Influência: O novo capital das lideranças

Influência: O novo capital das lideranças

Em uma nova dinâmica do marketing de influência, CEOs tornam-se personalidades para se conectarem com o público

As redes sociais tornaram-se verdadeiros ecos-sistemas nos quais os consumidores descobrem tendências, produtos e serviços de forma interativa – o que impacta diretamente o comportamento de consumo. Com algoritmos que personalizam conteúdos, essas plataformas funcionam como vitrines dinâmicas e indispensáveis para marcas de todos os setores e portes.

Mas, atualmente, com consumidores cada vez mais ávidos por conexões reais e autênticas, falar de marketing de influência vai muito além de realizar publicações periódicas ou contratar personalidades e influenciadores para divulgar a marca.
É preciso construir credibilidade, confiança e afinidade com o público. O conteúdo deve ser relevante para a audiência e manter uma presença contínua, que fortaleça uma comunidade em torno da marca.

Nesse cenário, lideranças, que antes ficavam escondidas atrás de mesas de escritório, passaram a marcar presença nas redes sociais. Compreendendo a importância da sua imagem na construção de autoridade e engajamento de marca, CEOs agora gravam vídeos, compartilham a sua rotina e acumulam milhares de seguidores.

Para se ter ideia, nos últimos dois anos, houve um crescimento expressivo na atividade de CEOs e C-Levels no LinkedIn. Segundo a própria plataforma, as postagens feitas por CEOs aumentaram 52% nesse período – o que impulsionou a participação dos usuários: os comentários em publicações cresceram 32% ano a ano, reforçando a importância da rede entre lideranças.

Para acompanhar esse movimento, o LinkedIn tem investido em formatos de vídeo verticais, semelhantes ao TikTok. O objetivo é alavancar o crescimento de conteúdos criados de forma ágil por executivos com seus smartphones.

No entanto, como os próprios líderes enxergam e se posicionam diante dessa tendência? A Consumidor Moderno conversou com alguns CEOs que souberam se posicionar e transformaram a influência em um verdadeiro capital – tanto pessoal quanto para as marcas que representam. Confira!

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Entrando de cabeça nas redes

Mostrar o lado humano de um CEO, os bastidores de decisões, cria uma ponte com quem acompanha o conteúdo

O principal desafio é, antes de produzir um conteúdo, compreender como ele irá permitir uma conexão com a audiência. Para João Adibe, CEO da Cimed que possui 4,4 milhões de seguidores no Instagram, 1,2 milhão no TikTok e mais de 86 mil no LinkedIn, o caminho foi se “conectar de forma muito próxima e espontânea, mostrando o dia a dia, os bastidores, os acertos e os erros”. “Isso aproxima, gera identificação e constrói confiança”, afirma.

Para cada rede social, uma estratégia diferente é adotada. No TikTok, por exemplo, o CEO está sempre adaptando as trends do momento à sua comunicação. “O LinkedIn é diferente; eu o uso para reforçar posicionamentos, mostrar visão de futuro e dividir reflexões com outros líderes. Costumo postar textos informando sobre nossos lançamentos, assuntos que estão em alta e até mesmo no mundo farmacêutico. O retorno é muito positivo, não apenas em engajamento, mas em abertura de portas e construção de autoridade”, conta.

Sergio Zimerman, CEO da Petz, possui perfis no LinkedIn e no Instagram – nos quais possui mais de 112 mil e 60 mil seguidores, respectivamente. O principal objetivo das postagens é oferecer insights e compartilhar experiências, para estimular o diálogo e promover trocas significativas com a rede.

“No LinkedIn, costumo compartilhar conteúdos sobre eventos e iniciativas relevantes da Petz, cortes do Shark Tank Brasil e reflexões sobre o mercado pet. Como resultado, tenho percebido um engajamento com interações valiosas, fundamentais para quem empreende”, afirma Zimerman.

Apesar de possuir mais seguidores no Instagram – rede na qual conta com quase 48 mil seguidores –, Patrícia Lima, CEO e fundadora da Simple Organic e da People Colour, tem percebido a importância de trocas ricas no LinkedIn, especialmente quando compartilha desafios e conquistas do dia a dia.

“Tenho apostado principalmente em textos mais reflexivos, que me permitem aprofundar ideias e conectar com a audiência de forma mais autêntica, mas também exploro vídeos curtos para mostrar momentos importantes da marca e participações em eventos”, conta.

Lógica semelhante é seguida por Luana Génot, CEO e fundadora do ID_BR e membro do Conselho de Diversidade da L’Oréal.
Com mais de 100 mil seguidores no LinkedIn e 250 mil no Instagram, Luana compartilha insights e reflexões sobre temas como mercado de trabalho, inclusão e empreendedorismo.

“Também apresento conteúdos e resultados do ID_BR e as histórias de pessoas inspiradoras. Como resultado, temos visto aumento da visibilidade, crescimento de seguidores e conexões com líderes de diversas áreas”, explica.

Fato é que, como afirma Emily Ewell, CEO da Pantys, “as pessoas se conectam mais quando veem propósito e vulnerabilidade, não só performance e resultado”.

Os desafios da exposição

Apesar de os CEOs terem incluído as redes sociais em suas rotinas pessoais e profissionais, alguns desafios ainda fazem parte dessa nova vida de influenciador.

Quando se trata do LinkedIn, João Adibe, da Cimed, destaca o desafio de manter a autenticidade em uma plataforma mais corporativa. “Falar de propósito, cultura e valores exige uma vulnerabilidade – e nem sempre isso é fácil em um ambiente no qual se esperam discursos técnicos ou institucionais.
No entanto, é notável que, quando você se posiciona com verdade, os resultados aparecem. Mostrar o lado humano de um CEO, os bastidores de decisões, cria uma ponte com quem acompanha o conteúdo.”

Com a preocupação de entregar valor para seus seguidores, Sergio Zimerman conta que sempre reflete sobre o que um post pode agregar à vida de quem vai acessá-lo. “É uma grande responsabilidade. Sinto que o LinkedIn oferece um ambiente seguro e receptivo para esse tipo de troca, o que me dá confiança para compartilhar minhas ideias e valores de forma autêntica”, afirma.

Contudo, nas redes sociais, em que as pessoas escolhem qual parte da vida desejam compartilhar – passando a mensagem de que tudo é perfeito –, a transparência também é essencial.
Para Patrícia Lima, esse é o seu principal desafio: “encontrar o equilíbrio entre ser transparente e inspiradora, sem romantizar os obstáculos. Quanto mais a gente compartilha com propósito, mais pessoas se identificam, se inspiram e se encorajam a fazer diferente”.

Apesar dos desafios, as redes sociais devem ser cada vez mais exploradas por essas lideranças. “Acredito profundamente que o LinkedIn é um espaço de transformação e que marcas e pessoas com propósito devem ocupar esses ambientes”, afirma Emily Ewell.

É uma grande responsabilidade. Sempre reflito sobre o valor que aquele post pode agregar à vida de quem vai acessá-lo

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Influência pode virar gatilho para consumo?

As pessoas se conectam mais quando veem propósito e vulnerabilidade, não só performance e resultado

Mesmo que o objetivo da presença nas redes sociais não seja unicamente usar a influência como gatilho de consumo, os CEOs concordam que esse fator contribui para o crescimento dos negócios.

“O engajamento que gero nas redes reverbera o posicionamento da marca, atrai novos talentos e até influencia o consumidor final, especialmente quando mostramos, com orgulho, nosso protagonismo em saúde”, afirma João Adibe.

Para Emily Ewell, esse impacto positivo é consequência da confiança que a liderança passa para o público ao se expor de forma verdadeira. “As pessoas querem saber quem está por trás das marcas, especialmente em temas como saúde íntima e sustentabilidade. Isso impacta a decisão de compra”, diz.

A visão é compartilhada por Patrícia Lima, que explica: “Quando compartilho, estou criando um movimento. Essa conexão emocional com a audiência transforma-se em um consumo consciente, porque as pessoas passam a consumir não só o que a marca vende, mas o que ela representa”.

Tudo é uma questão de estar próximo e fazer parte. Nesse sentido, Luana Génot enxerga sua presença nas redes sociais como uma forma de humanizar, aproximar e mostrar o trabalho do ID_BR. “Isso desperta nas pessoas o interesse e o desejo de fazer parte dessa transformação”, afirma.

Por outro lado, Sergio Zimerman é categórico em afirmar que “um negócio não depende apenas da presença digital de um líder”.  “A minha influência nas redes é, na verdade, um reflexo do sucesso construído pela Petz ao longo do tempo. Acredito que minha presença contribui, mas reconheço que esse impacto é apenas uma parte de um trabalho muito mais amplo e colaborativo.”

Um vínculo autêntico com o público

A contratação de influenciadores que não fazem parte do dia a dia da marca, como forma de impactar públicos diferentes, segue sendo vista como importante para o marketing das marcas. Entretanto, a construção de um vínculo autêntico e duradouro, na maioria das vezes, não é contabilizada nessa equação.

“Embora valorizemos parcerias com influenciadores, acredito que a imagem do CEO tem um papel fundamental na construção de lealdade e confiança com o público. Minha imagem, aliada à consistência das nossas ações, gera um vínculo autêntico, algo que nem sempre os influenciadores conseguem construir sozinhos”, explica João Adibe.

Para o CEO da Cimed, as estratégias são complementares. Assim, quando os influenciadores contratados estão alinhados com os princípios da marca e as publicações conversam com a estratégia usada para o perfil da liderança, os dois caminhos fortalecem a marca de forma mais consistente.

Emily Ewell também vê a importância de parcerias com influenciadores, mas acredita que a construção da imagem da liderança é uma extensão da marca. “Vejo muito valor em fortalecer a presença dos fundadores como porta-vozes, porque isso gera identificação, constância e credibilidade em longo prazo.”

A minha imagem como líder e fundadora é um alicerce importante da nossa marca

Esses vínculos mais duradouros foi o que fez Patrícia Lima escolher estar à frente da comunicação e das conversas mais importante da Simple Organic. “Os influenciadores têm um papel relevante, mas, quando o consumidor enxerga verdade na liderança, essa confiança se consolida de maneira genuína”, destaca.

“As pessoas conectam-se com a minha história, experiência e visão de mundo, confiando na minha autenticidade. Em alguns momentos, podemos contar com a colaboração de influenciadores para amplificar a nossa mensagem, mas a minha imagem como líder e fundadora é um alicerce importante da nossa marca”, complementa Luana Génot.

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As novas plataformas e redes

Para que essa influência gere frutos, as estratégias por trás são muito bem estudadas e planejadas – e a definição de em qual rede social estar precisa fazer parte disso. Tudo depende dos objetivos e do perfil de cada CEO.

João Adibe, por exemplo, já tem forte presença no TikTok – rede que reúne, majoritariamente, as novas gerações. O CEO compartilha, ainda, que possui planos estratégicos para intensificar a atuação nessa plataforma e em outras mídias.

“Sempre com linguagem adaptada e conteúdo que reflita a essência da marca: ousada, acessível e próxima das pessoas. Nosso objetivo é conversar com todas as gerações, com autenticidade e propósito”, pondera.

Já Sergio Zimerman considera o LinkedIn e o Instagram os canais estratégicos para se comunicar com o seu público. Mas isso não significa que não esteja atento a outras possibilidades. “Acredito ser essencial acompanhar novas plataformas, como o TikTok, especialmente por seu impacto entre as novas gerações de consumidores e profissionais”, diz.

O TikTok, aliás, passou a fazer parte da estratégia de comunicação da marca Pantys. “Temos olhado com atenção para essa plataforma, principalmente porque ela conversa com um público mais jovem e mais aberto a discutir temas como sustentabilidade e saúde de forma leve e educativa. Eu, pessoalmente, ainda não tenho uma presença ativa no TikTok, mas é algo que estamos analisando, sempre respeitando a linguagem, o propósito da marca e o meu perfil pessoal”, explica Emily.

Dessa forma, o mais importante é estar onde as pessoas estão e ser relevante ao ponto de gerar valor e criar conexões com elas. A influência tornou-se o novo capital das lideranças – e das marcas.

Os influenciadores têm um papel relevante, mas, quando o consumidor enxerga verdade na liderança, essa confiança se consolida de maneira genuína

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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