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Pagamentos digitais evidenciam desigualdades no acesso à inclusão financeira

Pagamentos digitais evidenciam desigualdades no acesso à inclusão financeira

Com apenas 59% da população de baixa renda e 40% dos residentes fora das grandes cidades possuindo conta bancária, fim do dinheiro físico ainda é distante

A transição para formas de pagamento digitais levanta debates sobre o futuro do papel-moeda, mas a realidade ainda mostra uma grande importância na existência do dinheiro físico. houve uma redução significativa no número de consumidores que utilizam apenas dinheiro em espécie e não possuem conta bancária, passando de 45% para 21%. No entanto, 20% da população completamente excluída dos pagamentos digitais ainda é muita coisa.

Os dados do estudo “The State of Financial Inclusion post COVID-19 in Latin America and the Caribbean: New Opportunities for the Payments Ecosystem”mostram também que a inclusão financeira ainda é desigual, especialmente entre aqueles com baixa renda (59%) e os que vivem fora das grandes cidades (40%), que relatam não possuir conta bancária. Fazer a transição definitiva para o ambiente digital traz desafios e oportunidades. A inclusão financeira, a segurança e a privacidade devem ser consideradas para criar um futuro para os pagamentos que seja acessível, eficiente e equitativo.

Dinheiro em espécie ainda é mais acessível

Um mundo sem papel-moeda traria uma série de desafios. Acessibilidade, segurança e privacidade são algumas das preocupações levantadas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2021 mostram que aproximadamente 7,28 milhões de famílias no Brasil não possuem acesso à internet domiciliar, o que dificulta as transações digitais e móveis.

Embora o acesso à internet esteja em crescimento na América Latina, muitas áreas rurais e comunidades de baixa renda têm acesso limitado à internet ou enfrentam problemas de conectividade. Isso cria uma divisão digital, onde aqueles sem acesso adequado são excluídos das oportunidades oferecidas pelas finanças digitais. Além disso, eventos climáticos extremos podem causar interrupções na energia elétrica, impossibilitando o uso de caixas eletrônicos e transações eletrônicas. Em tais situações, o dinheiro em papel se torna essencial.

Privacidade e anonimato

Adicionalmente, o papel-moeda oferece um nível de privacidade e anonimato que as transações digitais não conseguem. Transações em dinheiro não deixam rastros de dados, ao contrário dos pagamentos digitais, que podem ser monitorados e utilizados para restringir o acesso a serviços financeiros ou até mesmo para vigilância governamental.

Transações simples como gorjetas e doações voluntárias, são geralmente realizadas de forma anônima e sem fins lucrativos. Se todas elas fossem rastreadas, isso poderia afetar a liberdade e a privacidade financeira de muitas pessoas. Portanto, é importante encontrar um equilíbrio entre a rastreabilidade necessária para fins legítimos e a proteção da privacidade financeira dos indivíduos.

Leia mais: Pix estimula a evolução do pagamento e modifica o débito

Vantagens dos pagamentos digitais

Ao adotar pagamentos digitais, os consumidores tem mais conveniência e facilidade, eliminando a necessidade de enfrentar filas em caixas. Além disso, o uso de soluções digitais reduz atividades ilegais, como a sonegação de impostos, uma vez que as transações são registradas e podem ser facilmente monitoradas pelas autoridades fiscais.

Essa transparência contribui para fortalecer a economia, aumentando a arrecadação de impostos e promovendo uma competição mais justa entre as empresas. Além disso, o dinheiro digital pode promover inclusão financeira e justiça financeira, desde que medidas sejam tomadas para garantir que todas as camadas da sociedade tenham acesso a essas soluções.

Dados do Banco Central revelam que, em outubro de 2022, os brasileiros tinham, em média, 5,2 contas ativas com diferentes instituições do Sistema Financeiro, demonstrando um aumento na adoção de serviços financeiros digitais.

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Proteção do consumidor

Os provedores de serviços financeiros devem implementar medidas robustas de segurança cibernética, como criptografia avançada, autenticação de dois fatores e monitoramento contínuo de atividades suspeitas. Isso ajudará a prevenir fraudes, ataques cibernéticos e o roubo de informações sensíveis dos consumidores.

Além disso, são necessárias regulamentações claras e eficazes para garantir a confiança dos consumidores nos pagamentos digitais. As regulamentações devem abordar questões como privacidade, responsabilidade e resolução de disputas.

Falta educação e inclusão financeira

Para garantir o sucesso da transição para pagamentos digitais, a educação financeira desempenha um papel fundamental. É essencial capacitar os indivíduos mais vulneráveis e excluídos do sistema financeiro tradicional, como idosos, pessoas de baixa renda e residentes em áreas rurais.

Esses grupos enfrentam desafios significativos no acesso aos pagamentos digitais e, portanto, é preciso oferecer treinamento e recursos que permitam compreender os benefícios e os riscos associados a essa nova forma de transação. A inclusão financeira de todos os setores da sociedade deve ser prioridade para garantir que ninguém seja deixado para trás nessa transformação tecnológica. A exclusão digital é uma preocupação legítima, pois nem todos têm acesso igualitário a dispositivos móveis, internet de qualidade e conhecimentos básicos de tecnologia.

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Como ficariam os inadimplentes e os negativados?

Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) a inadimplência, ou seja, as contas ou dívidas em atraso, atinge quatro entre dez brasileiros adultos. E com o fim do dinheiro físico e a digitalização dos pagamentos, a vida dos inadimplentes e negativados poderia apresentar alguns desafios adicionais. A falta de acesso a serviços bancários tradicionais já pode ser um obstáculo para essas pessoas, e a transição para pagamentos digitais pode intensificar ainda mais essa dificuldade.

A digitalização dos pagamentos pode aumentar a rastreabilidade das transações, o que pode tornar mais difícil para os inadimplentes evitarem ações de cobrança ou restrições financeiras. Por outro lado, é importante considerar que a inclusão financeira digital também pode trazer benefícios para esse público por meio de serviços financeiros alternativos, como contas digitais ou carteiras eletrônicas, que podem oferecer opções de pagamento e transações mais acessíveis.

Sobretudo, é fundamental serem implementadas medidas e políticas adequadas para garantir que a digitalização dos pagamentos não acentue ainda mais as desigualdades existentes.

O futuro dos pagamentos

Embora a tecnologia esteja impulsionando a transição para pagamentos digitais, é improvável que o papel-moeda desapareça completamente em um futuro próximo. O uso de notas e moedas físicas continuará a existir devido à aceitação universal, especialmente em áreas onde as infraestruturas digitais são limitadas.

No entanto, a popularidade dos pagamentos digitais está aumentando e espera-se que continue a crescer à medida que a tecnologia se torna mais acessível e as preocupações ambientais e de saúde impulsionam a busca por alternativas sem contato físico.

Portanto, é necessário buscar soluções que equilibrem a conveniência e a inclusão financeira com a segurança, a privacidade e a resiliência diante de situações adversas. A educação financeira desempenha um papel vital nesse processo, garantindo que todos tenham as habilidades necessárias para aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pelas finanças digitais.



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