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Por dentro do PIX: conheça alguns segredos de sua tecnologia

Por dentro do PIX: conheça alguns segredos de sua tecnologia

O PIX foi de zero a 650 milhões de transações em menos de sete meses de existência. Na Era do Diálogo deste ano, nós desvendamos alguns segredos da tecnologia

No último mês de junho, o PIX rompeu a barreira das 650 milhões de transações em um único mês. O número é o mais novo recorde quebrado pela tecnologia em volume de transações, algo que vem mudando (e crescendo) desde novembro do ano passado, mês de lançamento da tecnologia.

O sucesso é imenso entre os consumidores, mas o que os números, isolados, não explicam é o verdadeiro valor agregado do PIX na vida do consumidor e para as empresas. Há algum tempo ela deixou de ser apenas um mecanismo de pagamento instantâneo. Hoje ela permite o saque em espécie, algo que aproximando pessoas e até lugares para o centro da bancarização no País. E o que podemos esperar da escalada da tecnologia no futuro?

Na Era do Diálogo deste ano, o passado, o presente e o futuro do PIX foram discutidos no painel “O Impacto do PIX nas Relações de Consumo”.

A revolução

Amaury Oliva, diretor de autorregulação da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e mediador do encontro, iniciou o encontro destacando a revolução em curso na maneira de transacionar valores e até na mudança de comportamento do consumidor.

“A ferramenta se tornou algo além do pagamento instantâneo. Ela é o ponto de partida de um ousado plano nacional de inclusão de milhões de brasileiros ainda ‘desbancarizados’ e que estão longe da economia formal. Há quem diga que ele vai ser o novo paradigma de novos modelos de transações e até revolucionar bastante as relações de consumo”.

Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do departamento de competição e estrutura do mercado financeiro do Banco Central do Brasil (BCB), também falou sobre o aspecto inovador da tecnologia e também no papel subjetivo do PIX: a democratização do sistema financeiro.

“Ele vem para democratizar tanto o lado da prestação do serviço de pagamento, inserindo novos players, quanto o lado da demanda do usuário, com mais gente. Além disso, ela traz uma dinâmica de competição (entre bancos) e cria um cenário favorável à inovação, inclusive no atendimento às diferentes necessidades e a prestação de serviços para nichos de mercado e que, de alguma forma, ainda não estão sendo bem atendidos pelo atual sistema financeiro”, explica.

A expectativa é que essa revolução se converta em novos recordes. Carlos acredita que o PIX deve romper em breve a quantidade de 1 bilhão de transações por mês. Até por esse motivo, já existe um grande entusiasmo dos bancos e financeiras na tecnologia.

Flavia Janini, head de produtos e serviços transacionais da BTG+, o banco digital da BTG Pactual, afirma que o PIX se tornou uma das principais tecnologias de contactless disponível no País em pouco tempo. E ele surgiu em um momento importante: o distanciamento social provocado pela pandemia no novo coronavírus.

“Ela surgiu com uma determinada expectativa e, hoje, alcançamos um resultado muito acima do esperado. Ela já mudou a vida do consumidor, inclusive do ponto de vista de comportamento. Virou bordão falar ‘faz um PIX para mim’ ou ‘passa um PIX’. Isso se deve ao rápido alcance da tecnologia. Ela está conseguindo levar serviços para novos lugares, como é o caso do saque. Antes o cliente tinha que se deslocar para outra localidade. Agora ele faz isso em qualquer estabelecimento”, explica.

Customer experience em transações

Outro fator importante de rápida popularização foi a facilidade no uso da tecnologia, o que reforça uma ideia que defendemos na Consumidor Moderno: no fundo, o PIX é a transferência bancária com uma generosa dose de customer experience.

“Há facilidade na transação digital, o que não acontecia antes. Você pedia dados da agência bancária, os dados da conta, CPF e ainda precisa lembrar do número do banco. Então, muita gente entrava no Google e só assim realizava a transferência. Com o PIX é muito mais rápido. Eu fico lisonjeado em ter vivido este momento e ter feito parte dos debates sobre a tecnologia ao lado do BCB, a Febraban e todos os órgãos envolvidos”, explica Daniel Freire, diretor de TI do banco BMG.

Um exemplo de revolução causada pelo PIX vem acontecendo na Sem Parar. Segundo Daniel Benini, head de core process da companhia, a empresa se acostumou a oferecer serviços cujo o pagamento era feito via débito automático, cartão de crédito e boleto bancário. Com o PIX, existe até a expectativa de uma substituição do débito automático no futuro para a tecnologia.

“A gente fechou junho com 46% dos pagamentos sendo realizado por PIX. E isso trouxe uma melhora na experiência do nosso cliente. Com a tecnologia, se o cliente tem o serviço bloqueado por falta de pagamento, o pagamento via PIX libera o serviço imediatamente, inclusive aos sábados e domingos. O PIX no débito automático é algo que a gente espera bastante em breve”, afirma.

Segurança

A praticidade e os elogios da tecnologia, no entanto, vem acompanhados com uma preocupação de entidades e empresas: a segurança. Ele ainda não é totalmente à prova de fraudes, segundo explica Carlos. E o motivo é o comportamento do consumidor.

Ele explica que a tecnologia em si é segura. Ela integra a rede do Sistema Financeiro Nacional, um modelo que representou uma revolução em segurança bancária no País a partir de 2012 e que, hoje, agrega diversos protocolos de seguros.

“O consumidor é, de fato, um ponto onde a gente tem alguma vulnerabilidade por questões de segurança pública, de fragilidade em alguns aspectos educacionais e que, de alguma forma, acaba suscetível a golpes baseadas em engenharias sociais e de outras formas”, explica.

Felizmente, segundo Carlos, os bancos possuem mecanismos antifraude e, em breve, terão outra ajuda do BC. Em novembro, o Banco Central vai incluir um mecanismo de estorno do dinheiro que foi alvo de fraude, o que ainda não existe.

“A gente está implementando um mecanismo especial de devolução que vai permitir que o cliente faça a restituição dos valores fraudados a partir de um sequestro relâmpago, engenharia social e outros. Obviamente teremos um processo rápido de bloqueio, período de análise da transação para as duas partes envolvidas e, se chegar à conclusão de que houve a fraude, haverá a restituição”, explica.

E como funciona os sistemas antifraudes?

Os painelistas que representam os bancos contaram que uma das formas de prevenção às fraudes consiste na análise de comportamento do consumidor com o PIX.

No caso do BTG+, Flavia explicou que ele consiste na combinação de diversas ferramentas que se retroalimentam e criam um big data sobre o consumidor. “Temos ferramentas, seja de antifraude e segmentação, que retroalimentam. Isso foi feito para deixar cada vez mais robusta a informação e conhecimento do perfil do cliente para se sentir mais seguro. Além disso, levamos informação para o nosso cliente, dando dicas, falando de pontos de atenção e pedindo cuidado quando surgem mensagens solicitando um PIX”, explica.

Já no BMG, um dos processos é chamado de “análise comportamental”. “Analisamos desde a movimentação física que o cliente faz até o comportamento transacional. Olhamos se o consumidor faz muito PIX e onde foi feito essa transação”, explica.

E o que podemos esperar do futuro? Que tal a gente conferir o que os nossos palestrantes contaram no painel? Acesse lá e comente o que achou.


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