IA para todos

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Estamos vivenciando a maior transformação de toda a história da humanidade e, provavelmente, a revolução definitiva: a Inteligência Artificial. Não é exagero dizer que se trata de um divisor de águas. Um autêntico tsunâmi. Nada mais será como antes. Os investimentos das big techs, das private equities e dos fundos voltados para a aceleração da capacidade de processamento e respostas, em tempo real da IA, já estão beirando o trilhão de dólares. Ninguém arrisca cifras astronômicas em promessas frágeis. Quem coloca capital dessa magnitude sabe que está comprando e construindo o futuro. E esse futuro está chegando em uma velocidade sem precedentes, como um foguete que não espera passageiros atrasados. 

Agora é hora da verdade: O Brasil vai apenas assistir a essa decolagem ou terá coragem e chegará a tempo para embarcar?

Nosso retrospecto preocupa. Perdemos a revolução da informática que revelou gênios como Steve Jobs, Bill Gates, Larry Ellison, entre outros. Com ela, sucessivos modelos empresariais foram construídos. Ficamos à margem do boom da internet e só acordamos para o e-commerce durante a pandemia, quando a sobrevivência das empresas dependia disso. Hoje, diante da revolução da IA, corremos o risco de repetir o histórico de oportunidades perdidas.

Basta comparar: as maiores empresas do mundo em valor de mercado – NVIDIA, Microsoft, Apple, Amazon, Google, Meta – são de tecnologia, criadoras de valor e inovação. Todas trilionárias em dólares. Apenas a NVIDIA, sozinha, tem uma capitalização superior a dois Brasis. Por aqui, a produção de riquezas está concentrada no setor Financeiro. É um paradoxo que temos que encarar.

Não há incentivo para investimentos e capital de risco. Os juros estratosféricos que enfrentamos não são a causa, apenas representam o custo de nossa eterna irresponsabilidade fiscal e falta de ousadia para arriscar e navegar pelo desconhecido. Por outro lado, o bônus da inovação tem efeito exponencial na criação de riquezas e geração de negócios. No entanto, virou costume nacional se ancorar na “lei do menor esforço” e amarrar o burro na sombra. Tudo em troca de uma suposta estabilidade financeira (renda fixa), social (empregos em busca de qualificação e salário) e de vida (aposentadoria precoce para desfrutar do quê?). Quem não arrisca, não petisca.

Os aclamados rankings de inovação celebram, rotineiramente, as mesmas empresas da velha economia, que pouco ou nada entregam em termos de disrupção. Apenas inovação incremental ou lateral. Um reconhecimento que alimenta a ilusão de progresso e reforça a paralisia da maioria das corporações. Premiamos o passado e fugimos do futuro.

A bandeira que deve ser levantada é clara: IA para todos!!! Para todos desde a educação infantil. Essa é a maior e melhor oportunidade que nós temos para corrigir injustiças sociais e desigualdades

Como País, não lideramos pesquisas, não temos infraestrutura tecnológica, data centers, chips, nem criamos modelos próprios de IA em larga escala. Mas temos bons exemplos para servir de inspiração. Empresas como Mercado Livre, Nubank e iFood demonstram que é possível inovar com iniciativas próprias, desafiar modelos e gigantes setoriais, gerar empregos e riquezas e, sobretudo, entregar valor para a sociedade. O diferencial delas? Uma obsessão pela experiência do cliente, sempre buscando aprimoramento contínuo, simplificação de processos, alta tecnologia, zero burocracia e agilidade para aprender, consertar e evoluir. É nesse espírito de ousadia que a IA precisa ser incorporada.

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Na corrida da IA, não há pacotes prontos para copiar. Por isso mesmo, os grandes titãs globais estão se digladiando. Aqui, talvez, resida o maior contraponto existencial de nossas lideranças: a espera por soluções comprovadas, por modelos prontos para serem replicados – da mesma forma que optam pela renda fixa garantida, sem riscos. Esquecemos que inovação não se terceiriza. Ela nasce da tentativa, do erro, da correção de rota e da ousadia de colocar ideias em prática – antes mesmo de estarem perfeitas. Quem esperar pelo “manual definitivo” chegará tarde demais ou nem chegará.

O maior risco não é errar: é não participar. Foi exatamente isso que aconteceu com a promissora Argentina no final do século 19, quando suas elites não abraçaram a Revolução Industrial. Preferiram manter o seu quinhão preestabelecido e destruíram valor. Justamente o oposto do que fizeram os americanos, que protagonizaram o maior desenvolvimento econômico a partir da indústria e da criação do mercado de massa. O resto é história. O efeito Orloff pode voltar a incorrer por aqui, caso nossas elites continuem optando por manter o status quo e fugir do futuro desconhecido, simplesmente o evitando. O problema é que não haverá futuro para quem não mergulhar a fundo nesse universo deslumbrante e desconhecido.

A questão é clara: Para quem nossas empresas estão gerando valor? Para o País? Para os consumidores? Ou apenas para manter estruturas de poder estagnadas, esperando que o governo financie ou subsidie seus movimentos?

Temos uma das matrizes energéticas mais limpas e eficientes do mundo, um mercado consumidor gigantesco, um povo trabalhador e abundância de recursos. Temos tudo para ser protagonistas. O que falta é coragem para investir em ideias novas – fomentar a evolução em vez de perpetuar o velho.

Nesse contexto, a conexão entre Inteligência Artificial e Customer Experience é central. A verdadeira revolução não será apenas técnica, mas relacional. Empresas que souberem aplicar IA para simplificar jornadas, eliminar fricções e personalizar em escala terão uma vantagem competitiva definitiva. Estamos diante da possibilidade de devolver ao consumidor aquilo que lhe foi tomado pela burocracia e pelos modelos engessados.

A bandeira que deve ser levantada é clara: IA para todos!!! Para todos desde a educação infantil. Essa é a maior e melhor oportunidade que nós temos para corrigir injustiças sociais e desigualdades. O nosso grande diferencial poderia ser o ensino para uma IA consciente. Isso sim seria uma visão de Estado, sem censura, com liberdade plena. Inclusive, foi assim que nos desenvolvemos como consumidores, cidadãos, trabalhadores e gestores.

O futuro não nos espera – e com a IA ele se aproxima em velocidade quântica. De um lado, a China avança célere com sua produtividade imbatível, escala e competitividade. Do outro, os Estados Unidos ascendem com suas mentes brilhantes, capacidade inigualável de investimentos, ambição tecnológica e berço das maiores inovações da história. Já a Europa simplesmente parou nas conquistas de um passado longínquo. Hoje, mal consegue inovar ou competir com as duas superpotências. É em um cenário como esse que, mais do que nunca, precisamos decidir qual direção iremos trilhar.   

Está na hora de o gigante deitado em berço esplêndido acordar e ser protagonista.

Temos que ser otimistas ao testemunhar a emergência e o despertar de uma nova geração de empreendedores precoces, que buscam desde cedo a sua sonhada independência financeira.

O foguete da IA já decolou. Nós não vamos ficar de fora dessa. #IAParaTodosBrasil!!!!!

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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