O Rappi decidiu apertar o passo no modelo de entregas ultrarrápidas. A empresa iniciou em São Paulo a fase piloto do Turbo Farma, serviço que promete entregar medicamentos isentos de prescrição e itens de higiene em até 10 minutos.
Mais do que lançar uma nova categoria, o movimento sinaliza uma mudança na companhia, que deixa de atuar apenas como intermediadora e passa a operar com estoque próprio e estrutura regulada, assumindo o papel de drogaria.
A primeira unidade funciona na Santa Cecília, região central da capital paulista, em modelo de dark store adaptado às exigências sanitárias, com farmacêuticos em regime de plantão e possibilidade de atendimento presencial. O serviço atende inicialmente um raio de até 3,5 km e oferece cerca de 1,2 mil itens, entre remédios e produtos de cuidado pessoal.
Quick commerce agora é saúde
O Turbo Farma nasce dentro da vertical Turbo do Rappi, criada em 2021 e hoje responsável por uma parte relevante do negócio no Brasil. O objetivo é transformar categorias de alta recorrência em experiências de conveniência.
“Farmácia é um mercado essencial, de alta recorrência e enorme relevância na rotina das pessoas”, afirmou Felipe Criniti, CEO do Rappi no Brasil, ao anunciar o projeto. “Assim como fizemos com o Turbo, queremos transformar a experiência do consumidor em categorias que fazem parte do dia a dia.”
A empresa já opera esse serviço na Colômbia há mais de um ano e usa a experiência como base para o piloto brasileiro.
Guerra das plataformas chega à farmácia
O avanço do Rappi acontece em meio a um movimento mais amplo das big techs sobre o varejo farmacêutico. Recentemente, o Mercado Livre anunciou a aquisição da farmácia Cuidamos Farma e indicou que pretende operar vendendo medicamentos.
O setor movimentou cerca de R$ 240 bilhões no Brasil no último ano, com crescimento de mais de 11%, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan). Trata-se de uma categoria com margens superiores às do varejo alimentar e alto índice de recompra semanal.
Do marketplace à responsabilidade regulatória
Até agora, o Rappi operava medicamentos principalmente via marketplace, conectando usuários a farmácias. Nesse modelo, o prazo médio de entrega variava entre 40 minutos e uma hora.
Com o Turbo Farma, a lógica muda. A empresa passa a negociar diretamente com fornecedores, manter estoque próprio e assumir a responsabilidade regulatória da operação.
A expansão para medicamentos que necessitam de retenção de receita está prevista ainda para 2026. Em uma terceira etapa, a companhia estuda modelo com receita física, em que o entregador recolhe o documento para validação antes da liberação do medicamento.
Se validado, o plano é expandir a variedade para 5 mil itens até o fim do ano e levar o modelo para toda a grande São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e Belo Horizonte.
Conveniência virou expectativa
Em um momento em que quase tudo é resolvido rapidamente pelo celular, esperar 40 minutos pode parecer uma eternidade, especialmente em situações de urgência. Ao incorporar farmácia ao quick commerce, o Rappi tenta ocupar um espaço vago quando a necessidade é imediata.
“Hoje, não existe no Brasil nenhuma solução que una conveniência e velocidade nesse nível. Com o Turbo Farma, estamos testando uma proposta realmente pioneira, que coloca o Rappi na vanguarda do delivery farmacêutico”, completa o CEO.
O desafio, agora, será equilibrar velocidade, regulação e rentabilidade em um setor bem fiscalizado. E, se funcionar, o Turbo Farma pode redefinir o padrão de conveniência e elevar o nível da disputa entre plataformas digitais no Brasil.





