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Psicodélicos e a economia alternativa: delírio ou negócio?

Psicodélicos e a economia alternativa: delírio ou negócio?

Você não está sonhando, no SXSW 2023, produtos psicodélicos podem ser um bom negócio e um novo mercado bilionário. Confira!

SXSW 2023 – Um negócio é habitualmente definido pelo imperativo do crescimento, a primazia da maximização do lucro e uma predisposição para a saída, principalmente no caso de startups. A extraordinária capacidade de reinvenção e renovação do capitalismo cria modalidades novas de negócio e lucro continuamente – e a partir das fontes mais inusitadas. Basta examinar a economia alternativa, baseada em produtos fora da curva, como canabis e agora os psicodélicos.

É o que acontece quando os incentivos naturais do lucro se cruzam com as fascinantes e inquietantes possibilidades de cura que envolvem o delicado trabalho de mudança de consciência. No mercado emergente de psicodélicos, há todo um trabalho em curso para definir o espaço desse novo mercado. Incluindo valores, propósitos e o foco centrado no bem-estar do paciente e na reciprocidade.

Empresas como a Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS), Journey Colab e outras estão experimentando novos modelos de propriedade, governança e financiamento alternativo para fundamentar e dar solidez ao mercado nascente de alteração de consciência. Um mercado com potencial de integrar milhões de pessoas à cura psicodélica.

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Psicodélicos, negócio e economia alternativa

Essa discussão ganhou qualidade no SXSW 2023. Liana Sananda Gillooly, que comanda a Strategic Initiatives for the Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS), debateu com Anna Martirosyan, que lidera a área de Strategy e Business Development da Journey Colab, Jenny Stefanotti, Fundadora e âncora da Denizen e Mara Zepeda, Co-fundadora e Diretora-geral da Zebras Unite, em um painel repleto de achados e ideias incríveis sobre a combinação de psicodélicos e economia alternativa.

Liana Gillooly é um exemplo da paixão que o assunto desperta. Nos últimos 14 anos, por meio da colaboração interseccional, ela busca cocriar “o mundo mais bonito que nossos corações sabem que é possível”, produzindo coalizões que trabalham em regeneração, direitos indígenas, direitos humanos, tecnologia humana, libertação coletiva e economia orientada por propósitos.

Jenny Stefanotti, por sua vez, integra diversas experiências em estratégia, tecnologia, negócios, filantropia, design, política e economia. Já Mara Zepeda, criou a Zebras Unite, como manifesto para “consertar o que as startups quebraram”. Ela defende uma mudança de cultura e seu ativismo ganhou amplo reconhecimento: uma comunidade on-line de mais de 10 mil participantes ativos trabalhando em 25 seções espalhadas pelo mundo.

Como em praticamente todos os campos da ciência, o que parece absurdo hoje pode ser alvo de testes amanhã. Com as drogas psicodélicas não seria diferente: já há pesquisas e um volume de investimentos considerável, com previsão de mais de US$ 7 bilhões nos próximos 5 anos.

As drogas psicodélicas são consideradas não viciantes e abrem um caminho para o tratamento de distúrbios mentais. Estigmatizadas pelo seu uso “recreativo” nas décadas de 60 e 70 (sabe-se que os Beatles usaram ácido lisérgico – LSD – durante a concepção e gravação do magistral álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, em 1967), elas vêm recuperando espaço a partir do estudo dos mecanismos biológicos que possam alterar o estado psíquico de modo seguro e terapêutico. Temos então uma nova economia, baseada na incorporação de conhecimentos de culturas distintas combinadas com a melhor ciência disponível.

A economia atual é extremamente “extrativa” e não “circular” 

E o que é economia alternativa?

Segundo Jenny, uma estudiosa e evangelizadora do tema, economia alternativa é uma forma de tentar pensar uma economia que alinhe lucro e propósito, e que priorize os stakeholders (partes interessadas) e não apenas os acionistas.

A premissa é que a economia atual é extremamente “extrativa” e não “circular”, logo, ineficiente e promotora de assimetrias e desigualdades. Ainda há muito incentivo para extração de recursos e não reaproveitamento ou reuso.

Já para Mara Zepeda, há alguma coisa estranha e disfuncional com a economia atual. O que exatamente? A partir de seu manifesto, para “reparar o que as startups quebraram”, ao invés de buscar fundos de investidores, buscar investimentos mais colaborativos. Porque há alguma coisa muito esquisita quando os venture capitals “queimam” milhões de dólares em negócios que simplesmente não terão sucesso enquanto há muitas iniciativas carentes de recursos. É um ponto de vista. Ela chamou sua iniciativa de “União de Zebras” justamente para enfatizar o número de empresas e empreendimentos que não têm acesso a investimentos e que estão realmente trabalhando para o bem comum. As zebras são os 98% de companhias que não têm acesso ao dinheiro dos fundos e aceleradoras.

Economia alternativa e saúde mental

Anna Martirosyan observa que a economia alternativa se alinha com a indústria de psicodélicos justamente por tentar uma abordagem que impacte e confronte a maneira com que outras indústrias operam, particularmente a farmacêutica.

Isso é disrupção na veia (com o perdão do trocadilho). A economia alternativa identifica falhas sistêmicas em diversos segmentos, como o da saúde pública. Porque é indiscutível que a saúde mental é hoje um problema agudo, que necessita de uma abordagem diferente e novas linhas de pesquisa, as quais podem contemplar os psicodélicos.

Para entender melhor onde se iniciam as falhas sistêmicas, é importante saber quem controla a companhia e quais suas atividades. Qual sua mentalidade em termos competitivos? É o momento de tentarmos modelos de negócios alternativos e que realmente queiram resolver problemas sensíveis enfrentados pelas pessoas.

Mara Zepeda provoca: “quando falamos de governos, não deveríamos pensar em modelos distintos de tomadas de decisão? Mais representativos? E isso não poderia ser diferente também na governança das empresas? Como melhorar essa representatividade no interior das empresas?”

Ela observa que uma perspectiva mais colaborativa poderia trazer maior engajamento e pertencimento, uma forma de capitalismo baseado em coalizões e agrupamentos, com governança na qual os colaboradores teriam mais voz e mais consciência individual.

“As empresas da economia alternativa assumem seus propósitos como uma crença e desta forma procuram criar mecanismos de convencimento que não sejam propaganda vazia”

Nesse sentido, a Journey Colab, empresa gerenciada por Anna Martirosyan, tem uma cultura baseada em reciprocidade, explorando um modelo diferente de participação dos colaboradores para melhorar a governança. Os canais de diálogo e conversação são abertos e a tomada de decisões é mais coletiva e transparente. Quando se trabalha em uma indústria sensível e que tende a ser objeto de reducionismo, como a de psicodélicos, é necessário criar um engajamento diferente, que faça com que todos defendam os valores e a integridade da narrativa.

Um novo modelo de negócio: princípios e culturas

Isso quer dizer que novos negócios podem se basear também em novos formatos de gestão, sinceramente baseados em valores autênticos e mais inclusivos. É o que se chama de “propósito perpétuo”, que se sobrepõe ao produto. As empresas da economia alternativa assumem seus propósitos como uma crença e desta forma procuram criar mecanismos de convencimento que não sejam propaganda vazia.

“Os mecanismos de governança convencionais estão fraturados”, diz Jenny Stefanotti, porque, segundo ela, é difícil entender quem controla a companhia, qual a ideia que está por trás das pessoas que tomam as decisões. Logo, tecnicamente, a governança baseada em acionistas ou conselhos de administração nem sempre toma decisões que realmente se refletem no bem da companhia e das partes interessadas, mas provavelmente no bem de quem toma as decisões.

“Psicodélicos enfrentam restrições de acesso ao capital para as pesquisas terapêuticas, porque a prática normal é a de colocar produtos rapidamente no mercado, sem considerar a e necessidade de pesquisas mais consistentes”

Uma redefinição de princípios e da cultura das corporações é um caminho substancial de mudança. Não se pode pensar em financiar pesquisas em psicodélicos, com as pressões naturais da opinião pública, os vieses de comunicação, sem um alinhamento de valores, princípios e intenções. O fato é que os psicodélicos enfrentam restrições de acesso ao capital para as pesquisas terapêuticas, porque a prática normal é a de colocar produtos rapidamente no mercado, sem considerar a e necessidade de pesquisas mais consistentes.

Exatamente por isso que a economia alternativa, com sua propensão de atacar as falhas sistêmicas do capitalismo convencional cria um ambiente mais propício para os canais de investimento necessários pra desenvolver mercados como o das drogas psicodélicas. Aliás, a Open AI, nascida como organização sem fins lucrativos, conseguiu assegurar a independência necessária para criar uma IA generativa que seja mais inclusiva e acessível, por exemplo.

É necessário estudar e acompanhar essa nova forma de pensar a organização econômica e corporativa, baseada em governança distinta e que possa financiar negócios diferentes e fora da curva. Mais uma vez, o SXSW oferece uma discussão que pode antecipar uma tendência poderosa. A economia alternativa e um de seus desdobramentos: terapias psicodélicas serão novas fontes de valor para a sociedade?


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