VIRAMOS REFÉNS DE PERSEGUIÇÕES DIGITAIS

VIRAMOS REFÉNS DE PERSEGUIÇÕES DIGITAIS

Futurista global, pós e neo-humanista

Até recentemente, uma das melhores maneiras de atingir determinado consumidor-alvo era através dos gatilhos mentais. Eles eram as estrelas do marketing, e desvendá-los significava gerar um tremendo aumento nas vendas.

Mas o que são gatilhos mentais?

Podemos compará-los a uma espécie de armadilha psicológica que impacta a mente de quem lê ou ouve uma mensagem publicitária, desencadeando uma reação por parte desse consumidor. E a reação sempre ocorre no sentido de gerar ou despertar uma necessidade – geralmente inconsciente – para consumir algo, seja um produto, seja um serviço ou uma experiência. É importante frisar que o gatilho apenas desperta uma demanda que o consumidor já tinha em algum recôndito mental.

A utilidade de um gatilho mental emerge também no engajamento de determinado público-alvo em torno de uma empresa ou organização, por exemplo. Ao induzir um consumidor a ativar seus gatilhos mentais, desencadeamos uma ligação emotiva em quem entra em contato com nossas marcas ou produtos.

“Gatilhos mentais do marketing foram trocados por algoritmos.

Contudo, há algum tempo os gatilhos mentais do marketing foram trocados por algoritmos, uma nova forma de manipular a sociedade para o consumo excessivo e superficial. Muitos de nós com certeza já passamos por situações em que esses algoritmos atuam. Quem nunca procurou um produto on-line e mais tarde recebeu um e‑mail com algo para complementá-lo? Quem de nós não conversou com alguém em uma rede social sobre uma compra específica, apenas para receber um anúncio desse produto à venda logo em seguida?

Tudo isso pode soar muito estranho, mas esse tipo de situação é o resultado de algoritmos complexos usados para prever e, em alguns casos, até influenciar nosso comportamento. Inúmeras corporações têm acesso a uma quantidade absurda de dados sobre nossas preferências atuais e passadas de compras e de navegação. Isso varia de dados transacionais, tráfego de sites e até postagens de mídia social. Os algoritmos preditivos usam esses dados para fazer inferências sobre o que provavelmente acontecerá no futuro. Inclusive, previsões sobre nossas preferências.

A meu ver, esse tipo de ingerência sobre nossos dados e, em última instância, sobre nossa vida privada, fere nossos direitos enquanto consumidores livres. Bombardeados com mensagens à primeira vista aleatórias de serviços e produtos, acabamos gerando necessidades que nos levam a consumir muito mais do que necessitamos. Isso leva a um consumismo insustentável para o planeta. Daqui a algum tempo, segundo o pesquisador Yuval Harari, tomaremos decisões não apenas de compra, mas também de comportamento, baseados no que o Google nos diz, sem sequer nos darmos conta desse fato. Cairemos no cárcere privado dos dados que nós mesmos alimentamos diariamente?

Por isso, tanto o consumo consciente como a atenção plena tornam-se prementes para que sigamos sendo consumidores e cidadãos livres.

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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