Entre promessas e frustrações

Entre promessas e frustrações

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O Brasil é um país que reúne todos os elementos para ocupar um lugar de protagonismo global. Somos uma nação de gente criativa, calorosa, com uma matriz energética limpa e um dos maiores mercados consumidores do mundo. Ainda assim, seguimos acumulando frustrações. Avançamos, recuamos e, ano após ano, tropeçamos nas mesmas armadilhas.

Vivemos em um eterno “quase”, presos a um ciclo que oscila entre impulsos de crescimento e entraves recorrentes que retardam nosso avanço. Governos, empresas e cidadãos desejam o progresso, mas cada um joga por si – como em um dilema do prisioneiro à brasileira. Nesse desalinhamento, quem paga a conta é sempre o consumidor.

Quando ele se permite sonhar alto, logo é chamado de volta à realidade. A cada tentativa de impulsionar a economia, a resposta é quase automática: liberar crédito. Perfeito! O crédito é essencial: impulsiona o consumo, estimula a economia, destrava o empreendedorismo. Mas, no Brasil, ele é custoso e permeado por barreiras estruturais. Além disso, o que fazer quando – mesmo com mais crédito – a produtividade continua patinando, os investimentos se retraem e o capital prefere outros destinos? A conta não fecha.

Enfrentamos um cenário desafiador: a máquina do Estado é grande, burocrática e pouco ágil; as regras mudam no meio do caminho; e o sistema tributário transfere o ônus da ineficiência para o consumidor. Isso reduz a competitividade, afasta investimentos e impõe custos elevados para empresas e consumidores. Desperdiçamos talentos, recursos e tempo.

A título de comparação, a produtividade do brasileiro é quatro vezes menor do que a de um americano. Esse dado diz muito sobre os desafios que ainda precisamos enfrentar. E não se corrige com discursos, mas com planejamento, educação, tecnologia e, acima de tudo, eficiência.

O Brasil vive em um eterno “quase”, preso a um ciclo que oscila entre impulsos de crescimento e entraves recorrentes que retardam nosso avanço

O famoso “Custo Brasil” virou expressão recorrente em qualquer análise econômica. Temos uma das maiores cargas tributárias do mundo – não apenas pelo volume, mas pela complexidade. É um emaranhado de normas, exceções, siglas e obrigações acessórias que consomem tempo, energia e dinheiro. O Brasil tributa o consumo como poucos. E o crédito, quando chega, já vem com juros sobre juros. O resultado não poderia ser outro: inadimplência.

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As pequenas e médias empresas brasileiras, protagonistas da geração de empregos, enfrentam desafios ainda maiores. Sem acesso ao capital barato do mercado internacional, arcam com encargos elevados e operam em desvantagem. No fim, o impacto se espalha: o consumidor paga mais, consome menos e ajusta suas escolhas para acompanhar um poder de compra que derrete como gelo.

Com os orçamentos cada vez mais restritos, esse mesmo consumidor precisa pagar pelo plano de saúde, pela escola particular, pelo transporte alternativo e pela segurança que o Estado abandonou. Enquanto a classe média desaparece, vemos uma população cada vez mais descrente, endividada e resiliente por obrigação, não por opção.

Mesmo quando os indicadores apontam sinais positivos – como a baixa taxa de desemprego –, os bastidores revelam um quadro mais complexo. Há crescimento da informalidade, carência de qualificação e uma desconexão entre a formação da população e as demandas do futuro. O mundo corre em direção à tecnologia, à IA e à produtividade em rede. Precisamos acompanhar esse movimento.

Temos a matriz energética mais limpa do planeta e território para abrigar grandes projetos de infraestrutura digital. Ainda assim, somos menos requisitados do que países menores em extensão e recursos – Itália, França e Holanda possuem mais Data Centers que o Brasil. A maior concentração está nos Estados Unidos, que há décadas investem em infraestrutura, pesquisa, tecnologia, qualificação e produtividade.

Por aqui, seguimos na contramão disso: o Estado, que inviabiliza o crescimento, busca compensação em programas sociais paliativos. Para prosperar, as empresas precisam praticar o chamado “rouba-montes” – crescem tirando espaço da concorrência, em um jogo de soma zero. Além de não gerar riquezas, essa lógica concentra poder. E poder demais nas mãos de poucos é o oposto de desenvolvimento.

Qualquer estratégia que pretenda, de fato, recolocar o Brasil na rota do crescimento precisa enfrentar ineficiências históricas e desenhar políticas que gerem prosperidade com responsabilidade. Um Estado mais leve, ágil, digital e funcional, que sirva ao cidadão em vez de se servir dele. Um ecossistema que priorize a
inovação, valorize a produtividade e reconheça o talento. Uma agenda que coloque o consumidor no centro – não como mártir, mas como protagonista. Só assim sairemos do “quase”.

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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