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16 IPOs só em 2020: Entenda a movimentação do varejo na bolsa de valores

16 IPOs só em 2020: Entenda a movimentação do varejo na bolsa de valores

Baixa taxa Selic é um dos fatores tornam o momento oportuno para que empresas consigam captar dinheiro no mercado
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Após um período de baixa movimentação no primeiro trimestre, efeito das incertezas trazidas pela pandemia da Covid-19, as empresas retomaram a movimentação na bolsa de valores com toda a força. Destaque para o varejo, que, entre abril e agosto, preparou 16 ofertas (IPOs) – entre as concluídas e em andamento – que podem movimentar mais de R$ 27 bilhões.

Para ilustrar a atual hegemonia do setor varejista na abertura de IPOs, basta comparar o segundo trimestre de 2020 com o volume dos últimos 15 anos: de 2005 a 2019, 17 IPOs do setor movimentaram R$ 18,8 bilhões.

E por que o varejo está tomando mais riscos? Segundo Paulo Cunha, sócio fundador da iHUB Investimentos, a abertura de IPOs tem se mostrado uma excelente ponte de captação não só para o setor de varejo; porém, a movimentação no setor é mais visível devido à concentração nos últimos meses. O especialista explica as duas principais causas: baixa taxa de juros (Selic) e boas perspectivas do setor devido ao crescimento galopante das vendas digitais.

Empresas de varejo que abriram IPOs nos últimos meses

  • Quero-Quero;
  • Grupo Soma;
  • Petz;
  • D1000;
  • Pague Menos;
  • Pernambucanas;
  • CSD
  • Tock&Stock;
  • Track&Field;
  • Kalunga;
  • Grupo Mateus;
  • Nissei;
  • Havan;
  • Le Biscuit;
  • Meliuz;
  • Enjoei;
  • Pernambucanas;

Taxa Selic histórica impulsiona abertura de IPOs

Um dos fatores preponderantes para a recuperação no mercado de capitais é a taxa de juros, que alcançou o patamar mais baixo da história. A Selic chegou ao nível de 2% ao ano, o que permite que o investidor se arrisque mais para obter maior rentabilidade.

“A taxa Selic está em minímas históricas e a projeção a longo prazo é que essa taxa continue baixa. Isso favorece muito o mercado da bolsa de valores, o que acaba trazendo muitos investidores para ele, barateia o custo de emissão de dívidas destas empresas e torna muito interessante a realização de IPOS, para que possam captar dinheiro no mercado com novos investidores”, comenta Paulo Cunha.

Alta do E-commerce

A dominância do setor varejista nas movimentações da B3 pode ser explicada também pelo estímulo que a quarentena tem dado ao consumo digital. Apesar da baixa nas lojas físicas — seja pelas medidas de restrição, ou pelo medo de sair de casa — grande parte das empresas conseguiram compensar as perdas através do e-commerce.

“As empresas de varejo, principalmente aquelas que tem sua plataforma digital bem desenvolvida, estão sendo negociadas a múltiplos, a valuations bem altos. Vemos empresas negociando a mais de 100 vezes o lucro, algumas valendo 15, 20 vezes o valor contábil; ou seja, estas empresas estão valendo 20 vezes o que o acionista investiu em um primeiro momento”, explica o sócio fundador da iHUB Investimentos.

De acordo com o especialista, com os múltiplos esticados, os acionistas enxergam uma boa alternativa para capitalizar a empresa ou mesmo para realizar lucro.

“A boa avaliação dessas empresas junto às perspectiva de lucros futuros, de crescimento dessas plataformas, de crescimento do varejo digital, principalmente, fazem com que seja um momento oportuno para que consigam captar dinheiro no mercado, vendendo a participação da empresa a um valor interessante e razoavelmente alto”, completa Paulo Cunha.


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