. O aeroporto pode deixar de ser um espaço de pausa para se tornar uma extensão do dia a dia, onde é possível cuidar do corpo, trabalhar e seguir em movimento, mesmo entre um destino e outro.





