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IA no atendimento aproxima áreas de negócio da Nespresso

IA no atendimento aproxima áreas de negócio da Nespresso

No CONAREC 2026, executivos mostram como projeto da TP Brasil aproximou áreas de negócio da operação, mudou indicadores e ampliou o papel da empresa dentro da Nespresso
Foto: Thiago Bernardes
Projeto de IA no atendimento da Nespresso em parceria com a TP Brasil priorizou o entendimento das dores da jornada do consumidor local — ajustando-se a particularidades como o uso intensivo do WhatsApp no Brasil — e envolveu os próprios atendentes na construção da solução, o que exigiu a reformulação de KPIs tradicionais de BPO para acompanhar com eficácia o uso de IA nas interações.

A implantação de Inteligência Artificial no atendimento da Nespresso começou antes da tecnologia. Para a TP Brasil, empresa de CX e BPO e parceira da marca na operação, o primeiro passo foi entender onde estavam os problemas da jornada e quais deles poderiam ser resolvidos com tecnologia sem comprometer a experiência que a Nespresso pretende entregar ao consumidor.

Foi a partir desse diagnóstico que as duas empresas desenharam o projeto apresentado no CONAREC 2026, no painel: ‘Transformação se constrói em conjunto’ por Mariah Natale, gerente sênior de CX da Nespresso, e João Paulo Teodoro, VP de Tecnologia da TP Brasil.

A proposta também mudou a relação entre as empresas. A TP Brasil, que antes estava concentrada na operação de atendimento, passou a participar das discussões sobre inovação e tecnologia da Nespresso.

“O primeiro passo para desenhar uma transformação é ter clareza de como as coisas acontecem hoje, quais são os pontos de dor desse consumidor, e aí fazer uma escolha muito específica que faz sentido para o seu negócio”, afirma Mariah.

Para a executiva, a tecnologia precisa partir das características da própria marca. “O que essa marca precisa representar para o consumidor não pode ser esquecido de maneira nenhuma, porque senão você vai colocar a tecnologia no ponto que não necessariamente é o ponto correto. Não é tudo para todos.”

A operação virou laboratório

O desenvolvimento do projeto aproximou áreas que normalmente participam de momentos diferentes da jornada. Marketing, assistência técnica, finanças e TI da Nespresso passaram a acompanhar a operação de perto para entender os problemas e participar das decisões.

A TP Brasil também levou diferentes equipes para dentro da operação. Para João Paulo, essa proximidade foi necessária porque a tecnologia não deveria ser definida de forma independente da experiência do cliente. “A tecnologia por si não define nada. Então é necessário entender a jornada do consumidor”, afirma.

O executivo explica que a IA foi tratada como mais uma possibilidade dentro da jornada de atendimento. “Implementar IA é dar ao consumidor mais opções, não necessariamente substituir mão de obra. A tecnologia traz eficiência e, uma vez bem desenhada, traz uma experiência melhor.”

Os atendentes também participaram da construção. Como estão em contato direto com os consumidores, foram ouvidos sobre a jornada e sobre a forma como as novas ferramentas poderiam ser incorporadas ao trabalho.

“É ele que está falando com o nosso cliente todo dia. Ouvir esse atendente, entender que para ele essa jornada é confortável também, é importante nesse engajamento”, diz Mariah.

O fornecedor ganhou espaço na estratégia

O projeto também alterou a posição ocupada pela TP dentro da Nespresso. Segundo Mariah, a empresa deixou de ser vista apenas como responsável pela execução do atendimento e passou a participar das discussões sobre o futuro da operação. Isso não eliminou as discussões operacionais. Indicadores de atendimento, dimensionamento de equipes e produtividade continuam fazendo parte da relação. A diferença está na ampliação da agenda.

“Não que falar de PA e de headcount não seja importante. Sempre vai ser, porque a gente precisa de gente. Mas agora a gente bate na porta da Teleperformance e pergunta o que vem por aí.”

Para João Paulo, essa mudança representa uma evolução no papel que a TP Brasil pretende exercer junto aos clientes. “Eu saio daquela posição de parceiro de BPO ou de call center para me tornar um parceiro de inovação, que vai construir o futuro da jornada com o consumidor.”

Os indicadores também precisaram mudar

As escolhas do projeto precisaram considerar ainda as particularidades do mercado brasileiro. Um exemplo foi o WhatsApp, canal que já faz parte dos hábitos de consumo no País, mas que difere dos hábitos da operação global da Nespresso.

“Quando eu discuto o WhatsApp com o time da Europa, todo mundo me pergunta se é sério mesmo. Mas aqui no Brasil o WhatsApp é o WhatsApp, todo mundo sabe disso”, conta Mariah.

Para a executiva, conhecer o comportamento do consumidor local é parte da decisão sobre onde aplicar tecnologia. A ferramenta pode estar disponível, mas isso não significa que faça sentido utilizá-la em todos os pontos da jornada.

Com a IA entrando nas interações, as empresas perceberam que os indicadores tradicionais já não eram suficientes para acompanhar a operação.

Na primeira etapa, as equipes acompanharam as interações em tempo real. O objetivo era observar o comportamento da solução, ouvir as conversas e identificar os pontos que precisavam ser ajustados.

Esse acompanhamento levou à revisão dos KPIs. “Todo mundo está muito familiarizado com KPIs de negócio, principalmente em BPO. Reescrever esses KPIs, entender quais vão ser relevantes para avançar com a IA tomando conta das interações, é algo extremamente importante”, afirma João Paulo.

A tecnologia também ganhou um limite: pode ser desligada quando não entrega o resultado esperado. “Não funcionou bem, eu ligo para o JP e falo: JP, desliga. E daí desliga”, diz Mariah.

João Paulo completa: “Desliga, refaz, a famosa curadoria. Vamos dar mais inteligência para a tecnologia e começar de novo”. O processo, segundo Mariah, ainda está em construção. “Nunca vai estar 100%. A gente tem uma longa jornada.”, finaliza.

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