Pesquisar
Close this search box.
/
/
Em debate, o plano de saúde do futuro

Em debate, o plano de saúde do futuro

A grande novidade na saúde suplementar é a telemedicina. Neste painel, especialistas apontam que a tecnologia pode ser o início para o surgimento de um "Uber na saúde"

A recente redução de 8,19% na mensalidade dos planos de saúde individuais, imposta pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), representou um momento singular, quase histórico. Desde que foi criada, a agência reguladora jamais havia imposto um reajuste negativo. O motivo está relacionado a queda na quantidade de procedimentos médicos, caso das consultas.

Na contramão da redução de procedimentos presenciais, a telemedicina vem invadindo o cotidiano dos brasileiros de maneira mais rápida que o foguete sem piloto do Jeff Bezos, coufounder da Amazon. Essa forma de  atendimento médico à distância já é um sucesso entre os consumidores e, surpreendentemente, rompeu a barreira das 3 milhões de consultas virtuais apenas no seu primeiro ano de existência no País, segundo dados da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Há quem diga que a telemedicina tem potencial para muito mais. Há quem diga que essa e outras formas de saúde digital podem reduzir o preço do plano de saúde, possivelmente o maior gargalo no relacionamento com o cliente do setor. Outros vão além: a telemedicina será o primeiro grande movimento de transformação digital no setor e que dará início ao surgimento do primeiro Airbnb ou Uber da saúde. Será?

Consumidor no centro da saúde

A inovação foi o ponto de partida do debate “O consumidor no centro da saúde: mais digital, menos regulada e a custos mais acessíveis”, painel de A Era do Diálogo deste ano.

Na abertura do encontro, Jacques Meir, diretor executivo de conhecimento do Grupo Padrão e mediador do painel, afirmou que o atual modelo de negócios dos planos tem peculiaridades singulares que impactam o core business das companhias. Hoje, quando há um reajuste, empresas se apressam em dizer que houve incremento de novas tecnologias, que sugiram novos medicamentos e que foram incluídos procedimentos mais caros.

“Embora nem todo mundo use ou acesse alguns tratamentos, isso pressiona o bom atendimento e a necessidade das pessoas em utilizarem os melhores serviços de saúde. Hoje apenas 25% da população tem acesso a saúde privada. Nesse sentido, será que a digitalização pode ganhar volume e relevância e tornar a saúde mais acessível para os brasileiros?”, questionou.

Márcia Fernandes, superintendente de gestão do cliente Seguros Unimed, lembra que a pandemia provocou uma forte aceleração no modelo de assistencialismo em saúde privada, hoje fundamentalmente baseado no encontro cara-a-cara com o médico. “A pandemia quebrou esse paradigma. Muita gente se prende às mudanças relacionadas a questão do serviço assistencial, mas todo o administrativo de contratação, pós-venda, regulação e obrigações documentais também foram revisitados (na pandemia). No futuro, não tenho duvido que iremos nos reposicionar sobre a oferta de saúde para o brasileiro”, disse.

Tem estrangeiro de olho na saúde privada do Brasil

Sheila Mittelstaedt, sócia de head life science and healthcare da KPMG, avalia que a regulação, mesmo às pressas, fez bem para visibilidade do Brasil. A autorização da telemedicina em março do ano passado chamou a atenção de investidores estrangeiros, que já pensam em fazer negócios no Brasil. E até mais.

“Novos players de saúde globais começaram a olhar para o mercado brasileiro, com interesse gigante em instituir telemedicina aqui no Brasil. Operadoras do Japão e Austrália, por exemplo, querem adquirir os players daqui com foco fortemente em tele health. Entendemos que é um nicho de negócio que oportuniza uma receita absurda, uma vez que a omnicanalidade praticamente vai se tornar obrigatória e um hábito no País”, afirma.

A omnicanalidade citado por Sheila é outro assunto de interesse das empresas que atuam na saúde suplementar. “A indústria (farmacêutica) também entrou nessa onda e está surfando cada vez mais fortemente nos canais digitais, inclusive alavancando os seus programas dentro do suporte ao paciente. O setor de farma varejo, por exemplo, está cada vez mais olhando para dados e fazendo ‘match’ entre pacientes e medicamentos específicos, inclusive encaminhando para médicos especialistas. A gente brinca que tem um Netflix da saúde vindo aí”, disse.

Visão ‘Hospitalocêntrica’

A transformação digital e o despertar da omnicanalidade, como não poderia ser diferente, começou a mudar as estruturas do atual negócio em saúde suplementar.

Rafael de Castro Figueroa, CEO do Portal Telemedicina, lembra que a telemedicina não é um assunto estranho no País. Entre 2013 e 2018, tivemos uma regulação de medicina à distância, porém baseada na relação entre médicos. O decreto presidencial, amparado pela recomendação e regras do Conselho Federal de Medicina, deu o direcionamento da nova telemedicina: o alvo agora é o consumidor.

“A regulação teve uma mudança de mentalidade. “Antes, havia uma certa orquestração de mercado muito ‘hospitalocêntrica’. Era muito focado na demanda e no conselho de médicos. Mas isso começou a mudar. Se eu pegar a minha base de clientes, tenho que cerca de 85% dos casos estão sendo resolvidos sem o presencial, ou seja, tudo com telemedicina. E o que a gente notou? 85% das pessoas que ficam 12 horas na fila de um hospital não precisariam estar lá.”

Continuidade no tratamento

Outro ponto de atenção é o crescimento de novas empresas e startups que atuam na prevenção e/ou na saúde primária, ou seja, com foco em exames, consultas e tratamento não invasivos. No fundo, faz sentido olhar para esse momento do tratamento. É justamente aqui que reside o maior gasto da saúde suplementar e onde podem ser evitados os problemas de saúde mais sérios – e que impactam o negócio lá na frente.

Por outro lado, Sheila e os demais participantes chamaram a atenção para outro assunto. Segundo eles, empresas e o poder público precisam discutir formas o acesso (ou o barateamento) de procedimentos médicos mais complexos, hoje mais custosos e que dão continuidade ao tratamento do paciente. Hoje, muita gente faz exames e consultas particulares, mas recorrem ao SUS na hora de tratar doenças mais sérias.

“É muito válido que existam os produtos de acesso, sim, para que a população tenha uma cobertura mínima no âmbito privado. Mas um ponto de alerta que faço é a questão da continuidade do cuidado, ou seja, quando os quadros ficam mais complexos e exigem procedimentos de alto custo. Se uma pessoa entra em um plano mais simples (com oferta exclusiva na atenção primária) e tem algo mais complexo, ela já sabe que vai acabar caindo no SUS. O SUS é um modelo muito bom, mas que muitas vezes há dificuldade no acesso”, destacou Sheila.

Performance

Outro assunto discutido no encontro foi a forma de remuneração, um tema no âmago do negócio da saúde suplementar. Na avaliação dos especialistas, o Brasil caminha para um modelo de pagamento dos planos de saúde para hospital/clínicas/médicos por performance ou baseado em qualidade ou resultado.

Hoje, é diferente. A maioria das empresas utilizam o fee for service ou o pagamento pelo serviço. “A maior parte da cadeia de saúde está se movimentando para pagar os provedores de saúde de acordo com perfomance. E o que é performance? É quando, nós, usuários do sistema de saúde, saímos bem de um tratamento médico. É quando temos um bom desfecho clínico.

Sobre o fee for service é preciso que se diga que ele não é de todo mal. Um lado positivo é que ele faz justiça à prestação do serviço, ou seja, eu fiz a consulta e paguei o médico. Por outro lado, o modelo é alvo de constantes fraudes (pessoas que se passam por outras) e até desperdícios de procedimentos. Tudo isso tem levado a um desperdício de aproximadamente R$ 20 bilhões por ano.

Segundo Rafael, um exemplo de desperdício é a entrega do resultado do exame para o paciente. Segundo ele, em média, 25% dos exames ninguém o consumidor não vão buscar o resultado impresso. “Tem estado que é 35%. Ou seja, são bilhões de reais desperdiçados por ano, sejam eles de contribuintes e consumidores. Isso é uma ineficiência”, explica.

Venda de consultoria e venda certa

Do lado da fiscalização dos planos de saúde, Fernando Capez, diretor do Procon São Paulo, tem tido uma atuação destacada. Ele e o órgão de defesa do consumidores figuram como autores de uma ação civil pública que quer entender como os planos calculam os reajustes anuais – e que sempre resultam em percentuais de dois dígitos.

No encontro, Capez afirma o órgão é a favor dos avanços tecnológicos na oferta de saúde suplementar, porém ele exibiu uma indisfarçável preocupação na formação do profissional que prestará o serviço de telemedicina. “O Procon não é ideológico. Ele é pró-mercado e entende que é necessário que essas técnicas evoluam. A questão aqui não é o “se”, mas o “como”. Como vai ser feito essa capacitação, de que maneira isso vai acontecer e se os pacientes terão acesso a um dos direitos mais importantes, que é o direito à vida e a saúde?”, questionou.

Hoje, segundo Márcia, da Seguros Unimed, defendeu um modelo de venda consultiva baseada perspectiva e expectativa, o que aproxima o consumidor da empresa. “Se eu, consumidor, só espero quantidade de rede e não quero discutir as diferentes características do meu público, eu posso estar te oferecendo algo que você efetivamente não precisa. O modelo de venda precisa mudar o seu conceito para que, de fato, ofereça aquilo que a empresa procura.”, disse.


Clique e acompanhe a cobertura completa de A Era do Diálogo 2021

Recomendadas

MAIS MATÉRIAS

SUMÁRIO – Edição 282

As relações de consumo acompanham mudanças intensas e contínuas na sociedade e no mercado. Vivemos a era do pós-consumidor, mais exigente e consciente e, sobretudo, mais impaciente, mais insatisfeito e mais intolerante com serviços ruins, falta de conveniência, serviços deficientes e quebras de confiança. Mais do que nunca, ele é o centro de tudo, das decisões, estratégias e inovações. O consumidor é digital sem deixar de ser humano, inovador sem abrir mão do que confia, que critica sem consumir, reclama sem ser cliente, questiona sem conhecer. Tudo porque esse consumidor quer exercer um controle maior sobre suas escolhas e decisões. Falamos de um consumidor que quer respeito absoluto pela sua identidade – ativista, consciente, independentemente de gênero, credo, idade, renda. Um consumidor com o poder de disseminar ideias, que rapidamente se organiza em redes orquestradas capazes de mobilizar corações, mentes e manifestações a favor ou contra ideias, campanhas, marcas, empresas. Ele cria tendências e as descarta na velocidade de um clique. Acompanhar cada passo dessa evolução do consumidor é um compromisso da Consumidor Moderno, agora cada vez mais uma plataforma de distribuição de insights e conteúdo multiformato, com o melhor, mais completo, sólido e original conhecimento sobre comportamento do consumidor e inteligência relacional, ajudando executivos de empresas que tenham a missão de fazer a gestão eficaz de comunidades de clientes a tomar melhores decisões estratégicas. A agenda ESG, por exemplo, que finalmente ganha relevo na agenda corporativa, ocupa nossa linha editorial há muito tempo, porque já a entendíamos como exigência do consumidor no limiar da era digital. Consumidor Moderno também procura mostrar o que há de mais avançado em tecnologias, plataformas, aplicações, processos e metodologias para operacionalizar a gestão de clientes de modo eficaz, conectando executivos e lideranças em um ecossistema virtuoso de geração de negócios e oportunidades.

Concepção da capa:
Camila Nascimento


Publisher
Roberto Meir

Diretor-executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes-comerciais
Andréia Gonçalves
[email protected]

Daniela Calvo
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head
Melissa Lulio
[email protected]

Editora-assistente
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Repórteres
Bianca Alvarenga
Cecília Delgado
Jade Lourenção
Jéssica Chalegra
Júlia Fregonese
Lara Madeira
Marcelo Brandão

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Designer
Melissa D’Amelio

Revisão
Elani Cardoso

MARKETING
Coordenadora
Mariana Santinelli

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues

CX BRAIN
Data Analyst
Camila Cirilo
[email protected]


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Eireli.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias
assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com
autorização da Editora ou com citação da
fonte. Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright, sendo vedada a
reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Eireli.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados e
informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

SUMÁRIO – Edição 282

As relações de consumo acompanham mudanças intensas e contínuas na sociedade e no mercado. Vivemos a era do pós-consumidor, mais exigente e consciente e, sobretudo, mais impaciente, mais insatisfeito e mais intolerante com serviços ruins, falta de conveniência, serviços deficientes e quebras de confiança. Mais do que nunca, ele é o centro de tudo, das decisões, estratégias e inovações. O consumidor é digital sem deixar de ser humano, inovador sem abrir mão do que confia, que critica sem consumir, reclama sem ser cliente, questiona sem conhecer. Tudo porque esse consumidor quer exercer um controle maior sobre suas escolhas e decisões. Falamos de um consumidor que quer respeito absoluto pela sua identidade – ativista, consciente, independentemente de gênero, credo, idade, renda. Um consumidor com o poder de disseminar ideias, que rapidamente se organiza em redes orquestradas capazes de mobilizar corações, mentes e manifestações a favor ou contra ideias, campanhas, marcas, empresas. Ele cria tendências e as descarta na velocidade de um clique. Acompanhar cada passo dessa evolução do consumidor é um compromisso da Consumidor Moderno, agora cada vez mais uma plataforma de distribuição de insights e conteúdo multiformato, com o melhor, mais completo, sólido e original conhecimento sobre comportamento do consumidor e inteligência relacional, ajudando executivos de empresas que tenham a missão de fazer a gestão eficaz de comunidades de clientes a tomar melhores decisões estratégicas. A agenda ESG, por exemplo, que finalmente ganha relevo na agenda corporativa, ocupa nossa linha editorial há muito tempo, porque já a entendíamos como exigência do consumidor no limiar da era digital. Consumidor Moderno também procura mostrar o que há de mais avançado em tecnologias, plataformas, aplicações, processos e metodologias para operacionalizar a gestão de clientes de modo eficaz, conectando executivos e lideranças em um ecossistema virtuoso de geração de negócios e oportunidades.

Concepção da capa:
Camila Nascimento


Publisher
Roberto Meir

Diretor-executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes-comerciais
Andréia Gonçalves
[email protected]

Daniela Calvo
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head
Melissa Lulio
[email protected]

Editora-assistente
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Repórteres
Bianca Alvarenga
Cecília Delgado
Jade Lourenção
Jéssica Chalegra
Júlia Fregonese
Lara Madeira
Marcelo Brandão

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Designer
Melissa D’Amelio

Revisão
Elani Cardoso

MARKETING
Coordenadora
Mariana Santinelli

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues

CX BRAIN
Data Analyst
Camila Cirilo
[email protected]


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Eireli.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias
assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com
autorização da Editora ou com citação da
fonte. Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright, sendo vedada a
reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Eireli.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados e
informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]