* Por Julio Takano
Dos processos sobre a manutenção dos recursos existentes a aquele que brilha em discursos e propagandas, o termo sustentabilidade deixou o sentido restritamente intangível para estar mais amplo nos enfoques social, econômico e da sustentação do próprio negócio.
Jamais um projeto será inteiramente sustentável sem que os resultados sejam socialmente justos, com foco na conservação de energia, na conscientização do ciclo de vida e os impactos no meio ambiente.
No varejo, assim como em diversos setores econômicos, o conceito se tornou importante indicador no reposicionamento estratégico das empresas. O ciclo de produção e de consumo sustentável não estará completo sem a participação ativa do setor varejista responsável pela distribuição de produtos e serviços. Como deixar de analisar a viabilidade econômica, a minimização dos impactos, a conservação e uso dos recursos disponíveis?
Como o varejo atua na cadeia de fornecimento, preço, qualidade, prazo e condições de pagamento acabam sendo envolvidas nas questões sociais e ambientais.
A sustentabilidade pode gerar lucro e diferencial de imagem no varejo. Os milhares de pontos de vendas no país criados pelo varejo a cada ano poderiam contribuir na conscientização dos consumidores para a reflexão e a mudança dos hábitos de consumo através de curadorias, sinalização sobre como os produtos foram produzidos, a origem das matérias primas e a comunidade favorecida.
Se o varejo acompanha e apoia produtores, retornando com feedbacks para as soluções, engajando as comunidades produtoras em cooperativas, utiliza o conceito de Glocal ? ?Pensar globalmente e agir localmente?.
Quando planejamos o reposicionamento de uma marca e consequentemente o incremento de vendas, criamos os pilares de beleza, bem estar, prazer, espiritualidade, responsabilidade social e do negócio sustentável.
No desenvolvimento de unidades de varejo autossustentáveis, destaco a utilização de placas fotovoltaicas para geração de energia nas coberturas conjugadas com sistemas de luminárias de baixo consumo e alto fator de potência em LED.
Outro exemplo é o sistema de captação da luz solar na loja associado a tubos espelhados internamente, fixados no forro a um dispositivo conhecido como colimador, uma lente que projeta a luz refletida dentro da tubulação.
Materiais ecossustentáveis, como pisos de fibras de bambu, tubos e conexões fabricados com fibras de garrafas pets e esquadrias de PVC, podem substituir as de alumínio. Formas inteligentes no armazenamento da água de reuso para lavar estacionamentos e vasos sanitários devem sempre constar nos projetos.
Vivemos uma nova fase na vida das empresas de varejo. A partir de incrementos de vendas que possibilitam um ciclo virtuoso de conscientização e contribuição para a evolução de padrões de produção, mudança de hábitos, comportamentos, valores, para criar uma nova cultura de consumo sustentável na sociedade.
* Julio Takano é CEO da Kawahara|Takano Soluções para Varejo e presidente da Associação Brasileira da Indústria, Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv)





