O varejo farmacêutico na América Latina segue em expansão e movimentou US$ 68 bilhões em 2024, segundo dados da Abrafarma. Nesse período, foram comercializadas 12,7 bilhões de unidades de produtos. O Brasil lidera o setor na região, com 50,7% de participação, seguido por México (20,7%) e Argentina (10,4%). Juntos, respondem por 82% do mercado latino-americano. A projeção para 2025 a 2028 é de um crescimento médio anual de 4% em unidades, com o Brasil ampliando sua fatia para 65,8%, consolidando-se como o maior mercado da região.
A disputa por esse mercado segue atraindo novos players. O Mercado Livre sinalizou sua entrada no Brasil no mercado farmacêutico. A estratégia busca contornar a legislação brasileira, que proíbe o envio de medicamentos a partir de centros de distribuição. Exigindo, portanto, que as vendas ocorram por drogarias licenciadas e sob supervisão de um farmacêutico.
Em nota à Consumidor Moderno, a empresa afirmou: “O Mercado Livre confirma a possível aquisição de uma empresa que comercializa medicamentos. No momento oportuno, o Mercado Livre irá compartilhar mais informações a respeito”.
Segundo análise da XP, a operação deve começar com mini-centros de distribuição (mini-CDs), funcionando como um projeto piloto. A expectativa é que, após ajustes, a empresa avance para lojas estrategicamente localizadas. Para a corretora, a medida adicionaria ao marketplace uma categoria relevante e recorrente. Mas, também pode pressionar farmácias tradicionais, que hoje têm como diferencial a entrega ultrarrápida e o atendimento personalizado.
Desafios regulatórios para venda online
A Anvisa impõe regras rigorosas para o comércio eletrônico de medicamentos no Brasil (RDC 44/09 e RDC 812/23):
- Venda apenas a partir de farmácias licenciadas, nunca de CDs;
- Farmacêutico disponível no momento da venda (o que implicaria em uma operação 24h para o Mercado Livre);
- Medicamentos controlados não podem ser vendidos online.
A aposta em lojas físicas, ainda que limitadas, seria uma solução para cumprir as exigências legais e abrir espaço para expansão futura.
Venda de MIPs em supermercados volta ao debate
Paralelamente, o Projeto de Lei 2.158/2023, que trata da comercialização de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) em supermercados, avançou no Congresso após alterações feitas pelo relator, o senador Efraim Filho (União-PB). A nova proposta descarta a venda direta nas gôndolas e prevê que os MIPs sejam oferecidos apenas em farmácias estruturadas dentro dos supermercados, com presença obrigatória de farmacêutico.
A principal novidade é a possibilidade de pagar os medicamentos no mesmo caixa das compras do supermercado, com exceção dos psicotrópicos, que seguem regras específicas.
Farmácias alertam para riscos da automedicação
A Febrafar, que representa 70 redes e mais de 17 mil farmácias no Brasil, alerta que a proposta pode aumentar os riscos da automedicação. Segundo Edison Tamascia, presidente da entidade, “medicamentos, mesmo aqueles classificados como isentos de prescrição, não devem ser tratados como simples bens de consumo. A automedicação, quando feita sem orientação técnica, pode gerar efeitos adversos, intoxicações, agravamento de doenças e até hospitalizações desnecessárias”.
Embora países como Estados Unidos e algumas nações europeias permitam a venda de MIPs em supermercados, Tamascia argumenta que o contexto brasileiro é diferente. “Temos uma extensa rede de farmácias e drogarias em todo o País, capaz de atender a população com qualidade, orientação e capilaridade. Essa rede já cumpre papel fundamental no cuida farmacêutico e no fornecimento de medicamentos com respaldo técnico”.





