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O Brasil pode se dar ao direito de sonhar grande?

O Brasil pode se dar ao direito de sonhar grande?

No último painel do Recover Money, executivos e economistas respondem se há motivos para otimismo
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Depois de uma das maiores recessões econômicas da história, o Brasil tenta se reerguer. Mas será que há motivos para o otimismo? Há fundamentos econômicos para isso? E de que que forma as reformas em discussão no Congresso podem contribuir para um novo ciclo de crescimento? Essas e outras questões foram debatidas no último painel do Recover Money, que aconteceu nesta terça-feira (9), em São Paulo.

Sob a mediação de Jacques Meir, diretor executivo de conhecimento do Grupo Padrão, Fernando Barbosa, economista-chefe do Bradesco, Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, Frederic de Mariz, diretor executivo da UBS e Daniel Izzo, sócio da Vox Capital, falaram das expectativas do mercado para 2020. Para Izzo, sem a capacidade de criar agendas positivas, o País vai levar tempo para retomar a economia e a confiança do investidor estrangeiro. “Temos políticas mais racionais do que tínhamos há um ano e que apontam para a direção certa, mas que vão levar tempo para gerar resultados”, disse Barbosa, do Bradesco.

Para Mariz, outra prioridade é recuperar as empresas para que o mercado como um todo retome a confiança dos bancos.  Meir destacou que a taxa de recuperação no Brasil é de 18%, enquanto em mercados emergentes ela se aproxima dos 35%. “Precisamos passar para uma segunda fase, que consiste em convencer bancos e investidores estrangeiros de que estamos no caminho da retomada”, disse Mariz.

Kawall, do Safra, é um pouco mais cético.  “Me preocupa um pouco a impressão de que logo voltaremos ao ciclo de crescimento. Isso não vai ocorrer”, disse ele. Para executivo, os resultados dependem das eleições do ano que vem e do desenrolar das reformas que estão em aprovação. “Eu diria que, se tudo der certo, voltaremos ao nível de PIB de 2014”.

Os executivos também sugeriram mais apoio às pequenas e médias empresas, que hoje respondem por quase 60% dos novos empregos gerados, e um ambiente mais favorável aos negócios. Hoje, o Brasil é 116° colocado no ranking em facilidade de se fazer negócios. Eles defenderam, ainda, que os interesses privados tenham o seu êxito medido pela produtividade e não mais pela capacidade de se aproximar do governo para obter subsídios ou isenções. “O setor privado se apropriou do Estado”, criticou Izzo.

“Esse evento tem como objetivo trazer mais qualificação para o mercado econômico e fazer com que as boa práticas sejam trazidas para o dia a dia dos governos e das empresas. Esperamos que as centenas de pessoas que vieram aqui hoje sejam multiplicadoras desses debates”, disse Meir.

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